Le Dulce - Crisálida

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Le Dulce - Crisálida

Mensagem  Lucius em Sex 29 Jun 2012, 13:44

Azul. Não escuro como deveria ser naquela noite nublada, mas o céu estava azul e brilhante.

Essa foi a impressão que Marechal Ledonis teve ao olhar para cima momentos depois que a Barreira Lazulis cobriu Crisálida em uma redoma de energia. A última defesa da Capital do Reinado da Primavera havia sido usada, algo que ele julgou que nunca mais veria novamente. A Barreira Lazulis foi a única coisa que impediu a obliteração dos eladrins na Noite de Sombras que foi a guerra contra Trevor, o Senhor dos Mortos-Vivos, há quarenta anos atrás.

"Marechal?" a voz de uma tenente o retirou da solene admiração pela magia criada há mais de mil anos para proteger seu povo de raízes tão próximas com a quintessência da beleza sutil feérica, descendentes de elfos muito antigos.

Ledonis tirou os olhos dos céus e encarou a jovem tenente à sua frente. Reychel, menos de cem anos de idade. Mal conseguia pensar nela como um adulto, mas ali estava ela portando sua espada ainda suja com o sangue roxo de seus inimigos e com alguns lascos na armadura de metal.

"Marechal, eu trago informações sobre a Falange Laestes..."


Ledonis franziu as sobrancelhas, atento, quase adivinhando o que Reychel ia dizer.

"A Guarda Pessoal do General Mirtyan foi atacada... e dizimada. General Mirtyan está morto."

Eu deveria ter imaginado, pensou Ledonis. Desde o primeiro dia do ataque, os mais altos escalões do Exército dos Quatro Ventos, chamados Laestes, Oestes, Noestes e Sulestes, haviam sofrido pesada ofensiva de mortos-vivos e, principalmente, dos assassinos sombrios e suas tropas de elite em confrontos esparsos em que as forças do Exército encontravam-se divididas entre se organizar e salvar a população eladrin. O General Vendrant morreu defendendo um vilarejo, surpreendido pela inteligência e estratégia superior aos mortos-vivos que enfrentava. O General Silanis foi morto um dia depois enquanto organizava expressiva fortaleza das tropas eladrins em um ataque que veio por trás das defesas eladrins, ocupadas com a legião de mortos-vivos à sua frente.

Quando percebeu o padrão de ataque do inimigo, Ledonis ordenou que Mirtyan abandonasse seu posto e retornasse à capital, mas mais uma vez os inimigos haviam superado o exército eladrin. Dos quatro Generais, apenas um ainda estava vivo... talvez. E, de qualquer forma, ele não estava ali... e provavelmente nunca chegaria a tempo de lutar naquela que prometia ser a guerra mais rápida enfrentada pelos eladrins... e a última.

Responsável pela Guarda da Rainha, Ledonis não tinha condições de coordenar as Falanges dos Quatro Ventos e a defesa de Crisálida ao mesmo tempo. Os coronéis, abalados pelas mortes dos Generais, não apresentavam iniciativa de tomarem o comando a ponto de não transparecerem eles próprios a falta de fé na vitória. Inspiravam aos homens que lutassem e morressem com honra. Honra era tudo o que poderiam ter naquele pesadelo, imaginavam. Ledonis concordava... mas morrer sem salvar nada lhe incomodava profundamente.

Mesmo que mergulhado nos planos que tinha à disposição para tentar salvar o Reinado eladrin, ou quem sabe pelo menos conseguir mais tempo até que alguma ajuda de fora fosse chamada e chegasse, Ledonis ouviu muito claramente um brado distante de um soldado que anunciou "General Vestfallen em campo."

Quando Bastian atravessou o carvalho, ele saiu por outro carvalho dentro de Crisálida e viu a cúpula de energia cobrindo a capital. Luna estava à sua frente, lamentando ter escolhido como destino da magia a cidade dos eladrins, contemplando aquilo que parecia ser uma barreira física aos seus planos de ir atrás de Sarya. Alguém ia responder por aquilo!

Klaus saiu logo em seguida, olhou para os lados e avançou em passos rápidos pelo campo, observando ao longe milhares de refugiados, tropas andando esparsas, muitos feridos e desesperançados.

Lori saiu pelo carvalho nesse momento, tendo Klaus mais à frente.

