Le Dulce - Seis anos antes...

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Dom 25 Set 2011, 17:32

Lilian escreveu:Abrindo um dos olhos, encontrando os dele azuis assustados, abria o outro e permanecia na posição, sentindo aquele contato um pouco mais. Curiosa, queria confirmar o que acontecia e sua mão audaciosa, com uma folha grudada na lateral, erguia-se timidamente e intrometia-se entre os lábios dele, confirmando que, sim, beijava-o. Não era bochecha e nem queixo, era a boca de Adrian mesmo.

Adrian não se mexeu quando Lilian abriu os olhos, um de cada vez, e olhou atentamente quando ela trouxe sua mão para tocar nos lábios dele, pensando, enquanto o próprio coração começava a bater descompassado.

"Sim, isso é um beijo, sim. Nossa! O que eu faço agora? Acho melhor tentar fingir que nada aconteceu. Quem sabe eu deveria pedir desculpas?" - mas interrompeu seus pensamentos quando viu o pescoço e parte da pele do peito de Lilian, sobre ele.

Mas logo ela se ergueu levemente e ele voltou a olhá-la nos olhos, levemente temeroso de que ela tivesse percebido para onde ele estava olhando antes. Ele nem se mexeu diante da folha que coçou o seu pescoço, enquanto ouvia Lilian dizer:

Lilian escreveu:- Eu, eu, eu... esse beijo não valeu. Eu, eu não sabia que ia... acontecer... E nem senti seu, seu...

E então, para sua máxima surpresa, ela vinha para beijá-lo de novo. Mas desta vez ele não foi tomado pelo inesperado. Não foi repentino como na queda. Foi pensado e realizado, e isso tornou o evento muito diferente aos olhos de Adrian. Tão próxima, Lilian foi capaz de sentir que o coração de Adrian parecia pular em seu peito, agitado, mais do que antes. Inebriado pela beleza angelical da jovem, pelo sangue que começava a ferver em suas veias e pelo prazer ainda inexplicado dos toques dos lábios, Adrian teve impulsos de abraçá-la e apertá-la muito contra seu peito, mas um sentimento de reserva e respeito o constrangia assim que começava a mover seus braços, materializando-se em movimentos dos braços indo em direção às costas de Lilian, mas detidos bruscamente, e isso aconteceu algumas vezes até que Lilian separou os lábios e falou novamente:

Lilian escreveu:- São macios, sua, sua boca é macia... Eu, eu... fecha os olhos... Não pode me olhar agora... *Levando uma das mãos aos olhos dele, cobria-os de modo trêmulo.*- Eu, esse, esse se-será nosso segredo.. tá bem? Você não, não, não pode contar pra ninguém, nunca... nem pro Dorian e nem eu pra Kate...

Uma sensação de vazio inexplicável tomou a alma de Adrian quando Lilian se separou dele. Sentiu ímpetos de beijá-la de novo, mas agora ela falava, sendo olhada por ele não mais com a primeira expressão de susto, mas com um olhar que parecia penetrar no fundo da alma dela, como se a visse por completo, mas logo este mesmo olhar era coberto por ela, um movimento que fez Adrian abrir a boca de surpresa, como um preparo para dizer alguma coisa, mas logo ela o beijava de novo, e nova experiência os visitava ao perceber a pequenina língua de sua noiva buscando a dele, e retribui gentilmente a íntima carícia, tocando-a com a própria língua, um pouco maior do que a dela, e, perdido nos próprios impulsos de aproveitar aquilo, ele nem percebeu quando a abraçou gentilmente contra o peito, antes de apertá-la mais, como se tentasse grudá-la nele. E então sentiu o coração dela pular também, não que tenha dado muita atenção a isso no momento. Não se preocupava com nada. Sua vida parecia muito simples naquele momento, sem pai para se preocupar, sem pressões a sofrer, sem noites relegado pela família, onde apenas podia encontrar esporádico carinho e atenção de sua mãe. O mundo pareceu desaparecer ao seu redor e descobriu que isso era muito bom. Lilian, sua inesperada linda e carinhosa noiva, com sua beleza intocada pelos males do mundo, com seus carinhos ansiosos, havia retirado Adrian da sombria realidade em que esteve até hoje e ele foi muito grato por isso. Mas não pensava em agradecer agora. Pensava em... mas então ela falou novamente:

Lilian escreveu:- Eu, eu... eu acho, sei, agora, que nós dois podemos ser felizes... Você é mesmo diferente... e não tem mal hálito.

"Sim." - ele pensou.

Adrian pegou Lilian pelos ombros e a sentou sobre ele, enquanto a olhava com um misto de alegria, carinho e desejo, no que ele disse:

- Sim! Nós podemos ser felizes. Tenho certeza de que podemos. - e interrompeu sua fala, olhando para os lábios de Lilian novamente, enquanto abria levemente os próprios, e se aproximou dela para voltar a beijá-la de novo, buscando com um pouco mais de intensidade do que ela o toque de suas línguas, abraçando-a de novo, ajeitando o corpo dela para ficar mais rente ao seu.

