Le Dulce - Seis anos antes...

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Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 31 Ago 2011, 20:00


O sol iluminava os jardins à frente da Mansão Mairwen, lar do Conde Mairwen e sua família, para satisfação de Adele, Condessa de Mairwen, depois de organizar com dedicação a festa de recepção à família Galiard, visando marcar a união de suas famílias através da promessa de casamento entre Lilian Mairwen, de dez anos, a filha mais jovem da família, e Adrian Galiard, de doze anos, o filho mais novo de Tom Galiard, Conde de Galiard há pouco tempo estabelecido, e assim recuperar o prestígio que possuíam há uma geração atrás, antes do Levante dos Mortos-Vivos, antes da Muralha de Fantasmas que matou um terço da população mundial, antes de Trevor, o Supremo Senhor da Escuridão, trouxesse o manto escuro da noite durante um ano inteiro sobre o mundo de Pandorah, enquanto zumbis, esqueletos, vampiros, liches e dragões-liches matavam todos os vivos que encontrassem.

Com a guerra, a família Mairwen perdeu terras, riquezas e influência para conseguir se manter viva em meio a todas as ameaças, enquanto famílias antes desconhecidas, cujos membros se destacaram na guerra contra a escuridão, foram ganhando renome, títulos de nobreza e poder político, assim como a família Galiard, hoje comandada pelo Conde Galiard, antigo Tom "Deadly Eye", famoso pistoleiro na defesa da família real de Le Dulce durante o Levante dos Mortos.

A ideia do Conde de Mairwen era simples: visando recuperar seu prestígio e garantir o futuro do nome de sua família e de seus descendentes, resolveu oferecer uma ligação entre as famílias, unindo a tradição bicentenária dos Mairwen com a presentemente influente família Galiard.

Os Mairwen surgiram como nobres quando seu primeiro conde, Aleph Mairwen, apresentou ao Rei uma mina de diamantes que ofereceu ao Reino, conquistada à custa do sangue de sua própria família. Um sacrifício que o Rei soube recompensar com o título de Conde.

Mas o glamour do passado ruía com o passar do tempo, mais e mais, mesmo depois de quarenta anos após a guerra que derrotou Trevor e destruiu seu Castelo de Ossos, sem antes, porém, deixar para sempre sua mácula nas terras do reino.

"O Doce" Reino agora possuía a mais horrível região do mundo: o Pântano dos Ossos, até hoje moradia de enorme legião de mortos-vivos, que vagam eternamente, protegidos do sol pelas altas copas das árvores do pântano e pela névoa densa que cega a poucos metros.

Mas nem mesmo todo aquele exército de mortos-vivos ficaria no caminho de Edgar Mairwen, Conde de Mairwen, na luta para recuperar o poder que seu avô possuía no passado. E que Tom Galiard se desse por muito feliz, pois sua jóia chamada Lilian Mairwen seria provavelmente a melhor esposa que jamais existiu nesse mundo, muito mais que seu filho de pouca cultura familiar poderia jamais sonhar em ter.

Uma correria no andar de baixo despertou Lilian de seu sono, deitada que estava em sua cama, vestida apenas com delicada camilosa branca, ao mesmo tempo em que a porta de seu quarto era aberta:

- Vamos! Acorde! - *era Kate Mairwen, jovem de 18 anos, irmã mais velha de Lilian, trajando um belo vestido branco de rendas douradas, combinando com seus cabelos loiros, arrumados em belo rabo-de-cavalo por uma presilha de jóias.* - Adivinhe: seu noivo está chegando! A família Galiard acabou de ser vista entrando no condado, conforme a milícia avisou nossa mãe agora. Levante-se e arrume-se logo. Você não vai querer dar uma má primeira impressão no seu noivo, vai, Lily? - *disse ela, com uma expressão que variava entre a ansiedade e brincadeira, enquanto olhava sorrindo para a querida irmã mais nova.*



Última edição por Lucius_D em Qui 01 Set 2011, 23:18, editado 1 vez(es)
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qua 31 Ago 2011, 20:58

Uma familia de renome mesmo sem suas posses e sem o esplendor de outra era ainda podia possuir e se permitir mais do que a maioria das pessoas. E era envolta nesse renome cheio de segredos e lutas ocultas que crescera Lilian. Tivera muitos vestidos, alguns novos e outros tantos modificados e um diferente tipo de brinquedos e sua educação já a permitia tocar dois instrumentos musicais. Mas isso não a impedia de ter a teimosia e o desejo de ser do contra as ordens que recebia, de sentir que deveria fazer as coisas do seu jeito, só nao realizando isso sempre por temor das reprimendas que receberia.

E naquele momento, ela estava tremendo sob as pesadas e quentes cobertas.Pois a despeito de ser verão, anunciara a semana inteira que ia ficar doente, e agora, frente ao encontro que tanto temia, pegara as mais pesadas cobertas da casa cobrira-se com elas e fingia estar doentes, havia goticulas de suor sob seus lábios e queria chutar para longe as cobertas, mas seu medo era tanto, da reprimenta parental e do compromisso eminente, que tremia como se fosse pleno inverno. Lilian desde que soubera, desse noivado suas noites e dias eram todas com temor e raiva, temor de quem seria ele, como seria e se seria feliz, pois como todas garotas de sua idade ansiava por ser uma noiva, em casar e cuidar de seus filhos, sempre brincava disso, mas aquilo era real, nao ia terminar quando chegasse a hora do jantar ou quando ficasse chato. Mas maior do que o temor era a raiva, pelos pais que nao a reconheciam como uma pessoa grande, uma adulta praticamente,e acima da raiva pelos irmaos que não a deixavam se esquecer disso, esquecer que diferente de suas amigas que brincavam ela tinha de ser grande, tinha de pensar em alguem que nem conhecia.

Na certa se a alguem a ouvisse poderia entender seu desejo de ser adulta para os pais, e tambem ser igual a suas amigas e fazer o mesmo que elas. Por isso, quando Kate puxava seu coberta encontrava-a encolhida na cama, os cabelos que ate anos antes eram praticamente brancos, comecaram a escurecer no verão passado e agora apesar de alguns fios mais claros exibia um tom de loiro rico e brilhante espalhados e embarados sob o travesseiro branco, a camisola branca estava erguida ate quase seu quadril,tamanho o calor que sentia. Era com alivio que Llian acordava do seu pesadelo, aonde via-se casando com um homem que a obrigava a comer coisas que odiava e a dormir numa cama fofa demais na qual ela afundava. Mas não era com gratidão ou boa vontade que recebia a irma, ao contrario, gritava com voz rouca e alta o suficiente para a criadagem ouvir qual era sua opiniao.*

-Eu não quero ouvir. Já falei que eu nao tenho noivo, deve ser o seu noivo, voce é que é velha.Voce quem vai casar, ter filhos e ir embora. Vou ficar aqui com mamae e papai e brincar com minhas amigas. Eles so colocaram o nome errado na carta. E eu to passando mal, devo ficar de cama. AGORA SAI DAQUI.

*Agil,sentava-se na cama e puxava o coberto da mao de sua irma, voltando a cobrir-se com ele. Fugindo do confronto com seus pais e com aquele garoto que ja odiava, o seu noivo.Sabia que teria de descer, de usar o odioso vestido novo e encontra-lo, mas lutaria enquanto pudesse. Era grande ja, tao grande que achavam que ja ate podia se casar. *

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qui 01 Set 2011, 18:20

- Eu não quero ouvir. Já falei que eu nao tenho noivo, deve ser o seu noivo, voce é que é velha.Voce quem vai casar, ter filhos e ir embora. Vou ficar aqui com mamae e papai e brincar com minhas amigas. Eles so colocaram o nome errado na carta. E eu to passando mal, devo ficar de cama. AGORA SAI DAQUI.

*Kate sorriu, como que se estivesse se divertindo perante a infantil atitude da irmã, muito esperada, aliás, mas foi com preocupação que a viu suar debaixo das cobertas. Então ela disse com espanto, misturado com ternura:*

- Lily, Lily! O que é isso? Você está ensopada! Por acaso pretende estar cheirando mal quando eles chegarem? Se mamãe vir isso...

*Neste momento, Kaleb Mairwer, um jovem de 16 anos e cabelos castanhos, como os do pai de Lilian, adentra o quarto de forma despreocupada, sorrindo maliciosamente, enquanto fala:*

- Lily tem um noivo! Lily tem um noivo! E eu tenho certeza de que deve ser um daqueles ogres fedorentos e asquerosos que vovô combatia no passado!

*Vindo logo atrás dele, Ryan Mairwen, um jovem de cabelos loiros e 14 anos, entra no quarto, olhando para o irmão mais velho, e completa:*

- E garanto que tem mau hálito como o tio Jonas!

- Mau hálito? Iiiiih, pobre Lily, nem vai poder aproveitar o prazer de um beijo na vida... coitadinha da minha irmã! - *disse Kaleb, zombeteiro, e Ryan riu do comentário.*

- Ei, vocês dois, o que pensam que estão fazendo? Deixem Lily em paz! - *e se volta para a irmã mais nova, olhando-a com leve autoridade.* - Não dê ouvidos a o que estes bobos estão falando... e não preocupe-se com beijo nenhum! Preocupe-se em beijar quando for mais velha, tudo bem? Mas agora levante-se! Vai precisar tomar um banho rápido se quiser estar pronta quando eles chegarem... *e falando em tom mais baixo, ela completa* ... senão mamãe vai ficar muuuuuito zangada com você. Vamos ir escondidas até o banheiro, sem que ninguém nos veja! Venha atrás de mim! - * e parou olhando com acentuada importância para aquilo que tinha por mera brincadeira... embora a ameaça sobre a fúria de sua mãe fosse algo bem real.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qui 01 Set 2011, 19:16

*Nunca conseguira ir contra a sua irmã. Kate era afinal a sua melhor amiga, a que respondia as perguntas que não podia fazer para sua mãe ou para os seus professores. E essa era uma das coisas que mais a incomodavam com esse casamento, não poderiam mais serem grandes amigas, aquele noivo idiota ia afasta-la de tudo e de todos que amava. Como o odiava, queria que ele ficasse cheio de coceira no corpo e precisasse ser isolado do mundo das pessoas decentes.

Ao ter os cobertores retirados de seu corpo, arrumava a camisola, escondendo a peça intima que usava por baixo e olhava Kate furiosa. Sabia que estava fedendo e que seu corpo inteiro estava melado de suor, mas e dai?*

- Eu tô com febre e gripe. Mamãe sempre disse que, se você esta assim, a melhor coisa e suar, assim a doença pode sair do corpo. Preciso tirar a doença e isso vai demorar ate... ate eles irem embora. Acho que eles que me deixaram doente. Deveriam ser escoltados ate outro lugar antes que todo mundo fique doente também.