"Então isto é uma guerra?" verbalizou sua dúvida em voz baixa, como se perguntasse para si mesmo, mas sua resposta foi um brado.

"General Vestfallen em campo," um soldado assumiu a posição de sentido, portando sua espada em saudação, à lateral direita do corpo, apontada para baixo, no que outros militares transeuntes se aproximaram em passos rápidos e saudaram o General com um brilho de esperança no olhar que pareceu exagerado para Klaus. Mesmo assim, Klaus fez uma continência e disse, "Sigam para seus postos e preparem-se para uma ofensiva. Ninguém derrama sangue eladrin sem derramar o próprio depois. E se se levantarem depois de mortos para nos atormentar, nós os derrubaremos de novo!"

"Sim, senhor!" disseram em uma só voz, correndo para seus postos.

Neste momento, Luna vociferou, "Ei, que porcaria é essa?" apontando para a barreira.

"Essa é a Barreira Lazulis, nosso último recurso de defesa da capital."

"Desfaça-a!"


Quanta ânsia de morrer inutilmente, pensou Klaus.

"Não se preocupe. Existe uma forma de sair, mas vocês não poderão mais entrar. Apenas criaturas feéricas podem adentrar a barreira."

A voz poderosa de Ledonis interrompeu a conversa.

“General Vestfallen, sua presença é requisitada no Hall das Estrelas imediatamente.” - Klaus fez uma continência. “Os líderes das Casas já estão reunidos e aguardam apenas sua chegada para iniciarem a reunião de guerra.”

“Irei imediatamente. Os demais Generais já estão lá?”

“Não há outros Generais, Vestfallen. Você é o único.”

Klaus arregalou os olhos. A situação piorava a cada segundo.

“Ei, eu trouxe seu General, agora preciso partir. Como eu saio daqui?” perguntou Luna à Ledonis.

“Sair? Como um sinal da gratidão do povo eladrin por trazer seu General de volta, eu lhe informo que os arredores de Crisálida estão no momento infestados de vários tipos de mortos-vivos, e os assassinos de outro Plano permanecessem ocultos na floresta. Sair agora resultará apenas em morte certa.”

“Não é desta gratidão que eu estou precisando! Eu quero sair! Agora! E Bastian virá comigo, né, Bastian?”

Ledonis acenou negativamente com a cabeça, mas acabou dizendo, “Tenente Reychel, leve-os para o Portal Suleste e providencie que consigam sair de Crisálida. Senhorita Luna, tenha certeza de que ficará marcado em nossos registros militares sua ajuda como membro da raça Shifter e que honraremos seu povo por isso.”

Luna, uma Shifter, uma raça humanóide com traços dos licantropos, cerrou as sobrancelhas, como se não desse importância nenhuma para aquilo e depois olhou para Reychel, dizendo, “O que estamos esperando? Leve-nos até o portal! Sarya corre perigo a cada segundo que passa!”

“Bastian,” chamou Klaus. “Quando encontrar Sarya, diga que estou indo visitá-la em breve, em seu lar. E irei levar companhia.”

A Tenente Reychel está pronta para conduzir neste momento Bastian e Luna para o portal, caso ele a siga.

Neste momento, Ledonis pareceu se dar conta de que Lori estava ali também, ao dedicar-lhe um demorado olhar. Os rumores amorosos sobre o General pareciam ser verdade, no final das contas. Não que isso lhe importasse, mas Klaus precisaria agir desprendido de qualquer coisa para exercer adequadamente sua função atual. E mais ainda para exercer sua futura função.

“Marechal, Lori Sankad fez um juramento de me proteger enquanto esta guerra contra o mal perdurar. Eu peço para levá-la comigo ao Hall das Estrelas como minha Guarda Pessoal.”

Os rumores são reais, concluiu Ledonis. “Considerando os ataques que sofremos, não podemos abrir mão de proteção para nosso último General. Lori Sankad, assim como demais aliados externos, tem minha permissão para entrar no Hall das Estrelas, mas não para se pronunciar. Será uma reunião de guerra da Alta Corte eladrin, afinal.” Ledonis então acenou a cabeça e deu meia-volta, seguindo para o Palácio das Quatro Estações, morada da Rainha da Primavera.