Neste momento, além da percepção dos dois noivos entretidos um com o outro, um arbusto distante se mexeu e Vanamari apareceu trazendo Dorian consigo. Ela sorriu satisfeita ao ver jovens na cabana esquisita que tinha visto outro dia e a apontou, dizendo em tom audível apenas para o jovem elfo:

- Veja! Tem gente ali! - e neste momento ela viu que dois jovens humanos... se beijavam.

Vanamari levou a mão direita à própria boca, arregalando os olhos, e rapidamente olhou para Dorian, como se esperasse a concordância dele em julgar aquilo como algo ousado e... apreciável de se ficar observando de longe. Ela até mesmo se agachou entre os arbustos, puxando levemente a mão de Dorian para que fizesse a mesma coisa. Vanamari tinha muita curiosidade sobre os carinhos que humanos poderiam trocar entre si... e não parecia muito diferente do que via em sua aldeia, por enquanto. Ela abandonou completamente sua pressa em levar Dorian para sua aldeia.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Dom 25 Set 2011, 21:15

* Com os lábios unidos e as línguas encontrando-se de uma forma que nunca se imaginaria capaz de fazer com alguém, muito menos após conhecer essa pessoa em poucos minutos, Lilian perguntava-se por que tivera medo? E por que agora não sentia mais? Só sabia que sentia cócegas no nariz pela respiração dele e que não sentia vontade de coçar.

Não percebera, e nem poderia em sua meninice e superproteção familiar, que desejos de meninos e meninas podiam tomar formas diferentes. Não sentia curiosidade pelo colo no qual estava acomodada e nem nos braços que agora a abraçavam. Ou que em algum momento Adrian a olhara e a vira diferentemente de como ela mesma se via, ou que algo em seu corpo pudesse ter atraído um olhar especial. Eram apenas os lábios que podiam ser tocados dessa forma e expressar um sentimento que começara como mera curiosidade e tornara-se uma corda que a mantinha presa perto dele.

Por isso, parecia que era uma eternidade naquele beijo. Sentindo o coração de Adrian bater acelerado contra a palma de sua mão notava com uma felicidade nova, uma sensação nova de cumplicidade e novamente aquele companheirismo que Adrian a inspirara quando beijara sua mão, afirmando que estavam juntos, não porque seriam noivos, mas porque seus corações batiam iguaizinhos e, ao afastar-se e olhá-lo, percebia que o calor também era igualzinho, pois estava vermelho como sabia que ela também devia estar.

Queria rir e quebrar o nó que estava em sua garganta, mas os dedos do garoto, que tinham ficado parados a maior parte do tempo a levavam até ele, uniam seus peitos e, suspirando sem ar pelo gesto inesperado, aninhava-se meio tímida, mas igualmente ansiosa pelo contato... As mãos tremiam ao tocar as costas dele e encarava-o com os lábios avermelhados e o rosto indefeso, algo no olhar de Adrian fazendo-a desviar o rosto para o colo dos dois, notando que era confortável sentar-se ali, e ele nem dizia que era pesada.*

- Eu me sinto até boba. Pensei em fugir de você. Nosso destino é esse, não é? Quando você me abraça, me sinto melhor do que no abraço de Kate ou da minha mãe. Você gosta do meu...?* O modo como Adrian olhava seus lábios a fazia engasgar de novo e querer se esconder no peito dele, mas também desejava outro beijo, e em sua curiosidade perguntava-se se seria diferente, se não ter começado o beijo faria com que algo mudasse. Erguendo o queixo, os lábios também já entreabertos, mas os olhos parcialmente abertos e ansiosos esperando o momento do encontro.

E realmente. Havia diferenças. Escapava de seus lábios um ruído engraçado e rouco, que se abafava contra a boca dele e a deixava tímida frente aquele ímpeto desconhecido que guiava a boca de Adrian sobre a sua. Não era curiosidade, foi o que percebeu sem ar e ainda assim ansiosa por prosseguir com a descoberta. Sua língua recuava sob a dele e depois avançava, não sabendo como fazer ou o que fazer, mas sabendo que a cada toque seu corpo inteiro tremia e, se antes amassara a camisa dele na frente, agora amarrotava entre seus dedos as costas de seu casaco.

O mundo havia aumentando e diminuído ao mesmo tempo. Não ligava mais para o estado de seu vestido ou da bronca que os dois poderiam levar por estarem no meio do bosque. Assim como não pensava ou imaginava que outros olhos poderiam saber do que seria o segredo dos dois. Importava-se apenas em sentir mais uma vez a estranha proximidade e o calor que cada vez mais aumentava em seu corpo, não era mais seu estômago que doía, era um calor agora que subia e descia ao mesmo tempo, enquanto ficava a sussurrar mentalmente o nome de seu noivo repetidas vezes.

“Adrian, Adrian, Adrian...”
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Seg 26 Set 2011, 13:11

Dorian começava a entender a raiva dela por humanos. É verdade que a grande maioria era má e suja... Mas Adrian era diferente... Às vezes diferente demais, o que deixava ele separado até mesmo da sua familia. Kate também era diferente... Mas os empregados dela não pareciam tão infelizes quanto na casa Galiard... E nem tão afastada de sua família.