*Sabia que seus argumentos acabariam daqui a pouco, mas com todo o desespero que vinha de separar-se daqueles que amava continuava a tentar, apenas estremecia ante a menção a mãe. Um bico mimado formava-se em seus lábios e Lilian cruzava os braços emburrada*
-Ela vai te dizer que eu estou doente, você verá. Porque eu não minto, nunca minto...Não todo dia...

*Resmungava baixinho, lembrando das vezes em que levara animais escondidos para casa, quebrara duas mesas e de quando tentara cortar as cordas do piano e teve a vez em que... Seus pensamentos eram interrompidos por aquele que era o grande demônio da sua vida, o seu irmão mais velho. Ficando em pé na cama, gritava alta e desengonçada, batendo pernas e agitando os bracinhos alvos e finos.*

- CALA A BOCA. ELE NÃO VAI SER FEDORENTO, ELE VAI SER UM PRÍNCIPE, PORQUE EU SOU UMA PRINCESA. MAMÃE E PAPAI FALAM QUE EU SOU UMA PRINCESA E SÓ POSSO ME CASAR COM GENTE IMPORTANTE. VOCÊ QUE FEDE MAIS QUE OGRO SACIADO E É MAIS SUJO DO QUE AQUILO QUE O OGRO COMEU.

*Os olhos encheram-se de lágrimas e pensou que era a garota mais azarada do mundo, e deveria ser, pois Ryan entrava no quarto logo depois e a fazia ficar mais nervosa ainda. Mas dessa vez, Lilian não usava palavras, pegando dois dos travesseiros que usava, arremessava em seus irmãos, um para cada um deles.*

-EU NUNCA VOU BEIJAR NINGUÉM, VOU SER FREIRA, VOCÊS DOIS QUE PARECEM TER UMA FOSSA NA BOCA, ECA, ECA, TÁ SEMPRE CHEIO DE COMIDA, POR ISSO A MAMÃE BRIGA TANTO COM VOCÊS, SEUS PORCOS.

*Chorando abertamente, Lilian era a própria imagem da dor e da tortura. Não ia conhecer seu noivo, ia conhecer um demônio e ia ser devorada por ele e seus irmãos só conseguiam rir dela e a fazerem se sentir mais sozinha. Quando Kate a chamava, Lilian abraçava-se a ela procurando consolo, encolhendo-se à mera ideia de beijo e mais ainda a ideia de ficar velha e congelando à referência à mãe. Era mesmo melhor obedecer, senão nem poderia comer os doces da sobremesa, sabiam que seriam ótimos e, como toda criança de sua idade, adorava doces.

De modo que, sem uma palavra, seguia mansa atrás de Kate. Sua ultima bravata era parar na porta e falar pros irmãos:*

-Vocês riram de mim só hoje. Vou provar que o meu noivo é um príncipe, que ele é bonito, cheiroso e que seu beijo é como leite quente com gotas de mel, e que será um garoto muito melhor do que vocês dois juntos.

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Sex 02 Set 2011, 17:34

*Kate não conseguia conter o sorriso diante das frases de sua irmã mais nova, enquanto esforçava-se desesperadamente para evitar o inevitável encontro com seu futuro noivo. Kate não estava preocupada com o futuro de Lilian. Ela achava que Lilian poderia ser capaz de gostar do rapaz e, se não gostasse até o dia de realizarem o casamento, bem, ela poderia dar uma mão à irmã mais nova para fugir romanticamente com qualquer plebeu que ela amasse de verdade. Um evento muito comum e romântico em Le Dulce, não que os pais dela fossem gostar quando descobrissem, mas Lilian era mais importante do que isso. Porém, sabendo da gravidade da situação pela qual passavam, decidiu-se por tentar tornar isto tudo o mais fácil possível para Lilian e, quem sabe, facilitar que ela gostasse do rapaz, se ele fosse (e que Deus queira que fosse) um bom garoto.

Com isso, ela não comentou os argumentos de Lilian, apenas esperando que ela a seguisse.*

- CALA A BOCA. ELE NÃO VAI SER FEDORENTO, ELE VAI SER UM PRÍNCIPE, PORQUE EU SOU UMA PRINCESA. MAMÃE E PAPAI FALAM QUE EU SOU UMA PRINCESA E SÓ POSSO ME CASAR COM GENTE IMPORTANTE. VOCÊ QUE FEDE MAIS QUE OGRO SACIADO E É MAIS SUJO DO QUE AQUILO QUE O OGRO COMEU.

*Kaleb riu ao ouvir isso e respondeu:*

- Príncipe? Só se for Príncipe da Pólvora Queimada! O pai dele é um pistoleiro e garanto que suas roupas cheiram a pólvora, com certeza!

*Kaleb gostaria de importunar mais a irmã mais nova a respeito de seu noivo, mas não conseguiu pensar em mais nada: Tom Galiard, pai do noivo dela, não era uma figura que aceitava muitas brincadeiras. Na verdade, Kaleb o admirava. Queria ele poder se tornar um pistoleiro, mas seu pai o impedia, dizendo que uma arma que torna seu usuário imundo não é digna de ser usada por um nobre.

Neste momento voaram os travesseiros pelo quarto, mal acertando seus alvos, que apenas riam mais perante a reação.

Kate nem mesmo reagiu negativamente quando Lilian lançou os travesseiros contra seus pentelhos irmãos mais novos, que não perdiam uma chance de zoar uns aos outros, tendo Lilian como vítima preferida, por sua idade, mas vendo que sua irmã mais nova chorava em sincero sofrimento, ela preocupou-se, mas logo Lilian dava o troco, depois de aceitar acompanhá-la até o banheiro:*

-Vocês riram de mim só hoje. Vou provar que o meu noivo é um príncipe, que ele é bonito, cheiroso e que seu beijo é como leite quente com gotas de mel, e que será um garoto muito melhor do que vocês dois juntos.

*E então as preocupações de Kate se aliviaram, no que ela se ajoelhou ao lado da irmã e disse:*

- Isso mesmo, seus bobões! Lily apenas vai ficar com ele se ele for muito bom! E nós vamos descobrir se ele é ou não, né, Lily? Não se preocupe. Sua irmãzona vai te ajudar a provar que ele é muito melhor que nossos bobos irmãos!

*E finalmente a levou para o banheiro, guiada pela mão. Ao abrir a porta, revelou amplo banheiro de chão em pedra basáltica branca e paredes de rocha cinza polida. Um grande espelho oval ornamentado repousava acima da pia de torneiras prateadas. A banheira branca localizada ao fundo, com uma pequena janela circular sobre ela, estava vazia. Kate abriu a torneira, ligada à caixa d'água acima da casa, e logo vasta quantidade de água jorrou dentro da banheira. Kate sentiu a temperatura da água e disse:*

- Ótimo! Está quentinha! Agora venha! Tire essa roupa e vamos tomar um bom banho! Você já é uma menina então vá se lavando enquanto eu pego seu vestido. - *e parou rapidamente para observar a reação de Lilian.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Sex 02 Set 2011, 23:29

* Para uma criança, não existia algo chamado saída triunfal. O importante era apenas ser a última a falar, e era por isso que, mesmo estando a porta, já decidida a tomar o banho e de mãos dadas com Kate, ela se voltou para os irmãos, inflando as bochechas e estufando o peito, preparando-se para enfrentá-los uma última vez. Em seu coração infantil que outrora odiara a menor coisa referente a família Galiard, via-se agora incapaz de perdoar qualquer um falando mal deles, sentia-se como uma guardiã, protegendo tudo o que se referia ao seu noivo, mesmo sem imaginar quem era ele, ou porque era importante a união dos dois, afinal, histórias como as de Tom Gailard não eram, na opinião de seus pais, coisas que deveriam ser ditas a uma garota daquela idade.*

- E é por isso que o MEU casamento será melhor que o de VOCÊS. Porque se o pai do meu noivo é um pistoleiro, o MEU noivo saberá atirar também e eu NUNCA, NUNCA, NUNCA vou passar por perigos, porque ELE VAI ME PROTEGER. E vocês vão ser só dois bobões que não sabem fazer nada direito, e só conseguem se proteger com guardas ao lado e nem tocam piano direito, e eu sou mais nova que vocês e já sei tudinho. E como a mana disse, eu VOU saber se ele é bom ou não e vamos provar, e vocês não vão mais rir de mim, ou dele, e nem da família dele.

*Virando-se para a irmã sorria alegremente, quase de orelha a orelha, não sabia bem o que sua irmã quisera dizer quando falara em descobrir, mas não ligava. Sentia-se animada e feliz por ter dado a última palavra contra aqueles dois que, de proposito ou não, tinham-na deixado esperançosa acerca do garoto com quem ia casar. E se antes o odiava, agora mal podia esperar para conhecê-lo.

Pena que o caminho para o banheiro era longo demais, demorado demais e dava a ideia de que um castigo muito ruim iria encontrá-la. Respirando agitada, apertava mais as mãos da irmã e pensava em motivos para voltar ao quarto e se esconder, mas a ideia de encontrar novamente os irmãos era tão horrível que preferia ficar ali. A voz de Kate a fazia respirar fundo e balançar a cabeça em um sim mudo.*

- Sou. Sou uma menina bem grande... Eu vou tomar banho, sim. Kate, o pai dele tem mesmo cheiro de pólvora e é um pistoleiro?

*Enquanto aguardava a resposta, começava a retirar a camisola a qual deixava caída no chão e apenas com suas peças mais intimas caminhava até a banheira, aonde afundava com um divertido e quente jorar de água. O que a levava a rir consigo mesma e, num impulso travesso e costumeiro, tentava molhar sua irmã batendo as mãos na água para que essa tentasse molhá-la.*

- Todo mundo gosta de alguém bem cheirosa, não é? Será que posso usar um de seus perfumes, Kate? Pro meu noivo me achar bem cheirosa e gostar de mim. Eu posso? Por favor? Prometo que não me escondo mais no seu armário e nem conto que você já usou roupas da mamãe escondida. Por favor? Maninha que eu mais amo no mundo e é minha melhor amiga?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Sab 03 Set 2011, 23:08

Lilian escreveu:- Sou. Sou uma menina bem grande... Eu eu vou tomar banho, sim. Kate, o pai dele tem mesmo cheiro de pólvora e é um pistoleiro?

*Kate sorriu para a irmã mais nova, afagando seus cabelos e dizendo:*

- Lily, o pai dele só tem cheiro de pólvora depois de trabalhar, não sempre. Lembre-se que ele é um nobre também. E, mesmo assim, o jovem Adrian não é um pistoleiro... e nem sei se ele vai se tornar um. Isso você poderia conversar com ele, não acha? - *disse, sorrindo esperançosa para criar mais curiosidade e receptividade em Lilian a respeito de seu desconhecido noivo.*

*Quando Lilian começou a bater as palmas na água da banheira, Kate foi molhada levemente e recuou, dizendo:*

- Pare, Lily! Eu já tomei banho!