“Mana? Mana, é você?” a voz de Flora Sankad cortou o ar tão rápido quanto suas pernas ao correr para se jogar em um abraço à irmã seis anos mais velha, seguida por Maysa Sankad, mãe das duas, há alguns metros de distância, com expressão aliviada.

“Graças a Deus eu pude te ver de novo, mana! Foi... Foi terrível. Nós... Nós conseguimos chegar vivas de alguma forma. Os militares nos guiaram até aqui... mas muitos não chegaram conosco.” Olhando para o lado, Flora reconheceu Klaus e largou a irmã imediatamente para se lançar nos braços dele também.

“Klaus! Que bom que está a salvo! Quando ouvi dizer que os Generais estavam morrendo, agradeci a Deus que você não estava aqui... mas lamentei ao mesmo tempo. Achei que talvez vocês dois poderiam ser felizes longe daqui... depois que tudo acabasse.”

Klaus arregalou os olhos e depois sorriu gentilmente, colocando os pés dela no chão, e disse, “Flora,” e ela sorriu largamente ao ser chamada pelo primeiro nome pelo General que era o mais almejado, agora o único. “Nós não perderíamos essa guerra por nada neste mundo. E nunca poderíamos ser felizes se nossa felicidade fosse fruto de um desgraçado descaso com nossa pátria. Isso pode esperar.”

“Mas não aproveitaram nem um pouquinho nesses treze dias?”

“Aconteceram algumas coisas...”

Coisas? Que coisas?” ela perguntou com os olhos esbugalhados, indo da irmã para Klaus várias vezes.

“Não há tempo para discutir isso agora.”

“Sempre há tempo para discutir isso!” mas foi ignorada por Klaus, que seguiu para o Hall das Estrelas.

Sem outra escolha, Flora olhou para a irmã como se a tivesse pego aprontando algo, e disse, “Eu quero saber de tudo!”

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Re: Le Dulce - Crisálida

Mensagem  Fabricix em Sab 30 Jun 2012, 02:45

A famosa Crisalida poderia ser um belo lugar para se apreciar se não tivesse assolado pela guerra. Bastian ainda não tinha visto uma guerra de grandes proporções e não Gostava do que estava vendo... E ouvindo. A barreira acionada, exercitos mortos vivos am volta e o mais alarmante... Generais mortos??? Como mortos vivos estão sendo tão ardilosos? Nada disso parecia fazer sentido, mas isso não preocupava o guardião das matas... Mortos vivos faziam seu sangue ferver e haviam muitos la fora... Com Sarya...

Luna Parecia ainda mais desesperada para sair quase beirando a grosseria... O que deveria ser um pecado neste povo tão cheio de mesuras...

“Não é desta gratidão que eu estou precisando! Eu quero sair! Agora! E Bastian virá comigo, né, Bastian?”

- Irei contigo como prometi. Parece-me que o povo fada tem muito o que fazer então farei a minha parte, junto com Sarya. Partamos agora!

Bastian faz uma mesura ao marechal como agradecimento e despedida... E quando ja partia junto da tenente quando...

“Bastian,” chamou Klaus. “Quando encontrar Sarya, diga que estou indo visitá-la em breve, em seu lar. E irei levar companhia.”

- Quanto mais melhor Klaus... Vamos adorar vossa visita. E Lori, tente não demorar muito ou acabarei ficando muito a sua frente... Vou querer aquela cerveja quando tudo isso acabar...

Com um leve sorriso e um ultimo aceno, Bastian agarra as rédeas de Epona e caminha atras da tenente no caminho para a saida.
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Re: Le Dulce - Crisálida

Mensagem  Lucius em Qua 08 Jan 2014, 14:44

Assim que a tenente os levou a um portal de pedra milenar, ela recitou alguns versos em elfo antigo e uma leve luz esverdeada tomou a saída do portal. Então ela disse:

"O Portal ficará aberto apenas mais alguns segundos. Boa sorte."

Luna acenou positivamente a cabeça dizendo:

"Agora é pra valer!" - e atravessou o portal.

Do lado de fora, Luna fala para Bastian:

Vamos correr entre os mortos-vivos para chegarmos o mais rápido possível até Sarya. Não temos tempo a perder com carne podre!

E se transforma na forma híbrida e enorme de lobisomem, largando em rápida corrida até o recanto natural de Sarya.
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