Esta garota elfa, Vanamari, era ainda diferente de tudo isso! Era de sua raça e parecia ter uma família feliz... E parecia ainda ser uma boa pessoa, pois sua vontade de ajudar parecia grande o bastante para permitir que ele, um estranho da cidade, conhecesse os seus parentes. Tudo é muito novo e confuso na mente de Dorian.

- Certo. Vamos procurar seu amigo então! Eu acho que sei onde eles podem estar. Venha comigo!.

Dorian tenta um protesto verbal, mas o sorriso da elfa o desarmou e assim se deixou levar. Por um lado, não esperava que ela realmente levasse à sério suas palavras... Mais uma promessa que fazia para alguém... E mais uma incerteza de poder cumpri-la... Dorian tinha medo de não cumprir as promessas... Sempre diziam que as consequências de não cumprir as promessas eram graves. Faria o possível para cumprir todas, embora não soubesse como.

- Veja! Tem gente ali!

Primeiro, Dorian olhava e sorria por finalmente encontrar o amigo e sua futura noiva. Sussurrava de volta para Vanamari

- Eu vi... São eles mesmos! Mas o que... que... O QUÊ?

O jovem elfo tinha os olhos arregalados em surpresa e as mãos à boca para que suas últimas palavras fossem abafadas. Já tinha visto humanos adultos fazendo algo parecido, mas eles... Nunca imaginaria tal coisa do amigo... Mas agora via ao vivo e não sabia o que dizer, embora seus pensamentos fossem longe...

“Será que isso significa que se amam mesmo? Nunca vi crianças fazerem isso... Nossa, a menina ali parece a Kate... Kate... Será que ela faz isso também? E se fosse com... NÃO! PARE DE PENSAR BOBAGENS! Ela é uma dama e você não é nada além de um empregado... Mas o que diabos estou pensando???”

Dorian mexia a cabeça em negação silenciosa, ainda mais rubro que antes. Deu-se conta da elfa ao seu lado e parou de imediato, embora ela estivesse mais focada em observar os dois com grande curiosidade. O jovem elfo também estava curioso... Quando será que faria algo assim? E com quem faria?

Olhou novamente para Vanamari e rápidos pensamentos vieram à tona... E novamente negação com a cabeça! Dorian achava que estava perdendo a razão e tinha que acabar com aquilo... E precisava mesmo falar com Adrian. Cochichava em élfico para a menina:

- Ei... Vanamari... Grato pela ajuda. Desculpe interromper sua... er... observação, mas precisamos ser rápidos.

Dorian avançou alguns passos decididos e a meio caminho da “casa” dos futuros noivos e falou em bom tom pandoriano:

- Oe, oe, oe... OE! Desculpa interromper, mas podem parar com... isso... um momento? Tenho umas coisas para dizer.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Seg 26 Set 2011, 18:43

Quando Lilian entregou-se ao beijo de Adrian, compartilhando de sua ansiedade por mais contato, o jovem sentiu um intenso calor aumentar em seu corpo, o que o fez apertar a jovem, enquanto movia seus braços nas costas dela, mudando os pontos de pressão sobre ela para mudar os pontos que a sentiria pressionando seu peito, e foi sem perceber que começou a apertar a parte mais inferior das costas de Lilian contra ele, forçando sua cintura, quente, contra a cintura dela. Mas, neste momento, o incômodo de suas roupas contra sua excitação o fizeram abrir os olhos, surpreso com as consequências do intenso carinho que aproveitava e com o caminho final que estes carinhos estavam levando-o sem pensar. Parou repentinamente de mexer sua língua, enquanto olhava para Lilian como se o pudor tivesse voltado à sua alma.

Dorian escreveu:
- Eu vi... São eles mesmos! Mas o que... que... O QUÊ?

Vanamari colocou o dedo indicador erguido sobre a boca, fazendo sinal de silêncio! Dorian ia chamar a atenção dos humanos assim!

Quando Dorian olhou para Vanamari pela segunda vez, ela olhou para ele de volta, sorrindo de forma arteira, quase íntima, e apertou a mão dele mais forte nessa hora.

Dorian escreveu:- Ei... Vanamari... Grato pela ajuda. Desculpe interromper sua... er... observação, mas precisamos ser rápidos.

Vanamari franziu as sobrancelhas, contrariada, e até tentou puxar a camisa de Dorian, mas ele foi mais rápido em direção aos jovens. Ela se levantou e o seguiu a alguns passos atrás, quando ele falou alto:

Dorian escreveu:- Oe, oe, oe... OE! Desculpa interromper, mas podem parar com... isso... um momento? Tenho umas coisas para dizer.

Adrian havia acabado de parar de beijar Lilian ativamente quando ouviu a voz familiar. Ao segundo "oe", Adrian olhou assustado para fora e viu Dorian se aproximando. Assim que o viu, ele ficou imensamente envergonhado, principalmente da posição que os dois estavam, e, segurando as costas de Lilian, ele se levantou, trazendo-a rente ao peito, e a escondeu com o próprio corpo. Adrian dava as costas para Dorian, com a cabeça voltada para o lado a encarar o amigo com uma expressão que ia do constrangimento à fúria de um segundo para o outro. Então começou a largar Lilian aos poucos, olhando para ela, embaraçado, mas apenas verificando se ela estava bem, e depois se voltou para o amigo de frente, dizendo, com a voz perturbada que tentava controlar:

- Dorian?!?! Mas o que.... o que você veio fazer aqui? - e neste momento ele viu Vanamari atrás dele, acompanhada de pequeno felino branco com listras negras. Adrian olhou do felino para a elfa e depois para Dorian, com uma expressão levemente preocupada.