Lilian escreveu:- Todo mundo gosta de alguém bem cheirosa, não é? Será que posso usar um de seus perfumes, Kate? Pro meu noivo me achar bem cheirosa e gostar de mim. Eu posso? Por favor? Prometo que não me escondo mais no seu armário e nem conto que você já usou roupas da mamãe escondida. Por favor? Maninha que eu mais amo no mundo e é minha melhor amiga?

*Kate olhou docemente para a querida irmã e respondeu:*

- Tudo bem, Lily, mas só hoje, combinado? Mas você precisa se comportar bem e não correr pela casa, senão o perfume vai sumir e vai ficar um cheiro ruim! Se for uma boa garota e ficar cheirosa, tenho certeza de que Adrian vai gostar de você. E... lembre que prometeu não contar nada para a mamãe, ok? - *disse, sorrindo, mas com uma leve preocupação nos olhos.*

- Agora fique aqui que já volto com suas roupas. - *e então Kate saiu do banheiro, fechando a porta.*

*Em seguida, ela estava de volta trazendo um belo vestido branco, de alças, com bordados de arranjos floridos e rosas, juntamente com um par de longas luvas de seda que iam até abaixo dos cotovelos de Lilian. Na outra mão, ela trazia um paz de sapatinhos brancos com detalhes de rosas:*

- Pronto, Lily. Agora vista-se com cuidado. Mamãe encomendou tudo isso especialmente para hoje. Viu só que bonito? - *então ela largou o vestido sobre a pia e foi até Lilian, pegando uma toalha e ajudando a jovem a se secar e depois ajudá-la a se vestir.*

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Dom 04 Set 2011, 19:26

*O pensamento de ser parente de um pistoleiro fazia a menina afundar na banheira quase até o nariz, e apenas as bolhas de ar que estouravam na superfície da água provavam que a futura noiva estava bem. Ela apenas pensava e percebia que não sabia se deveria dizer que achava isso bom, ou interessante, ou se deveria sentir vergonha por seu futuro sogro trabalhar com algo assim, pólvora e o perigo. Mais uma vez perguntava-se por que seria ela quem casaria e não Kate ou os seus irmãos. Tudo, aos seus olhos ingênuos e superprotegidos, parecia tão certo, não havia nada de errado em usar uma roupa vários dias, ou mesmo ter de usar antigos vestidos de sua irmã, pois para Lilian era como uma grande brincadeira ter de costurar os modelos antigos. Podia fazer o que quisesse e se sentia linda com eles.

Sua mãe dissera-lhe certa vez que mulheres da classe delas casavam-se para garantirem um bom futuro. Mas se o futuro de Kate, Brian e Ryan estava bom...por que o dela, Lilian, que era a mais nova, precisava ser protegido? Com dúvidas a dominando, antes que sua irmã saísse do banho, pergunta, expondo seus pensamentos, com água escorrendo pela ponta de seu nariz e de seu queixo. Parecendo ter esquecido que quase estragara o vestido bonito da irmã:*

- Mana, a família do meu noivo é igual à nossa? Porque, se for, ele não vai escolher o que quer fazer, não sei se quero casar com um pistoleiro. Eu espirro com poeira e se eu também espirrar com pólvora? Não vou poder abraçá-lo se ele não puder me dar o braço quando descermos da carruagem.

*Mais do que curiosa em conhecê-lo, Lilian permitia-se imaginar como se fosse a uma grande brincadeira o futuro que teriam, certamente ia ser como era, ela seria a mamãe e seria delicada e meio malvada com os filhos, cheia de ordens chatas e implicantes e ele seria como o papai, fazendo coisas misteriosas e adorando conversar. Ria um pouco e começava a ensaboar-se com a bucha, enquanto cantava uma alegre cantiga que estava em moda. Já empolgada com a ideia e acreditando na segurança que seu banho e sua irmã passavam de que seria tudo incrível. Seus pensamentos eram tão altos dentro de sua mente que não respondia a irmã naquele momento, apenas quando voltava com o vestido que a fazia torcer o nariz.*

- Prometo não correr, mana. Vou mostrar a ele toda a casa. Primeiro, onde tem os melhores esconderijos, depois o meu quarto e então vou mostrar onde eu quebrei meu braço e onde a cozinheiro esconde as geléias. O nome dele não me dá mais medo agora, Adrian. E nunca, nunca vou contar pra mamãe. É uma promessa de cuspe.

*Com a típica calma de uma criança acostumada a isso, erguia-se completamente ensaboada da banheira e cuspia no chão, esperando sua irmã cuspir também com um sorriso de orelha a orelha.*

- Você sabe como funciona, Kate: tem de cuspir também. Senão a promessa não vale. Esse vestido é feio, vou parecer fantasma, já sou branquela e você também esta de branco, vão achar que nós duas somos noivas. Eu vou ir ao meu quarto e pegar um vestido novo que eu fiz, ele e verde e eu desenhei sapos rosa por todo ele. A empregada queimou um pouco na parte de traz, mas eu vou ficar só sentada mesmo. Adrian nem notara, né mana?

*Pegando a toalha da mão da irmã, enxugava-se correndo. Deixando sua pele arrepiada com a violência dos movimentos e o cabelo loiro e longo eriçava-se e eram visíveis os grossos nós que se formavam nele. Apenas parava ao olhar mais atentamente para o vestido sem graça e bobo.*

-Kate, se eu usar o vestido verde, a mamãe vai me proibir de andar a cavalo sozinha, não é?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Dom 04 Set 2011, 21:57

Lilian escreveu:- Mana, a família do meu noivo é igual à nossa? Porque, se for, ele não vai escolher o que quer fazer, não sei se quero casar com um pistoleiro. Eu espirro com poeira e se eu também espirrar com pólvora? Não vou poder abraçá-lo se ele não puder me dar o braço quando descermos da carruagem.

*Kate olhou docemente para a irmã e respondeu:*

- Eu já disse, Lily: Adrian não é um pistoleiro! Pergunte para ele o que ele vai se tornar antes de vocês se casarem. E lembre de sorrir para ele! Seu sorriso é muito lindo! - *e afagou a irmã ainda na banheira.*

*Depois de voltar com as roupas e diante do gesto infantil de promessa de Lilian, Kate respondeu, com uma expressão séria e infantil:*

- Promessa do cuspe? Promessa do cuspe é coisa dos plebeus, Lily! Nós não fazemos isso! Os nobres fazem promessas apertando as mãos. - *e segurou a mão da irmã, forçando um cumprimento formal.* - Pronto, agora nossa promessa será eterna. - *e sorriu para a irmã novamente.* - E, sim, Lily, se você usar o seu vestido verde, mamãe vai proibir você de andar a cavalo sozinha, cortar todas as sobremesas por um mês e ainda vai fazer você andar com os livros sobre a cabeça por uma semana! Agora fique parada enquanto arrumo seu cabelo! - *e pegou uma escova para tratar os nós nos cabelos da jovem, depois de secá-la adequadamente.*

*Logo Lilian estava vestida e cheirosa. Um suave perfume doce agora a seguia por onde estivesse. Olhando-se no espelho, Lilian parecia uma jovem dama da elite, alva como o melhor símbolo da pureza da nobreza. Kate a olhava satisfeita pelo trabalho, mas não teve muito tempo para apreciar. A porta se abriu de repente e do outro lado se viu a mãe de Lilian, Adele Mairwen, já arrumada belamente, com um vestido em tons de branco, azul claro e azul escuro, cabelos loiros encaracolados ao redor da face esbelta. Uma figura encantadora, se não fosse o olhar rigoroso que lançava sobre Lilian, enquanto dizia:*

- Lily, agora nós... - *mas ela parou um segundo, ao perceber que o vestido havia ficado melhor do que imaginava. Adele às vezes ficava intrigada como que Lilian podia ser mais bela do que ela, quando criança. Seriam os traços de seu marido? Difícil de acreditar. Fosse o motivo que fosse, Lilian desde cedo possuía a capacidade de parecer bem, fosse usando um vestido nobre ou envolta em um lençol.* - ... vamos ver o seu pai. Ele quer falar com você. Vamos indo. - *e escancarou a porta para que ela passasse.*

*Kate abaixou levemente a cabeça perante a entrada da mãe e apenas sorriu em despedida à irmã mais nova. Kate, de sua parte, também precisava fazer alguns preparativos finais.*

- Até mais, Lily! Fique tranquila porque você está linda! Apenas cuide-se para permanecer assim!

*E então Adele olhou autoritária para Lilian, mas com um sorriso nos lábios para tentar suavizar seu desejo de ter certeza de que seria imediatamente obedecida.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Seg 05 Set 2011, 00:44

*Nem tinha conhecido seu noivo, sequer tinha completado 11 anos, mas começava a perceber que as brincadeiras com suas amigas, as quais não diferenciava, algumas eram filhas de empregadas e outras filhas de nobres, teriam de ser diferentes daquele dia em diante , se promessas de cuspi eram coisas de plebeus, o que poderia realmente fazer? Pensava novamente amedrontada com o que estava por vir.
Medo esse que aumentava a medida que escutava as proibições que recebia se não usasse o horrível vestido branco, gostava de azul e verde, cores que não a deixavam parecer um fantasma como aquele ali, mas doces em festas eram os melhores e estava quase saltando obstáculos com o seu cavalo e não queria perder nada disso, por isso, resignava-se de cara fechada a ser vestida e com caretas era escovada, sentindo por todo o corpo cada nó que era desfeito.

Ao contemplar o resultado não via o mesmo que a irmã ou a mãe, uma criatura linda e pura, se achava sem graça e o pior, percebia que estavam usando o mesmo modelo de vestido, só com uma ou outra modificação, como Adrian ia gostar dela se vestia o mesmo modelo de vestido que a mãe a irmã mais velha? Ia pensar que ainda era uma criança que nem sabia escolher a própria roupa e ia rir dela, assim como seus irmãos mais velhos. Novamente sentia aquela vontade típica de chorar de raiva, mas sua mãe era sensível a essas demonstrações de sentimentos fortes, sempre que ocorriam em sua presença ou em público os colocava de castigo ou até pior, por isso, atipicamente calada controlava as lágrimas e as próprias palavras, contentando-se em observar sua linda e poderosa mãe, imaginando o que seu pai queria e porque era tão difícil sorrir na presença dela . Tentando mais uma vez animar a mãe e conseguir que ela perdesse aquele ar severo e preocupado que parecia sempre possuir, Lilian arriscava um elogio.*

- Pois não, mamãe. Aliás a senhora está muito bonita nesse vestido, parece até uma fada. Quando crescer eu quero ser linda como a senhora é.Acha que meu cabelo vai ficar mais escuros? Mas o que eu mais quero é ter cachos.