- O... O que houve? Aconteceu alguma coisa? - falou, ainda nervoso, mas tentando fingir que a situação não era tão constrangedora pela cena ousada em que haviam sido vistos como realmente era, embora o vermelho em sua face fosse indisfarçável.

"Dorian, um dia você me paga!" - pensava o jovem Adrian, em meio às mil coisas com que se preocupava no momento.

Olhou para Lilian por sobre o ombro, atento se ela queria continuar atrás dele ou se queria que ele a apresentasse, de acordo com a vergonha que ela estivesse demonstrando.

Vanamari apenas sorria, divertida, olhado de Adrian para a coberta Lilian, mantendo as mãos nas costas.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Ter 27 Set 2011, 02:07

*O que era antes apenas curiosidade transformara-se em uma sensação gostosa e quente, cujo calor avançava e a assustava. O beijo de Adrian continuava gostoso, mas era como se o calor estivesse começando a queimá-la e sentia até uma incômoda gota de suor escorrer pelo meio de suas costas. As mãos, que afoitas tinham deixado em desalinho o formoso casaco de Adrian, tremiam e pareciam puxar o tecido para baixo, de modo inconsciente, demonstrando seu receio quanto àqueles sentimentos, ao que estava descobrindo de si mesma e, especialmente, pelo que descobria de seu noivo. Não havia apenas silêncio e timidez dentro dele. Parecia até uma pessoa nova agora que haviam se beijado. Será que, para ele, ela também parecia alguém diferente?

Percebendo que o movimento parecia não ser notado, as mãos pequenas e femininas soltavam o tecido roto e subiam pelas costas, percebendo o contorno dos músculos em desenvolvimentos e rígidos. Apenas recolhia as mãos quando encontrava o ombro dele, os quais apertava tremulamente. Os dedos seguindo para frente e para trás. Até mesmo seu corpo se incomodava naquela posição, que a alertava para algo que não compreendia e nem sentia direito por entre tantos tecidos, mas que sabia, sem que alguém lhe dissesse, que era impróprio a uma dama, mesmo ocorrendo na companhia de seu noivo e estando os dois a sós. Por isso, mesmo com as costas guiadas para frente, lançava o quadril para traz e até movia as pernas na mesma direção do quadril. Agora entendia porque algumas pessoas escreviam poemas e músicas sobre beijos: eram perigosos demais.

Com vergonha de olhá-lo e ofegando baixinho, Lilian sentia que seu corpo inteiro pulsava e tremia no mesmo compasso que o seu coração. O que fizera? O que Adrian deveria pensar dela? Erguendo as mão, estava pronta para cobrir o próprio rosto e até pensava em sair daquele local e se esconder, fugindo dele e do que ocorrera. Quando uma voz desconhecida a alcançava. Fazendo uma careta, preparava-se para dar uma bronca na pessoa intrometida que estava ali. Mas, mostrando-se mais ágil do que ela, o que era uma surpresa para a convencida menina, tão convencida de sua agilidade e de sua intuiçao, que sempre a salvava dos irmãos, via-se novamente pressionada contra os braços quentes de Adrian e sendo protegida de algo ou alguém que falava de modo rápido e diferente.

Lilian cometia o erro de olhar para Adrian, cujo rosto vermelho, meio envergonhado e furioso, confirmava que ele também sabia que algo fora do comum e proibido ocorrera ali. Ela se encolheu em seus braços na ânsia de fugir da recriminação daqueles que os encontraram, mas, mesmo que quizesse, não poderia se mover direito ou o suficiente para ao menos ver quem os flagrara num momento como aquele. Sua curiosidade parecia vencer, ou era o receio de estar novamente próxima demais ao noivo e ao tremor que voltava a tomar o seu corpo. Começava a mover-se inquieta nos braços de Adrian, ora encolhendo-se, ora espichando-se e se curvando na tentativa de ver quem era. O olhar protetor agora a divertindo, mas também a deixando indignada, pois fizera o que fizera e sabia que gostara. Por que deveria se encolher? Era, mesmo sem parecer, orgulhosa de sua idade e do sangue nobre que corria em suas veias e esconder-se era apenas das surras da mãe e quando...*

- São meus irmãos? Eles bem que podiam me deixar em paz. Não! Devem ser os empregados da sua família porque não me lembra a voz de ninguém que trabalha aqui na mansão. Ah não! Deve ser então... Dorian? O seu amigo elfo? Ele está aqui também? Ele, ele não, ele viu... a gente? Ai não! Ele vai contar tudo. Dorian, você tem de guardar segredo, eu, nós, guarda segredo e eu prometo te mostrar os melhores esconderijos aqui.

* Preocupada com as broncas que receberia ou até com a ideia do que poderia ocorrer com os dois por causa disso, usava de seu segredo mais precioso como moeda de troca. Mas sua curiosidade e o desejo de não demonstrar que estava com vergonha a venciam e, curvando-se mais, passava por baixo de um dos braços de Adrian, deixando seu rosto próximo ao estômago dele e o cabelo loiro mais bagunçado do que nunca.

Sua boca formava um círculo perfeito ao ver que havia não um, mas dois elfos na sua frente e o animal branco mais lindo que já vira em sua vida inteirinha. Escapulindo mais um pouco, sem esperar por apresentações ou formalidades, a garota retirava a cabeça do local onde estava e dava a volta pelo corpo de Adrian.

A surpresa e encantada Lilian olhava para os dois elfos com olhos de pura admiração e sua mão abria e fechava com a vontade de tocar nas orelhas dos dois e de passar a mão no pelo branco do animal. Mas sentia que seria muito mal educado isso, como quando tentavam alisar seu cabelo ou apertavam suas bochechas.*

- Vocês são tão... diferentes... e bonitos, também. Ela também é sua amiga, Adrian? Não tinha me dito que tinha uma amiga elfa. - *Dizia isso para ele, mas seus olhos iam apenas para Dorian e para Vanamari, especialmente para a elfa, cujo olhar sorridente a atraía e também a constrangia. Sem saber o que fazer direito, apertava as mãos que sentia desconfortáveis na lateral do seu vestido. E arriscava um comprimento. - O-oi. Eu me chamo Lilian, mas minha irmã me chama só de Lily. Você, eu já sei que é o Dorian, e é o amigo do Adrian, mas, e você, como se chama? Ele é seu?

* Ajoelhava-se no chão e olhava ainda mais espantada o felino branco. Seu rosto estava um pouco menos vermelho pelo constrangimento de antes, mas percebia-se que não olhava para Adrian e a maior parte do tempo evitava olhar diretamente nos olhos dos dois elfos. Sabia que não se comportara certo, mas era esperta o suficiente pra imaginar que se continuasse agindo como se não a tivessem encontrado, esqueceriam o que viam e tudo ficaria bem de novo.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Ter 27 Set 2011, 12:47

Dorian já tinha surpreendido Adrian diversas vezes aprontando alguma coisa e sempre guardava segredo... Até porque, em boa parte destas traquinagens, ele estava junto ou era para seu benefício. Mas agora era diferente e Dorian ainda pensava porque ambos estavam tão perturbados. Mas, ao passar alguns segundos, Dorian segurava o riso com a situação do amigo à sua frente. Não achava engraçada a situação, mas a reação deles... Nunca vira Adrian tão envergonhado...

Adrian escreveu:- Dorian?!?! Mas o que.... o que você veio fazer aqui?

Dorian respondia um pouco mais sério:

- Eu que pergunto o que veio fazer aqui. Estava bem feliz descansando de carregar as malas e o chato do meu tutor me mandou vir atrás de ti. Nem te passou pela cabeça que este bosque pudesse ser perigoso, não? Se te encrenca, eu é que tenho que te salvar. E se te acontece algo, eu é que sou cast... Er... Ah, esquece!

Adrian escreveu:- O... O que houve? Aconteceu alguma coisa?

- Bem... Aconteceu, sim. Quando te procurava, encontrei eles... Não é incrível? Nunca tinha visto uma elfa de minha idade e nem um felino como este. Mas isso é só o começo... Para de bancar o cavaleiro salvando a princesa! Ninguém aqui pretende atacar a pequena milady.

Olhou para Vanamari que sorria e não conseguiu conter um leve sorriso também. Perguntava-se o que a pequena Milady ia fazer. Não precisou esperar muito...

Lilian escreveu:- São meus irmãos? Eles bem que podiam me deixar em paz. Não! Devem ser os empregados da sua família porque não me lembra a voz de ninguém que trabalha aqui na mansão. Ah não! Deve ser então... Dorian? O seu amigo elfo? Ele está aqui também? Ele, ele não, ele viu... a gente? Ai não! Ele vai contar tudo. Dorian, você tem de guardar segredo, eu, nós, guarda segredo e eu prometo te mostrar os melhores esconderijos aqui.

“Como se eu quisesse saber disso... Peraí, talvez seja útil mesmo!”

- Jovem Milady... Não se preocupe. Eu não conto para ninguém. Parte de minhas obrigações é manter os segredos bem guardados. E só para que fique registrado, eu não queria ter visto... isso... Quero dizer... Ah, vocês entenderam!

O jovem elfo viu que a menina olhava para eles impressionada e olhou desconfiado de volta. Olhou para Vanamari e percebeu que talvez aquilo fosse algo raro de se ver... Um pequeno casal de Elfos e um tigre branco.

- Vocês são tão... diferentes... e bonitos também. Ela também é sua amiga, Adrian? Não tinha me dito que tinha uma amiga elfa. - *Dizia isso para ele, mas seus olhos iam apenas para Dorian e para Vanamari, especialmente para a elfa, cujo olhar sorridente a atraía e também a constrangia. Sem saber o que fazer direito, apertava as mãos que sentia desconfortáveis na lateral do seu vestido. E arriscava um comprimento. - O-oi. Eu me chamo Lilian, mas minha irmã me chama só de Lily. Você, eu já sei que é o Dorian, e é o amigo do Adrian, mas, e você, como se chama? Ele é seu?