*Com a porta aberta, tentava lembrar-se das aulas de etiqueta e arrumava o corpo, ombros alinhados, cabeça ereta e passos suaves e silenciosos, quando sua irmã mais nova a comprimentava, sorria-lhe travessa e trêmula, querendo rir e pedir que fosse com ela. Mas sabia que seus pais não aceitavam coisas assim.*

-Obrigada mana pelas palavras e por favor, vá ao nosso encontro, espero mesmo que você esteja comigo quando meu noivo chegar. Sei que eu e Adrian vamos nós tornar grandes amigos e vamos dar muita felicidade um ao outro. Não é mamãe? Igual a felicidade que a senhora tem com o papai.

*Não sabia se eram felizes, mas ainda tentava faze-la sorrir com os olhos também e qualquer coisa parecia valer quando se tratava de sua mãe. Planejando novas coisas para dizer a sua mãe e anima-la, passava pela porta e seguia ao seu lado pelo caminho que a levaria até os eu pai.*

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No Condado de Mairwen...

Mensagem  Lucius em Seg 05 Set 2011, 22:29

*Mantendo o sorriso gentil e a voz agradável, Adele respondeu, enquanto a deixava passar:*

- Sim, você será uma mulher muito bonita também, Lily, se cuidar mais da sua pele e parar com suas aventuras pela mansão.

Lilian escreveu:- Obrigada mana pelas palavras e por favor, vá ao nosso encontro, espero mesmo que você esteja comigo quando meu noivo chegar. Sei que eu e Adrian vamos nós tornar grandes amigos e vamos dar muita felicidade um ao outro. Não é mamãe? Igual a felicidade que a senhora tem com o papai.

*Kate sorriu e acenou positivamente perante o apelo da irmã. Estaria lá, com certeza.

Quando Adele terminou de ouvir as palavras de Lilian, uma leve preocupação lhe tomou o semblante. Será que ela seria feliz com seu casamento? Será que Adrian, filho de uma personalidade tão marcante, cativante e enigmática quanto Tom Galiard seria um bom homem para se casar? Restava-lhe apenas pedir a Deus para que cuidasse de sua pequena filha. Queria poder fazer mais por ela, mas...*

- Lily, tenho certeza de que será muito feliz com o jovem Adrian. Nós teremos uma prova disso hoje mesmo. Pode deixar conosco.

*Lilian seguiu pelo corredor até a sala da biblioteca, onde sua mãe abriu a porta para que ela entrasse. Lá dentro estava Edgar Mairwen, um homem alto, usando um terno cinza com um lenço azul escuro de seda estufado abaixo do pescoço, por baixo do terno, com uma jóia. Ele estava de pé ao lado da grande janela em arco, de frente para o pátio. Ao ouvir a porta abrir, ele se virou e encarou sua filha mais nova com um sorriso, dizendo, enquanto se abaixava e estendia os braços para Lilian:*

- Mas como está linda minha princesinha! Venha cá, venha! Deixe-me olhar melhor para você, minha querida!


Última edição por Lucius_D em Seg 05 Set 2011, 23:19, editado 2 vez(es)
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Na carruagem da Família Galiard...

Mensagem  Lucius em Seg 05 Set 2011, 23:17

A comitiva do Conde Galiard era composta por três carruagens. Duas para passageiros e uma para mantimentos. Ao total, dez guardas fortemente armados circulavam o comboio que percorria as estradas de terra em direção à Mansão dos Mairwen. Viajavam a uma semana para se encontrarem pessoalmente com o Conde de Mairwen. Tom Galiard poderia ter pago por um pergaminho de teleporte, mas nada poderia pagar as visitas às cidades importantes e aos entrepostos comerciais por onde passou, deixando para trás a marca de sua diplomacia e presença. E a cada lugar visitado, mais prestígio e respeito ele ganhava. Isso e as variadas "casas de diversão noturna" por onde ele passou, conforme Dorian teve condições de observar durante seus treinos noturnos (o único período do dia em que ele conseguia fazer seus exercícios físicos, de furtividade, e treinar com cadeados complexos que trouxera na mala preparada por seus mentores, incluindo seu recente grimório).

Acompanhando Tom Galiard, além dos dez guardas e de Dorian, o jovem aprendiz elfo, estavam a Condessa Selina Galiard e seu filho Adrian Galiard, o jovem prometido em casamento, o mais novo entre os três filhos da Condessa.

O Conde e seus conselheiros viajavam na primeira carruagem. Na segunda, as pessoas menos importantes: sua esposa, seu filho e o criado que a Condessa começou a fazer questão de que andasse com Adrian, argumentando que seu filho precisava de uma discreta proteção, como herdeiro da família, mesmo que fosse a proteção de uma criança élfica de 13 anos de idade! Tom nem se cansou em discutir. Que fizesse o que quisesse com Dorian, enquanto isso não perturbasse o treinamento mordaz da jovem criança élfica, é claro!

Adrian olhava para cada vilarejo com um intenso brilho no olhar. Nunca na vida havia sido permitido sair além de sua cidade e agora o horizonte se abria perante seus olhos, fazendo perguntas para sua mãe e Dorian a respeito das pessoas, prédios, costumes e campos. Mas eram poucas perguntas diante do olhar fascinado que demonstrava. Parecia descrente de que poderia perguntar sobre tudo e, assim, pretendia guardar na mente as imagens vivas de tudo o que vislumbrava. Nem mesmo parecia se lembrar que estava viajando para conhecer aquela que seria sua esposa. Ele apenas aproveitava o momento da melhor forma que podia. Uma postura bem diferente do que possuía em casa, como Dorian era capaz de lembrar. O jovem intimidado, quieto e inseguro não estava ali no momento. Pelo menos, não enquanto tinha apenas sua mãe e Dorian perto de si. Mas assim que desciam da carruagem, tudo mudava. Adrian retomava a expressão recatada e submissa perante todas as outras pessoas. Diante do pai, ele chegava a abaixar involuntariamente a cabeça, olhando levemente para baixo. O ar de superioridade e soberba de Tom Galiard parecia esmagá-lo e isso não parecia perturbar seu pai nem um pouco. Às vezes, Dorian tinha a impressão de que Tom se divertia à custa disso.

E depois de sete dias de viagem, eles finalmente entravam no Condado de Mairwen. Um belo condado de prédios antigos e arquitetônicos, pelo o que Dorian pôde perceber, mas marcado pela guerra em prédios destruídos e alguns vilarejos abandonados em ruínas. Logo Dorian percebeu que milicianos os acompanhavam e Adrian também percebeu. E, pela primeira vez na viagem, Adrian se abateu, olhando para o chão da carruagem, dizendo baixinho, ao lado de Dorian:*

- Estamos chegando, né?... Estamos chegando... para conhecer minha noiva.

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Na carruagem da Família Galiard...

Mensagem  Fabricix em Ter 06 Set 2011, 00:31

Dorian observava a estrada com interesse, embora de forma contida... Mesmo que o velho Tom não estivesse ali é como se a qualquer momento ele pudesse aparecer para estragar qualquer alegria que pudesse ter. Ao menos ele podia se dar ao luxo de relaxar um pouco... Familias são sempre complicadas como aquela? Dorian não saberia responder, pois a sua própria ele nunca conheceu. A única herança da inexistente familia era um medalhão onde havia um brasão familiar e um nome... O seu nome. Estava lá quando acharam ele na enorme casa abandonada e o acompanha até hoje em seu pescoço... Na esperança que um dia possa achar alguem que possa responder todas as suas perguntas...

Adrian olhava para cada vilarejo com um intenso brilho no olhar. Nunca na vida havia sido permitido sair além de sua cidade e agora o horizonte se abria perante seus olhos, fazendo perguntas para sua mãe e Dorian a respeito das pessoas, prédios, costumes e campos. Mas eram poucas perguntas diante do olhar fascinado que demonstrava. Parecia descrente de que poderia perguntar sobre tudo e, assim, pretendia guardar na mente as imagens vivas de tudo o que vislumbrava.

O pequeno elfo ficava feliz em ver a fascinação do amigo pelo mundo la fora... Dorian partilhava a vontade de conhecer algo diferente de sua rotina. Respondia as perguntas dirigidas a ele de forma polida e um sorriso contído. A verdade que Dorian estava preocupado... Ouviu e viu muita coisa de Tom Galiard, mas nada tão preocupante quanto o que ouvira recentemente...

"Adrian... O que eu digo? Será que ficará brabo comigo se eu te contar? NÃO! O velho Tom vai me matar se eu contar! Mas e o Adrian? Será que isso tudo é o melhor para ele?"

Muitas perguntas e pouco tempo para pensar... Seu novo aprendizado consistia em estudar um livro enorme que certamente Tom cobraria os resultados. O balançar da carroça era um empecilho irritante, mas Dorian não podia se dar ao luxo de esperar um momento propício. Pensou em pegar o livro para estudar novamente quando percebeu que estavam no condado Mairwen. Olhava atentamente para os detalhes das casas e percebeu os milicianos locais logo atrás. Dorian abriu a boca para fazer um comentário quando...

- Estamos chegando, né?... Estamos chegando... para conhecer minha noiva.

Por um momento Dorian havia esquecido... Claro! A noiva do seu amigo morava aqui... Noiva... Era estranho dizer isso... Noivos e esposas não são os adultos? Será que vão transformar Adrian em adulto para ele casar? Isso era assustador... Se fosse verdade. Não queria que Adrian fosse noivo ... Tinha a impressão que o perderia, que ele iria embora e o deixaria sozinho com o velho Tom... Isso na verdade é que o apavorava...

Respondeu a Adrian no mesmo tom baixo:

- É verdade... O que será que vai acontecer agora? Ei, anima-te! Agora é o momento em que precisa ser corajoso como... como... Um paladino da chama rubí!

Dorian faz o gesto de sacar a espada imaginária e finge estar montado em um cavalo.

- Adiante cavaleiros! Não temam nada nem ninguém!

O elfo sorri para Adrian, esperando que ele entrasse na brincadeira e se animasse um pouco.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Ter 06 Set 2011, 17:29

*Lily não conseguia deixar de pensar em como era estranho sua mãe sempre ter a voz tão bonita, a roupa tão arrumada e nunca olhava com carinho para ela ou para os seus irmãos? Sua mãe era como uma bela estátua de mármore que deveria ser admirada ao longe e que reagia de forma indiferente aos seus admiradores. Perguntava-se se esse seria o destino de todas as mulheres que nasciam naquela família ou se seria uma sina por ser casada. Pois a mãe de suas amigas, as amigas nobres, parecia ter esse mesmo olhar e postura.

Olhando para os impecáveis sapatos brancos pensava nisso com certa tristeza. Usar um chapéu, demorar bastante tempo se arrumando e parar de se divertir no castelo, será que apenas isso a tornaria bonita? Ser alegre e gostar de rir a faria envelhecer mais rápido? Se a presença da mãe a lembrava de que precisava se comportar, a sentença de encontrar o pai era a exigência de que tinha deveres a cumprir.

A garota não conseguia evitar um olhar surpreso e até emocionado para a mãe, que naquele momento olhava-a preocupada e as palavras que a enchiam de segurança a faziam perceber que era amada, realmente amada pela mãe. Rindo mais alegre e informal, Lily abraçava sua mãe fortemente enquanto caminhava na direção do seu pai, ou tentavam, pois ao abraça-la tropeçava nas proprias pernas e chegava a pisar no próprio pé.*

- Agora que você falou isso, mamãe, eu tenho certeza de que serei mais feliz ainda. Se a senhora, papai e Kate estiverem comigo, eu sei que terei certeza se Adrian é ou não o jovem certo pra mim.

* Percebendo que seria impossivel andar abraçada com a mãe, a garota soltava-a, alisava a própria saia,sorria e estendia a mão.Chegando na biblioteca, Lilian soltava a mão de sua mãe e sentia o suor frio escorrer por suas costas ao encontrar o patriarca da família, aquele que decidira o casamento e era um grande mistério na vida da garota. Sempre distante e distante, esse era o seu pai. Fazendo uma mesura, tal como a ensinaram a fazer, Lilian sorria de forma polida e distante.*

- Bom dia papai. Muito obrigada pelo elogio, o senhor também está muito elegante hoje.

*Caminhava até ele com seu passo lento e bem treinado, o nervosismo a fazendo apertar os dedos e engolir algo que parecia uma pedra.*

-Existe algo em que eu possa te ajudar, papai?
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Na carruagem da Família Galiard...

Mensagem  Lucius em Qua 07 Set 2011, 12:10


Fabricix escreveu:
- É verdade... O que será que vai acontecer agora? Ei, anima-te! Agora é o momento em que precisa ser corajoso como... como... Um paladino da chama rubí!

Dorian faz o gesto de sacar a espada imaginária e finge estar montado em um cavalo.

- Adiante cavaleiros! Não temam nada nem ninguém!


*Adrian arrumou sua postura diante da menção aos paladinos da Chama Rubi, os maiores super-heróis do povo comum daquela época de reconstrução e reerguimento da nação após os trágicos eventos de sessenta anos atrás. Adrian se sentou mais ao lado de Dorian e, sacando sua espada imaginária, também apontou-a para frente e disse:*

- Adiante, com coragem! Nenhum exército zumbi ficará em pé diante de nós! Vamos, Dorian! Cuide da direita que eu cuido da esquerda! - *e desfere golpes de espada pelo seu lado, acertando alvos do lado de fora da carruagem.*

*A Condessa sorriu, vendo os dois brincarem, e Adrian lhe disse:*

- Não se preocupe, mamãe! Eu e Dorian protegeremos você! Pode ficar quietinha aí!

*O sorriso da Condessa pareceu um pouco desmotivado ao ouvir isso, mas continuou sorrindo. Ela temia que nada poderia protegê-la, não se seus planos tivessem o sucesso esperado.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 07 Set 2011, 12:52


- Bom dia papai. Muito obrigada pelo elogio, o senhor também está muito elegante hoje.

*Caminhava até ele com seu passo lento e bem treinado, o nervosismo a fazendo apertar os dedos e engolir algo que parecia uma pedra.*

-Existe algo em que eu possa te ajudar, papai?

*Edgar abraçou a filha e a ergueu no ar em um rodopio, sorrindo, em expansões de afetividade um tanto incomuns, e parou colocando-a no chão e ajoelhando-se para olhá-la nos olhos, dizendo:*

- Hoje será um grande dia, Lily! O Conde de Galiard e seu filho já estão chegando para almoçarmos e passarmos uma boa tarde juntos. Apenas seja uma boa garota e obedeça sua mãe direitinho. Aproveite o almoço e brinque com o jovem Adrian o que puder. Vai ser bom para se conhecerem desde agora. Mas seja bem comportada na frente do Conde, ok? Obedeça sua mãe e fique perto dela, tudo bem, minha princesinha?


*E olhou para ela gentilmente, mas com uma leve firmeza de quem esperava uma resposta positiva.*

*Logo depois, um criado bateu na porta.*

- Entre. - *disse Edgar.*

- Com licença, meu senhor, mas a carruagem de Conde Galiard acaba de chegar.

*Edgar arregalou levemente os olhos, apertando involuntariamente o ombro da filha, enquanto um súbito brilho tomou o seu olhar. Depois ele disse, confiante:*

- Então vamos recebê-los.

*Adele fez sinal para que Lilian fosse até ela e pegou na mão da filha, conduzindo-a logo atrás de Edgar, que varava os corredores da mansão até a porta de entrada. O momento havia chegado.*
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Na carruagem da Família Galiard...

Mensagem  Fabricix em Qua 07 Set 2011, 13:10

Dorian observa a reação de seu amigo ao citar os paladinos da chama rubí e entra na brincadeira. Geralmente Dorian é mais quieto e reservado, mas sua principal preocupação ressoava como uma vozinha irritante em sua mente...

"Logo ele pode não estar aqui..."

Adrian escreveu:- Adiante, com coragem! Nenhum exército zumbi ficará em pé diante de nós! Vamos, Dorian! Cuide da direita que eu cuido da esquerda! - *e desfere golpes de espada pelo seu lado, acertando alvos do lado de fora da carruagem.*

- Entendido! Cuidado condessa! Aqueles terríveis monstros estão tentando entrar!

Dorian vai até a janela da direita passando pela condessa e golpeava um terrível zumbi que sua imaginação colocava tentando escalar sua janela. Automaticamente veio um golpe treinado exaustivamente e ao aplicar a estocada para por um segundo, atônito por aquele conhecimento vir tão fácil agora que está longe dos instrutores que o pressionavam constantemente. Mas logo outros terríveis monstros imaginários tentavam entrar e Dorian os golpeva incansávelmente.

Adrian escreveu:- Não se preocupe, mamãe! Eu e Dorian protegeremos você! Pode ficar quietinha aí!

- IAAA! HAAAA! Tome isso esqueleto feio! Pronto cavaleiro Adrian, meu lado esta limpo! Vou até aí ajuda-lo!

Ao se voltar, percebe que o sorriso da condessa não esta mais tão radiante... Dorian pensa que é uma pena, pois ela fica bonita quando sorri... Então atravessa até o outro lado e fica ao lado de Adrian:

- Vamos cavaleiro Adrian! O castelo da princesa está próximo! Devemos terminar logo com eles! TCHUM! PAF! SHHHIN!

Agora Dorian esta com o um arco imaginario, acertando duzias de monstros que caem pela estrada.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qua 07 Set 2011, 15:23

*Assustada por ser erguida tão abruptamente do chão, Lilian deixou escapar dos lábios um gritinho e olhou para a mãe pedindo ajuda, a qual não era necessária, pois o que seria um perigo tornou-se uma gostosa brincadeira e estendendo bem os braços e fechando os olhos, a garota permitia-se rir alegremente na presença das duas pessoas que aprendera a obedecer cegamente, secretamente a temer e apenas timidamente amar. Não sabia o que havia de tão especial nesse casamento, mas ser assim amada pelos pais, ganhando sorrisos, brincadeiras e preocupação, demonstrava que valia a pena, mesmo o medo todo que sentia, valia a pena se a fazia se sentir tão querida pelas pessoas que eram as mais importantes na sua vida.

Ao ser colocado no chão, tinha os cabelos levemente bagunçados, com fiapos loiros e esbranquiçados saltando do topo da cabeça e escapando pelos lados, sua face rósea revelava um sorriso divertido e cheio de confiança para com o homem que tão pouco via e menos ainda sabia.*

- Eu vou ser a melhor filha do mundo, papai. Mas posso levar o Adrian pra conhecer meu cavalo? Quero que ele saiba que já sei montar e até já consigo saltar obstáculos, não acha que ele ia sentir orgulho de mim? Por ter uma noiva que sabe fazer tanta coisa? Eu não vou separar da mamãe, mas se eu sair, vou ficar perto da Kate. A mana cuida muito de mim e sempre me avisa quando faço algo de errado, diz que nós só podemos errar quando sozinhos e uma única vez, depois nós temos de acertar sempre. E daí ela me abraça bem forte.

*Pensando em sua irmã Kate, Lilian pensava em algo e abaixando os olhos, questionava-se se poderia ou não fazer um pedido tão egoísta, mas o pedido nunca ocorria, pois enquanto observava os próprios pés a porta abria-se e seu coração congelava de medo. Ele estava ali, seu noivo tinha chegado, voltando seu olhar para o pai percebia o brilho novo que surgia e ficava sem saber se gostaria de saber ou não o motivo daquele brilho. Sua mão pequena e gelada ia ate a do pai e a apertava com sua pouca força, mas pouco era esse contato.

Desejava receber mais dessas expressões de carinho e começava a entender que, se fosse boa, se se comportasse direito, tudo daria certo e seus pais poderiam até serem assim para sempre. Pena que não conseguia parar de pensar nas brincadeiras dos irmãos e tremer enquanto imaginava aquele menino, queria que sua irmã estivesse ali, pois só segurar na mão de sua mãe e olhar as costas de seu pai não a ajudavam.*

- Mamãe... A senhora já viu o Adrian? Sabe como ele é?
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Na carruagem da Família Galiard...

Mensagem  Lucius em Qui 08 Set 2011, 18:34

*Adrian desferia golpes de espada do seu lado, dizendo:*

- Eles são muitos, mas caem como kobolds! Certo, Dorian, atire neles que te dou cobertura!

*A Condessa Selina sorriu amavelmente diante da pequena brincadeira dos dois jovens, pensando em como havia acertado em pedir ao seu marido que deixasse Dorian ao lado de Adrian como seu "guarda-costas", tendo em vista o treinamento de combate especializado que ele estava recebendo. Os dois haviam se tornado bons amigos, capazes de se descontraírem juntos de uma forma nunca antes vista quando separados.

No entanto, a brincadeira estava perto do fim.*
Dorian escreveu:- Vamos cavaleiro Adrian! O castelo da princesa está próximo! Devemos terminar logo com eles! TCHUM! PAF! SHHHIN!

*A condessa asseverou seu semblante, mas disse, ainda mantendo o tom gentil:*

- Muito bem, os zumbis estão todos mortos!

- Não, eles ainda estão perto do castelo, mamãe!


*Com olhar autoritário, a Condessa afirmou:*

- Então deixe eu invocar minha magia para derrubá-los todos de uma só vez! -
*e ergueu as mãos em gestos curvos, enquanto sibilava uma língua incompreensível (um pouco familiar para Dorian) e logo um grande globo de luz surgiu no meio da carruagem, expandindo-se em um clarão cegante.*

- Pronto! Agora todos estão mortos! Sentem-se direitinho no banco. E, Adrian, aprume-se. Seu pai não vai gostar se o vir com a camisa para fora da calça.