- Ah... Bem, sabe quem sou eu? Pois é, sou o Dorian mesmo... Esta aqui é a Vanamari. Então você é a Lilian... Sua irmã por acaso é Lady Kate Mairwen? Vocês são parecidas...

Dorian olha para Lilian por algum tempo e depois como se lembrasse de algo importante, muda de assunto:

- Ah é... Tenho um monte de coisas para contar e pouco tempo. Tem algum bom esconderijo, lady Lilian? O que tenho para contar também é um segredo...como o que estavam fazendo... antes... sabe?... Enfim, preciso de tempo e acho que logo aquele chato das sombras do meu tutor pode aparecer. Então? Alguém tem alguma idéia?

Dorian olhava para todos, com uma expressão de alguém que vai aprontar e estava com pressa para fazê-lo.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Ter 27 Set 2011, 18:21

Lilian escreveu:- São meus irmãos? Eles bem que podiam me deixar em paz. Não! Devem ser os empregados da sua família porque não me lembra a voz de ninguém que trabalha aqui na mansão. Ah não! Deve ser então... Dorian? O seu amigo elfo? Ele está aqui também? Ele, ele não, ele viu... a gente? Ai não! Ele vai contar tudo. Dorian, você tem de guardar segredo, eu, nós, guarda segredo e eu prometo te mostrar os melhores esconderijos aqui.

Quando Lilian enfiou a cabeça por debaixo de seu braço, Adrian a olhoul com olhos levemente arregalados. Ele não esperava essa desenvoltura dela, mas Lilian parecia ser muito mais do que ele algum segundo tenha imaginado, assim como se provou ser mais nos recentes minutos passados juntos. Mas então voltou a encarar Dorian, ainda com uma expressão desconfortável no rosto que parecia dizer ao amigo elfo: "Deixe-nos em paz!". Mas então ele disse:

Dorian escreveu:- Eu que pergunto o que veio fazer aqui. Estava bem feliz descansando de carregar as malas e o chato do meu tutor me mandou vir atrás de ti. Nem te passou pela cabeça que este bosque pudesse ser perigoso, não? Se te encrenca, eu é que tenho que te salvar. E se te acontece algo, eu é que sou cast... Er... Ah, esquece!

- Bem... Aconteceu, sim. Quando te procurava, encontrei eles... Não é incrível? Nunca tinha visto uma elfa de minha idade e nem um felino como este. Mas isso é só o começo... Para de bancar o cavaleiro salvando a princesa! Ninguém aqui pretende atacar a pequena milady.

Adrian enfureceu-se! Arregalou os olhos, cerrando os dentes, antes de falar em tom levemente alterado:

- A culpa não é minha! Aquele sombrio obedece apenas ao meu pai. E Lilian disse que o bosque não era perigoso. E nunca pedi para ser salvo! A gente já falou sobre isso antes! Eu quero que seja meu amigo, não meu guardião! E se quiserem fazer qualquer coisa com você por minha causa, eu vou brigar com eles também!

Dorian escreveu:- Jovem Milady... Não se preocupe. Eu não conto para ninguém. Parte de minhas obrigações é manter os segredos bem guardados. E só para que fique registrado, eu não queria ter visto... isso... Quero dizer... Ah, vocês entenderam!

Adrian cerrou os punhos ao lado do corpo. Sua paciência curta estava acabando. Será que Dorian não podia simplesmente parar de falar naquilo? Não percebia como aquilo era constrangedor e fazia Adrian sentir vontade de surrá-lo de volta para a mansão por sua "intromissão"?

- Dorian! - falou, em repreensão.

Lilian escreveu:- Vocês são tão... diferentes... e bonitos, também. Ela também é sua amiga, Adrian? Não tinha me dito que tinha uma amiga elfa. - *Dizia isso para ele, mas seus olhos iam apenas para Dorian e para Vanamari, especialmente para a elfa, cujo olhar sorridente a atraía e também a constrangia. Sem saber o que fazer direito, apertava as mãos que sentia desconfortáveis na lateral do seu vestido. E arriscava um cumprimento. - O-oi. Eu me chamo Lilian, mas minha irmã me chama só de Lily. Você, eu já sei que é o Dorian, e é o amigo do Adrian, mas, e você, como se chama? Ele é seu?

Dorian escreveu:- Ah... Bem, sabe quem sou eu? Pois é, sou o Dorian mesmo... Esta aqui é a Vanamari. Então você é a Lilian... Sua irmã por acaso é Lady Kate Mairwen? Vocês são parecidas...

Adrian apenas acenou negativamente a cabeça, informando que ela não era sua amiga. Ela era uma bela jovem elfa, com certeza, mas Adrian logo desviou seu olhar para encarar Dorian novamente, esperando explicações.