*Adrian, ainda estupefado pela magia inesperada, demorou a entender o que lhe havia sido dito, mas, obediente, arrumou-se rapidamente e se sentou na cadeira, perguntando em seguida:*

- Mãe, eu sempre adorei suas magias. Depois você mostra mais pra mim e pro Dorian? - *a amizade não o permitia deixar o amigo de fora da diversão.*

- Se você for um bom garoto e for gentil com a jovem Lilian, eu prometo que mostrarei pra vocês mais alguns truques durante nossa viagem de volta, mas não contem isso para ninguém, combinado? - *disse, amável mas com um leve tom de imposição.*

*Adrian arregalou os olhos diante do nome de sua noiva. Ele havia esquecido de novo! A hora havia chegado. Adrian respondeu, dócil, mas com um leve tom melancólico diante do envolvimento de mais uma pessoa inocente nessa história em sua vida:*

- Sim, mamãe, eu farei o meu melhor por Lilian.

*E, após alguns minutos, a carruagem parou.*
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O encontro predestinado!

Mensagem  Lucius em Qui 08 Set 2011, 19:48

Lilian escreveu:- Eu vou ser a melhor filha do mundo, papai. Mas posso levar o Adrian pra conhecer meu cavalo? Quero que ele saiba que já sei montar e até já consigo saltar obstáculos, não acha que ele ia sentir orgulho de mim? Por ter uma noiva que sabe fazer tanta coisa? Eu não vou separar da mamãe, mas se eu sair, vou ficar perto da Kate. A mana cuida muito de mim e sempre me avisa quando faço algo de errado, diz que nós só podemos errar quando sozinhos e uma única vez, depois nós temos de acertar sempre. E daí ela me abraça bem forte.

*Edgar ainda olhou Lilian, mas em seu olhar agora havia uma reprovação contida. Então ele disse:*

- Deixe para mostrar o cavalo outro dia, princesa. Apenas siga sua mãe e a obedeça. Kate será a anfitriã dos acompanhantes do Conde Galiard. Por isso, tenha certeza de não atrapalhá-la.

*Então Edgar partiu pelo corredor, seguido pela esposa, que trazia a filha pela mão.*

Lilian escreveu:- Mamãe... A senhora já viu o Adrian? Sabe como ele é?

*Adele olhou para a filha com amável preocupação e se abaixou para abraçá-la, rapidamente, e depois a encarou, dizendo:

- Tenho certeza de que Adrian é um ótimo rapaz! Venha comigo que descobriremos agora!

- Adele!
- *a voz do marido ecoou pelo corredor.*

*A condessa se ergueu e, tomando a mão de sua filha, recomeçou a caminhar pelo corredor até a porta principal.

O dia estava claro e quente, embora uma leve brisa pudesse ser sentida, vinda de um bosque próximo.

À frente da mansão, estavam paradas três carruagens luxuosas, de cavalos de grande porte.

Da primeira, saiu um senhor de trajes nobres em tons de vermelho, marrom e branco, com algumas jóias em broches no peito ao lado esquerdo, como referência a medalhas de guerra, anéis com largas gemas e pequenos brincos de ouro com pequenos rubis. Cultivava um cavanhaque bem cuidado. Sua pele era levemente bronzeada. Seus olhos eram azuis profundos, seus cabelos eram castanhos vivos, ondulados. Na cintura, carregava um coldre duplo feito especialmente de materiais luxuosos, onde carregava uma pistola obra-prima com cabo de marfim em cada lado da cintura. Ele não precisava ser apresentado: ele era Tom "Deadly Eye" Galiard.

Logo atrás dele, vinham dois outros homens, muito menos chamativos, mas nobres também. Um deles era um senhor gordo, careca, que carregava uma mochila preenchida de pergaminhos. O outro era um senhor magro, cabelos negros e bigodes, com ares mais brutais, mas forçando um leve sorriso sociável nos lábios, portando um florete belíssimo, cravado com inscrições místicas.*

- Seja bem-vindo às minhas terras, Conde Galiard. Fez uma proveitosa viagem de negócios até aqui? - *perguntou com um sorriso confiante Edgar.*

*Tom arregalou os olhos por alguns segundos. A perspicácia de Edgar não podia ser ignorada. Mas recuperando-se rapidamente, respondeu, carismático:*

- Felizmente, sim, caro Conde Mairwen. Conquistas importantes para mim e, quem sabe, logo serão importantes para nossas famílias.

*Edgar assentiu com a cabeça diante da perspectiva de recuperar o status do passado. Esquecia da filha completamente neste momento.*

- Então façamos o melhor para que seja proveitoso a todos nós.

- Sim, com certeza.


*Neste momento, a porta da segunda carruagem se abriu e dela desceu primeiramente uma bela dama de cabelos pretos lisos, mas com pequenos cachos que desciam ao lado do rosto, amarrados em belo rabo-de-cavalo, preso por bela presilha de pequenas safiras e diamantes. Ela vestia um longo vestido nobre com bordados de cor predominante azul, mas com alguns tecidos em amarelo.

Selina olhou para Dorian e disse:*

- Ajude a guardar as malas e apresente-se à anfitriã da casa para ajudá-la, como um símbolo de nossa boa-vontade em não lhes causar tantos trabalhos. E deixe sua mala aqui dentro. Tenha certeza de não chamar muita atenção, combinado? - *fazendo referência aos castigos que ele sofreria de Tom caso não fosse assim.*

*Então ela estendeu uma mão para auxiliar alguém que descia da carruagem. Quem desceu era um jovem.

Ele possuía cabelos curtos castanhos claros, com um leve tom avermelhado. Seus olhos eram azuis, como os de sua mãe que o apoiava. Vestia um belo terno nobre azul escuro com detalhes em branco, camisa branca por baixo. Na altura do peito, correntinhas de ouro ligavam os dois lados do casaco social, abaixo preso por grossos botões de ouro. Seu sapato era preto com detalhes em azul.

Assim que a mãe lhe ajudou a sair, ele olhou para a ampla e antiga mansão com uma leve admiração, mas logo olhou para as pessoas à sua frente e imediatamente parou de olhar para qualquer outra coisa quando viu Lilian. Ao vê-lo parado, contemplando apenas, Selina puxou levemente sua mão e ele, desperto, a seguiu com calma.

Adrian possuía belos traços juvenis, os mais belos que Lilian havia visto até agora. Sua expressão inocente e gentil parecia capaz de conquistar todos com um simples olhar.

Quando Selina se aproximou com o filho, Edgar olhou o garoto com profundo respeito, enquanto Adele cumprimentava Selina:*

- Seja bem-vinda ao Condado Mairwen. Eu sou Adele Mairwen. - *e olhando para Adrian, completou.* - Tens um belo filho. Garanto que é um bom garoto.

*Selina retribuiu a gentileza dos modos e respondeu:*

- Muito obrigada. A estrada foi levemente estafante, mas segura. Seu condado é muito bonito. - *e olhando para Lilian, completou.* - Mas não tão lindo quanto essa garotinha! Vamos, querido, apresente-se!

*Adrian havia acenado a cabeça diante do elogio que recebeu, em notável leve constrangimento, e tinha voltado a olhar indisfarçavelmente encantado para Lilian mas, chamado ao dever, olhou para a mãe rapidamente, como se relembrando suas palavras, e se curvou nobremente, sob o olhar atento do pai, dizendo:*

- É uma honra conhecê-las, m'ladies. Eu me chamo Adrian Galiard, ao seu dispor.


*Tom sorriu levemente, expressão máxima da sua aprovação perante os atos do filho. O garoto havia feito como foi ensinado. Tudo estava indo muito bem.*

*Adele tocou nas costas da filha e sorriu para ela, convidando-a a se apresentar da forma correta também.*

*Na carruagem, uma serviçal humana em seus quarenta anos se aproximou de Dorian e disse:*

- Olá, jovem mestre. Veio acompanhando a família Galiard? Poderíamos ajudá-lo com as malas?

*Atrás dela, vinham mais dois empregados e uma mulher loira belíssima de trajes nobre verde claro, com toques de branco. Quando ela se aproximou, ela olhou gentilmente para Dorian e disse:*

- Seja bem-vindo ao Condado Mairwen. Eu me chamo Kate Mairwen. Qual o seu nome? A viagem deve ter sido cansativa. Aceitaria uma limonada? Venha comigo até a cozinha, se quiser.
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O encontro predestinado!

Mensagem  Fabricix em Sex 09 Set 2011, 11:33

Dorian sentia que aquela diversão estava para acabar. Apesar de não querer parar, sabia que o tal encontro estava para acontecer e pensou em dizer algo, mas a condessa foi mais rápida. O pequeno elfo parou o que fazia e esperava que Adrian fizesse o mesmo... Coisa que não aconteceu. Até aí nenhuma novidade, mas a surpresa viria depois...

- Então deixe eu invocar minha magia para derrubá-los todos de uma só vez! - *e ergueu as mãos em gestos curvos, enquanto sibilava uma língua incompreensível (um pouco familiar para Dorian) e logo um grande globo de luz surgiu no meio da carruagem, expandindo-se em um clarão cegante.*

- Pronto! Agora todos estão mortos! Sentem-se direitinho no banco. E, Adrian, aprume-se. Seu pai não vai gostar se o vir com a camisa para fora da calça.

Dorian olhou para a condessa quando ouviu as palavras familiares e caiu de traseiro no chão ao explodir o clarão.

"Eu não lembrava que a condessa usava magia... Ela deve ser muito boa! Será que se tivesse zumbi mesmo eles teriam virado poeira? Eu preciso saber como ela faz!!!"

- Mãe, eu sempre adorei suas magias. Depois você mostra mais pra mim e pro Dorian? - *a amizade não o permitia deixar o amigo de fora da diversão.*

- Se você for um bom garoto e for gentil com a jovem Lilian, eu prometo que mostrarei pra vocês mais alguns truques durante nossa viagem de volta, mas não contem isso para ninguém, combinado? - *disse, amável mas com um leve tom de imposição.*

Dorian faz o gesto do silencio (Os indicadores cruzados na frente da boca), ainda que estivesse com os olhos brilhando de curiosidade. Dorian sabia guardar silêncio sobre os segredos da família Galiard muito bem... O velho Tom que o diga! Levanta-se do chão, arruma rapidamente seus trajes simples e senta-se sem dizer mais nada. Minutos depois, a carruagem para e Dorian dá um leve suspiro... O suspiro da resignação de agir de acordo com as ordens de seus senhores... Dorian sempre se sentiu um pouco mal nesta horas, pois estava acostumado a fazer o que bem entendia, embora vivesse só. Agora estava em uma família, mas não se sentia em casa... Pensava quando essa sensação passaria... Se é que passaria...