A apresentação repentina feita por Dorian pegou Vanamari surpresa, entretida que estava em sorrir do constrangimento dos dois jovens humanos, mas, ao ouvir seu nome, ela olhou imediatamente para Dorian e se curvou de forma solene e séria ao dois jovens humanos, erguendo-se em seguida e dizendo:

- Eu me chamo Vanamari Seregon. - e, olhando para seu amigo felino, respondeu. - Não, Vadra não é meu. Ele não é de ninguém e de todos ao mesmo tempo. Ele é meu amigo. - e voltou a olhar para Lilian, sorrindo amigavelmente.

- A... Adrian Galiard, muito prazer. - disse o jovem, levemente desconfortável com a repentina apresentação perante os últimos eventos.

Dorian escreveu:- Ah é... Tenho um monte de coisas para contar e pouco tempo. Tem algum bom esconderijo, lady Lilian? O que tenho para contar também é um segredo...como o que estavam fazendo... antes... sabe?... Enfim, preciso de tempo e acho que logo aquele chato das sombras do meu tutor pode aparecer. Então? Alguém tem alguma idéia?

Quando Adrian estava começando a se acalmar, lá vinha mais uma de Dorian mencionando a cena que viu. Adrian cerrou novamente os olhos para o jovem elfo e, se isso se repetisse, ele estava disposto a extravasar sua frustração sobre o amigo imediatamente. Ele mal conseguiu entender o sentido do segredo a contar ou que aquilo era um assunto sério que iria ser falado.

Por enquanto, ficou parado, esperando a reação de Lilian ao pedido.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Ter 27 Set 2011, 22:46

- A culpa não é minha! Aquele sombrio obedece apenas ao meu pai. E Lilian disse que o bosque não era perigoso. E nunca pedi para ser salvo! A gente já falou sobre isso antes! Eu quero que seja meu amigo, não meu guardião! E se quiserem fazer qualquer coisa com você por minha causa, eu vou brigar com eles também!

Dorian respirou profundamente mas nada disse na hora... Esperou as coisas parecerem mais calmas antes de responder as palavras que ficaram em sua mente:

- Adrian... Eu sei que o chato das sombras só obedece o velho Tom... Sei que ja falamos sobre isso e que somos amigos... Sei que você brigaria com eles por mim... Mas ainda assim sou eu que recebo todos os castigos... Que doem...

... Adrian cerrou novamente os olhos para o jovem elfo e, se isso se repetisse, ele estava disposto a extravasar sua frustração sobre o amigo imediatamente.

Dorian agora também cerra os olhos e também parecia frustrado.

- Não me olha com essa cara! Quem não tem culpa disso tudo sou eu! Eu to cansado de fazer só o que os outros querem! Só queria te encontrar para dizer isso... To indo embora! Vou para um lugar onde não tenha que obedecer seu Pai ou qualquer um dos capangas dele... E se fosse você, pegava sua futura noiva e faria exatamente o mesmo!

Dorian chorava de frustração e raiva, olhando Diretamente para Adrian pelo que parecia ser longos e dolorosos segundos antes de desviar bruscamente o olhar dele para Vanamari:

- Era só isso... Pode me levar agora?

Nem esperando resposta, Dorian pretende caminhar de volta pelo caminho que veio sem mais palavra.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qui 29 Set 2011, 01:39

*Os olhos de Lilian iam de um garoto ao outro, procurando entender qual era o problema dos dois. Quem era aquele sombrio que os dois falavam? Se eram amigos, como podiam brigar daquele jeito? Mas começava a achar que era bobeira de meninos, pois os dois falavam de gostar muito um do outro, de se preocuparem e de proteção. No entanto, pareciam que trocariam tapas em alguns minutos.

Até tentava abrir os lábios para responder a pergunta que Dorian lhe fazia e tentava falar algo para que Adrian percebesse que estava sendo um bobão com seu amigo. Mas estavam tão entretidos entre si que ela apenas se virou de costas e os ignorou, deixando que eles resolvessem esses problemas. Depois, apresentar-se-ia a Dorian e mostraria a ele os seus esconderijos favoritos.

De forma que, sem sentir-se constrangida e até se achando muito esperta, usava da mesma tática que dedicava aos seus irmãos quando começavam suas discuções: concentrava-se no que era importante para ela, como conhecer melhor aquela menina risonha e estranhamente formal e, quem sabe, colocar a mão naquele felino lindo.*

- Você é engraçada. Não sou importante, não, só meus pais que são. Acho uma bobeira essa coisa de fazer reverência. Vocês, elfos, gostam de brincar de quê? Eu aprendo bem rápido e, como falei pro Dorian, sei de ótimos esconderijos. Podíamos passar esse tempo junto, nós quatro. O que você acha, Vanamari?

*A mão de Lilian estava quase tocando o focinho úmido do felino, quando percebia que a briga aparentemente acabara e que, o pior, era uma despedida. Olhando de um para o outro, mas especialmente mais severa para Adrian, cruzava os braços como vira Kate fazer tantas vezes. Amizades não terminavam assim. Mesmo seus irmãos dizendo que era diferente entre homens, Lilian não acreditava e só via dois bobões.*

- Que conversa boba é essa de despedida? Adrian, você não tinha dito que ele era seu amigo? Você não vai pedir desculpas e pedir que ele não va? E Vanamari... você vai levar ele embora? Por quê? É pra treinar ou algo assim?