Selina olhou para Dorian e disse:*

- Ajude a guardar as malas e apresente-se à anfitriã da casa para ajudá-la, como um símbolo de nossa boa-vontade em não lhes causar tantos trabalhos. E deixe sua mala aqui dentro. Tenha certeza de não chamar muita atenção, combinado? - *fazendo referência aos castigos que ele sofreria de Tom caso não fosse assim.*

Mais uma coisa que Dorian aprendeu bem... Não chamar a atenção. Observou quando Adrian desceu e espiou pela janela quando os adultos conversavam por algum tempo, mas não muito. Logo em seguida, Dorian começou a pegar as malas menores e coloca-las para fora. Olhou para as damas e parou para fitar a menor delas... Seria aquela a tal Lilian? Parecia ser e ainda estava "avaliando" a pequena nobre, quando...


*Na carruagem, uma serviçal humana em seus quarenta anos se aproximou de Dorian e disse:*

- Olá, jovem mestre. Veio acompanhando a família Galiard? Poderíamos ajudá-lo com as malas?

Dorian olha para a humana e olha para trás, pensando que ela se referia a outra pessoa. Quando não viu ninguém, voltou a olhar para ela...

- AH! Está falando comigo? Não senhora, não sou mestre de ninguém. Sou um servo e aprendiz da familia Galiard. E quanto as malas a senhora não precisa se preocupar, só peço que me diga onde fica o quarto de hospedes que eu mesmo levo...

*Atrás dela, vinham mais dois empregados e uma mulher loira belíssima de trajes nobre verde claro, com toques de branco. Quando ela se aproximou, ela olhou gentilmente para Dorian e disse:*

- Seja bem-vindo ao Condado Mairwen. Eu me chamo Kate Mairwen. Qual o seu nome? A viagem deve ter sido cansativa. Aceitaria uma limonada? Venha comigo até a cozinha, se quiser.


Dorian olha para a dama e fica visivelmente sem jeito, corando levemente. Realmente não estava acostumado a tão gentil tratamento. Tira rapidamente a boina e com ela entre as mãos, se dirige a dama:

- Saudações milady. Sou Dorian, servo e aprendiz da familia Galiard e acompanho o jovem mestre Adrian. Devo cumprir a ordem de colocar as bagagens em seus quartos primeiro... Mas depois aceitaria a limonada, se não for pedir muito...

Dorian olhava para baixo e sentia veronha de pedir algo, de se dirigir a uma dama e por ultimo de si mesmo, por parecer tão idiota perante outros adultos...



Última edição por Fabricix em Sab 10 Set 2011, 10:44, editado 1 vez(es)
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Sab 10 Set 2011, 02:01

*A reprovação nos olhos do pai a lembravam de quão pequena era, do quão pouco importante para seus pais fora até aquele dia. As brincadeiras, os sorrisos e carinhos não eram de verdade para ela? Eram? Parecia que eram para Adrian, para algo que seu noivo traria a família. Após aquele mero olhar do pai e da sugestão de seguir a mãe, a garota destinada ao casamento não conseguia mais sentir-se tão feliz. Na verdade, temia mais do que nunca o garoto que cuidaria dela. Na certa, era como seus irmãos falaram: seria feio, com mal hálito e beijaria mal e ninguém poderia impedi-lo de casar-se com ela, porque seus pais já tinham decidido tudo, até mesmo Kate concordara com tudo isso. Respirando fundo, sorria polida e distante, como a ensinaram a fazer, um sorriso de gente educada, como sua mãe chamava.*

- Farei tudinho, papai. Mamãe também ficara bem satisfeita comigo.

*A mãe que a olhava com preocupação e a abraçava trazia um gosto amargo à boca de Lilian, cujos braços finos apertavam-na com força, procurando segurança. Seu olhar relevava o conflito que sentia naquele momento. Como alguém podia ser tão carinhoso e ao mesmo tempo aceitar entregá-la a um completo estranho?*

- Mamãe... eu, eu tô com me....

*O grito potente de seu pai a impedia de completar a frase e a impedia talvez de mudar toda a sorte que guiava seu destino, pois sua mãe erguia-se e aquele momento de carinho e confidências se encerrara. Agora só havia uma porta à frente e o som de carruagens e cavalos se aproximando. A luz que surgia pela porta era cegante e Lilian fechou os olhos rapidamente quando passou pela porta principal, abrindo os olhos apenas quando sentiu o calor do sol no topo de sua cabeça e o vento agitar a saia longa.

Aquele era um dia perfeito para brincar, subir em árvores, escovar seu cavalo e brincar de esconde-esconde, não para ficar velha, não para conhecer seu futuro marido. Olhando os sapatos muito limpos e claros, Lilian fez um pequeno bico rebelde, apenas para seus sapatos, como se os repreendesse por mantê-la ali, presa no chão e presa naquele local. Mas o bico sumia assim que a primeira porta se abriu. Não podia demonstrar sentimentos ou temores, tinha de ser polida e amável, mas permitia-se apertar a mão de sua mãe com força enquanto observava o diálogo entre os dois patriarcas da família.

E Tom Galiard era completamente diferente do que seu irmão dizia. Era elegante e seguro, de um jeito diferente que seu pai, mas era cativante ao olhar e, com uma curiosidade infantil, Lilian deixava seus olhos seguirem até o coldre onde as duas pistolas quase a faziam soltar um “ oh” de admiração. Sem dúvida, não deveria ter ninguém que não se sentisse seguro na presença dele. Seus olhos claros iam quase famintos para os outros dois homens que saíam da carruagem, mas eram ninguém, parecidos com as pessoas que costumavam frequentar sua casa.

Mas era a segunda carruagem que a fazia prender a respiração e apertar mais a mão da mãe. Seu noivo estava ali. Iria vê-lo, ele a veria. O que pensaria? Queria ir para trás das costas da mãe, como quando fazia pequena, ou então sair correndo para a floresta e esperar tudo se acalmar. No entanto, a severidade do olhar do pai a alertara: deveria ficar ali. Por isso, tinha o seu melhor sorriso, ainda pálido se comparado a um sorriso sincero e animado, mas um belo sorriso ainda assim, e a mão que estava livre jazia delicadamente abandonada ao lado de seu corpo, como se esperasse que alguém a segurasse.

Foi com alívio que percebeu não ser a primeira pessoa que saía do carro o seu noivo, e observava admirada a beleza e o penteado da mulher que saía, seus cabelos brilhando ao sol eram tão bonitos e distintos, melhor que o cabelo claro e sem graça que possuía. Queria apenas olhá-la e evitar perceber a pessoa que saía em seguida, mas era impossível. Curiosidade, ansiedade e medo guiavam seu olhar até seu noivo e perdia a respiração assim que o conhecia. Não era como seus irmãos, selvagem e risonho, nem como seus amigos, indiferente e até maldoso, era completamente diferente do que conhecera e sentia o rosto quente, mesmo sem compreender inteiramente o porque, afinal, ele não sorria para ela, mas a olhava de um modo que a deixava timida.

Naquele momento, ela não queria pensar em casamento. Por isso, voltava suas ideias para o que realmente queria fazer, perguntando-se como deveria ser legal brincar com ele, não riria de suas ideias, e nem de suas brincadeiras favoritas, e quanto brincassem de pega-pega aceitaria quando fosse pego e não mentiria dizendo não era vez dele de pegar. Sorriu um pouco mais animada com os pensamentos descuidados que tivera, como se esses fossem um mecanismo de defesa que a fizesse relaxar naquela situação. Com o leve roçar de dedos da mãe em suas costas, Lilian soltava a mão que lhe passava segurança, pousava bem treinada os delicados dedos ao lado do vestido branco e fazia uma respeitosa e graciosa mesura, ao erguer o rosto, sorria bem disposta e alegre.*

- Sejam bem-vindos ao Condado Mairwen. Sou Lilian Mairwen, encatanda em conhecê-los.

*Ao terminar o gesto, olhou com o canto dos olhos para a mãe e percebeu que era convidada a completar o cumprimento com outra formalidade. Essa ideia fez seu coração palpitar enquanto suas faces ficavam vermelhas e sua expressão passava rapidamente a impressão de que estava intimidada, mas logo ela retomou a disposição no sorriso alegre e ergueu a mão em direção a Adrian, levemente trêmula, para que ele a tomasse e beijasse. Beijo. Adrian ia beijá-la? Isso contava como um beijo? Não. Assim ela não poderia saber se ele tem mau-hálito.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Sab 10 Set 2011, 12:33

Dorian escreveu:
- AH! Está falando comigo? Não senhora, não sou mestre de ninguém. Sou um servo e aprendiz da familia Galiard. E quanto às malas a senhora não precisa se preocupar, só peço que me diga onde fica o quarto de hospedes que eu mesmo levo...

A serviçal humana, de roupas beges e avental branco, sorriu enquanto ouvia Dorian falar. Quando ele terminou, ela disse:

- Ora, que bom garoto! Mas, como aprendiz da família Galiard e convidado da família Mairwen, não podemos deixá-lo cuidar disso tudo sozinho. - e então ela vez um sinal para que os outros dois serviçais que acompanharam Kate começassem a pegar as malas, o que foi feito, deixando apenas a mala da Condessa Selina nas mãos de Dorian, que ele estava segurando no momento.

Dorian escreveu:- Saudações milady. Sou Dorian, servo e aprendiz da família Galiard e acompanho o jovem mestre Adrian. Devo cumprir a ordem de colocar as bagagens em seus quartos primeiro... Mas depois aceitaria a limonada, se não for pedir muito...

Kate continuava a sorrir amavelmente para Dorian, o que aumentava a cada segundo a influência carismática que exercia sobre o jovem:

- Vejo que a família Galiard é agraciada com dedicados aprendizes. Muito prazer, Dorian. Se acompanhas o jovem Adrian, arranjarei para você um quarto ao lado do da família Galiard. Infelizmente, terá que se acomodar em camas grandes e macias, quartos com amplas janelas e cheiro de flores. Mas isso depois de cumprir suas tarefas... e tomar uma limonada. - e sorriu novamente, com amável olhar no rosto que parecia ser mais feérico a cada segundo que Dorian olhava. Dorian nunca havia visto uma fada, mas elas deveriam ter uma beleza parecida com essa.

A senhora serviçal acenou com a cabeça, dizendo:

- Por aqui, jovem Dorian. - e começou a guiá-lo pela entrada lateral da grande mansão de mais de dez suítes e vários outros cômodos.

A mansão era sem dúvida mais bela do que a mansão dos Galiard, fosse pelas antigas belas obras expostas ou pela arquitetura mais suave. Tom não tinha o menor gosto para estas coisas. Selina era a responsável por deixar o lar deles mais agradável, e, mesmo assim, ela não tinha muita experiência sobre isso. Parece que ela havia se dedicado a outros aprendizados.

Dorian foi guiado pelas salas e escadas até o segundo andar, onde viu que um dos quartos possuía arranjos de flores belíssimos, que deixavam agradável aroma pelo corredor. Uma pequena placa sobre uma mesinha de madeira dizia: "Sejam bem-vindos, Família Galiard". Todos entraram neste quarto e Dorian viu que ele era adornado com utensílios de ouro, prata, granito e marfim por todos os lados, tendo ao lado um requintado banheiro de granito branco, mais branco que qualquer coisa que Dorian tivesse visto na vida. Eles foram deixando as malas à frente dos armários e sobre uma mesa. Kate supervisionava seus trabalhos e lhes dava instruções. Por fim, todos saíram e ela fechou a porta, indicando que os dois senhores servos estavam dispensados. Eles cumprimentaram a ela e a Dorian em despedida, seguindo para seus outros afazeres.

Kate, ainda acompanhada pela senhora serviçal, olhou gentil para Dorian e disse:

- Bem, jovem Dorian, agora que terminou suas tarefas, hora de uma recompensa, não acha? - e indicou as escadas que os conduziriam até a cozinha.*

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Dom 11 Set 2011, 00:29

Quando Lilian apertou a mão de sua mãe, enquanto os patriarcas conversavam, Adele a olhou, docemente, e lhe retribuiu o aperto de mão, como se quisesse lhe dizer que estava tudo bem e que ela não estava sozinha.

Lilian escreveu:- Sejam bem-vindos ao Condado Mairwen. Sou Lilian Mairwen, encatanda em conhecê-los.

Edgar olhou a filha e depois para Tom, como se dissesse: “Viu só como minha filha é uma princesa?” e Tom lhe respondeu com o olhar “Realmente, ela é”, voltando sua atenção ao erguer de mão que era realizado naquele momento.

Adrian, que ainda olhava para Lilian com um deslumbramento sem palavras, arregalou levemente os olhos ao vê-la erguendo a mão e, sem precisar olhar para mãe para saber o que deveria fazer, a segurou lentamente. Foi então que percebeu o secreto temor que movia Lilian naquele momento. Lilian percebeu os olhos de Adrian se arregalarem levemente, preocupado, mas percebeu que aquele ato não permitia palavras, menos ainda diante da audiência que sufocava suas infantis reações.

Então Adrian percebeu o quanto essa história de casamento perturbava também sua jovem bela noiva. Seu pai agora não apenas perturbava sua vida, mas as de outras pessoas também. Por um momento, revoltou-se contra tudo aquilo, uma revolta demonstrada por um rápido fechar de olhos, enquanto franzia suas sobrancelhas durante um segundo, para então abri-los em confiante expressão, olhando nos olhos de Lilian, como quem fosse seu aliado, e curvou-se lentamente para beijá-la na face da mão, calma e levemente, tentando lhe passar um pouco de paz e tranquilidade em um gesto tão singelo, mas era tudo o que ele tinha até aquele momento.

Adele não pôde deixar de apreciar aquele cuidado e acenou discretamente a cabeça em sinal de concordância. Selina apenas sorriu amavelmente para Lilian, enquanto os patriarcas sorriam satisfeitos entre si: seus planos estavam indo muito bem.

Com tranquilidade, os lábios de Adrian abandonaram a superfície das luvas de seda branca que iam até a metade do antebraço de Lilian, enquanto abria os olhos lentamente para olhá-la nos olhos e sorrir novamente, tentando aliviar qualquer tensão que ainda a dominasse. E o poder de seu carisma era grande.

Assim que Adrian largou a mão de Lilian, Edgar olhou por um instante para a filha, satisfeito por seu comportamento, e tomou a palavra:

- Muito bem, agora os convido para relaxarem um pouco em nossa sala de estar, antes do almoço. Por gentileza, por aqui. – e apontou o corredor atrás de si.

Adele beijou a face da filha e seguiu o marido, como um sinal de que a jovem estaria “livre” por enquanto. E a mesma atitude foi tomada pela família Galiard. Tom acenou imperiosamente para Adrian e disse para Edgar:

- Será bom relaxar um pouco! Longas viagens enrijecem meus músculos. Mal posso esperar para conhecer as delícias de seu Condado, Conde de Mairwen. – e seguiu Adele que os guiava até a sala de estar.

Selina beijou a testa de Adrian e depois apenas sorriu para Lilian, acenando uma despedida pequena e breve.

O nobre mais obeso acenou a cabeça para Tom e seguiu para o segundo andar, para deixar seus pergaminhos de negócios para outra oportunidade, enquanto o magro senhor de trajes negros nobres fez um discreto aceno de cabeça, seguindo para a cerca da mansão, como que vigiando despreocupadamente aquelas terras que lhes serviriam de pousada naquela noite. À frente, alguns serviçais distantes cuidavam dos jardins da entrada da mansão. Os jovens podiam não perceber isso, mas eram vigiados atentamente por quem se interessava pelo seu bem-estar. O evento do abandono repentino teve apenas um propósito: tentar deixá-los a sós para se acostumarem um com o outro. Ideia de Tom, obviamente, e Edgar apenas concordou ao saber que Sigmond Goroney, um famoso Dançarino das Sombras de Le Dulce, estaria vigiando-os, um tanto de longe. Nenhum perigo poderia sobreviver ao ataque furtivo daquele homem. E, em qualquer caso, os fiéis serviçais fariam sua discreta observação sobre os atos dos jovens e do próprio Sigmond.

A sós. Lilian e Adrian haviam sido inesperadamente deixados a sós. Adrian arregalou levemente os olhos ao ver a mãe se afastar e depois olhou para Lilian, começando ele a ficar avermelhado e tímido. Não sabia o que dizer, mas seu pai havia lhe dito que ele era o responsável pela conversa... e pelas consequências daquela conversa. Precisa ser amável, gentil e... encantador, não importando o quão complicada essa palavra lhe parecia. Não entendia nem seu significado naquele contexto, pois certamente seu pai não pretendia que ele acenasse as mãos e encantasse alguém magicamente, mas não teve coragem de perguntar o que ele queria dizer com aquilo.

Um pouco tenso, mas lutando contra isso, Adrian coçou a cabeça rapidamente e depois olhou, ainda um pouco envergonhado, para Lilian e disse, hesitante:

- O... Olá. Você... é muito bonita, quero dizer... está muito bonita. - *e a confusão do jovem o frustrou intensamente. Algo o dizia que não estava sendo nada encantador.

“Deus, por que é tão difícil falar com uma garota? Falar com Dorian sempre foi tão simples! E mais: ela não é apenas uma garota. Ela é linda, de verdade. E, além disso, ela é minha noiva. Meu Deus, afinal, o que fazem os noivos? Eles se beijam, né? Nossa! Eu não consigo nem me imaginar beijando-a. Isso seria uma ofensa pra ela, com certeza. Meu Deus, fiquei muito tempo calado! O que eu falo agora?”

E olhando para Lilian novamente, ainda encabulado, arriscou:

- Você... você tem uma casa muito bonita. Parece bom de brincar de esconde-esconde. Você gosta de brincar de esconde-esconde? – arriscou, com toda a coragem que ainda lhe restava.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Dom 11 Set 2011, 22:00

A serviçal humana, de roupas beges e avental branco, sorriu enquanto ouvia Dorian falar. Quando ele terminou, ela disse:

- Ora, que bom garoto! Mas, como aprendiz da família Galiard e convidado da família Mairwen, não podemos deixá-lo cuidar disso tudo sozinho.

E então ela vez um sinal para que os outros dois serviçais que acompanharam Kate começassem a pegar as malas, o que foi feito, deixando apenas a mala da Condessa Selina nas mãos de Dorian, que ele estava segurando no momento.

Dorian observa ligeiramente preocupado os demais empregados levando as malas e olha em volta, ficando aliviado ao constatar que a família Galiard estava ocupada demais para perceber o que acontecia com ele no momento. Estava começando a gostar daquela viagem...

Kate continuava a sorrir amavelmente para Dorian, o que aumentava a cada segundo a influência carismática que exercia sobre o jovem:

- Vejo que a família Galiard é agraciada com dedicados aprendizes. Muito prazer, Dorian. Se acompanhas o jovem Adrian, arranjarei para você um quarto ao lado do da família Galiard. Infelizmente, terá que se acomodar em camas grandes e macias, quartos com amplas janelas e cheiro de flores. Mas isso depois de cumprir suas tarefas... e tomar uma limonada. - e sorriu novamente, com amável olhar no rosto que parecia ser mais feérico a cada segundo que Dorian olhava. Dorian nunca havia visto uma fada, mas elas deveriam ter uma beleza parecida com essa.

O menino elfico era todo olhos e ouvidos para aquela dama... No início apenas ouvi-la falar era o suficiente para Dorian se sentir bem. Logo ele assimilou o que ela dizia e sua expressão boba mudou para a surpresa total... Bem que queria dizer algo, mas não conseguia...

"Eu? Dormir em um quarto de nobre? Isso é certo? Espera só o Adrian saber disso! Mas e o velho Tom? O que ele vai dizer? Quer dizer então que os nobres não são iguais?"

A senhora serviçal acenou com a cabeça, dizendo:

- Por aqui, jovem Dorian.

Com um pequeno susto, Dorian para de divagar e lembra de seguir os empregados até os quartos.

Dorian olhava com vagar toda a beleza em volta, evidentemente apreciando cada momento. Talvez naquele pequeno passeio o sangue élfico tenha aflorado um pouco, pois se descobriu um amante do que é belo... A casa, as obras... E a Kate. Sim, o olhar tímido do menino volta e meia parava novamente na bela humana e Dorian sentia vergonha de admitir que gostaria de ficar perto dela, de ter a sua atenção... De simplesmente contemplar a gentil dama e nunca sentiu isso por ninguém que conheceu em sua curta vida... Adrian era um grande amigo, mas com Kate era algo diferente... Talvez algo novo que nunca conheceu... Ia aproveitar o quanto pudesse desta viagem, pois sabia que isso logo acabaria.

No quarto, Dorian auxilia na arrumação e até mesmo tem um sorríso no rosto, coisa rara na casa Galiard. Ao acabar, Dorian acenava para os serviçais que se retiravam quando...

Kate, ainda acompanhada pela senhora serviçal, olhou gentil para Dorian e disse:

- Bem, jovem Dorian, agora que terminou suas tarefas, hora de uma recompensa, não acha?

E indicou as escadas que os conduziriam até a cozinha.*

Dorian olha pra Kate e logo desvia o olhar, levemente ruborizado. Como uma dama nobre podia ser tão gentil com um serviçal? Ainda não entendia isso, mas gostava da idéia.

- Err.. Claro milady... Err... Eu aceito com muito gosto a limonada... Deve estar ótima... É claro...

Dorian espera Kate e a gentil empregada ir na frente e acompanha elas até a cozinha.
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