*Suas mãos abaixavam-se e apertava de novo o vestido, fazendo um biquinho. Como revelava a vida privilegiada que possuía, Liliam praticamente marchava para fora da sua casa de folhas e segurava a mão de Dorian com as suas duas mãos, as quais estavam levemente suadas e possuíam algumas manchas marrons de terra.*

- Eu, eu não falei ainda dos meus esconderijos e nem você dos segredos. Se você for embora, estará quebrando a sua palavra, e eu nunca vou te perdoar.* Com sua irmã e até com alguns amigos isso funcionava, mas tão acostumada estava com isso que fazia a mesma declaração para Dorian, que sequer a conhecia. Como se apenas depois de falar percebesse que era tolice, deixava sua mão escorregar soltando a dele. - Eu sei que não dá pra impedir quando um homem tem de viajar. Já me falaram que o destino de vocês é diferente do nosso. que é só ficar em casa. Mas se vai, não quer ficar de bem com o Adrian? Amigos que se separam assim podem virar mágoas, doenças e até trazer a morte a vida do outro. Por isso sempre tem de se tratar bem os amigos.

*Sabia que tinha confundido tudo, mas sabia também que tinha dito algo esperto no meio disso e, prendendo a respiração, com uma expressão assustada, esperava pela resposta de Dorian.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qui 29 Set 2011, 18:06

Dorian escreveu:- Adrian... Eu sei que o chato das sombras só obedece o velho Tom... Sei que ja falamos sobre isso e que somos amigos... Sei que você brigaria com eles por mim... Mas ainda assim sou eu que recebo todos os castigos... Que doem...

Adrian cerrou os punhos, olhando para baixo diante destas verdades. Sim, os castigos sempre estavam além de seu alcance para serem detidos. Revoltou-se contra sua impotência neste momento e não disse mais nada.

Lilian escreveu:- Você é engraçada. Não sou importante, não, só meus pais que são. Acho uma bobeira essa coisa de fazer reverência. Vocês, elfos, gostam de brincar de quê? Eu aprendo bem rápido e, como falei pro Dorian, sei de ótimos esconderijos. Podíamos passar esse tempo junto, nós quatro. O que você acha, Vanamari?

- Bobeira? - repetiu Vanamari, um tanto surpresa.

Então ela fez uma expressão de penalizada, colocando a mão direita sobre o rosto, enquanto movia negativamente a cabeça e pensava:

"Humanos! O que mais eu podia esperar? Tio Elgarin tem razão: humanos não sabem ser graciosos."

Abrindo os olhos para Lilian novamente, ela disse, com expressão de quem ensinava uma lição:

- Os mais antigos nos ensinam que todas as formas de vida merecem nossa reverência. Eu preciso reverenciar a todos que encontro, senão vão chamar minha atenção. Todos esperam muito de uma Dama da Primavera em treinamento. - mas retomando seu sorriso entusiasmado, continuou. - Nós brincamos de esconde-esconde, arco e flecha, espada, caçar insetos, cabra-cega, pular corda... nossa! Eu adoro tudo isso, menos os truques mágicos. Eu não entendo nada daqueles livros. É muito chato. Mas eu também quero brincar com vocês! Mas... acho que não vai dar hoje...

Dorian escreveu:Dorian agora também cerra os olhos e também parecia frustrado:

- Não me olha com essa cara! Quem não tem culpa disso tudo sou eu! Eu to cansado de fazer só o que os outros querem! Só queria te encontrar para dizer isso... To indo embora! Vou para um lugar onde não tenha que obedecer seu Pai ou qualquer um dos capangas dele... E se fosse você, pegava sua futura noiva e faria exatamente o mesmo!

Lilian escreveu:- Que conversa boba é essa de despedida? Adrian, você não tinha dito que ele era seu amigo? Você não vai pedir desculpas e pedir que ele não va? E Vanamari... você vai levar ele embora? Por quê? É pra treinar ou algo assim?

Vanamari estava olhando para Dorian mas se virou para Lilian e respondeu, um pouco surpresa por aquelas palavras ditas por ele:

- Eu... Eu não quero levar o Dorian embora. Eu quero apenas apresentar ele pros meus amigos... mas se ele quiser ficar com a gente... eu acho que vamos precisar falar isso com meus pais.

Adrian pensava, atordoado:

"Pedir desculpas? A culpa é minha? Não! Tem algo errado aqui!"

E logo se recuperou um pouco, falando:

- Indo... embora? - Adrian ficou chocado com a frase! -- Como assim, indo embora? Pra onde? Com ela? Você... você tem certeza disso? Eu sei.. eu sei que deve ser bom ficar longe do meu pai... - e neste momento Vanamari olhou curiosa para Adrian, afinal, como podia um filho falar uma coisa dessas? - ... mas tem certeza de que vai ficar bem? E o que Lilian tem a ver com isso? Do que você está falando?

Lilian escreveu:- Eu sei que não dá pra impedir quando um homem tem de viajar. Já me falaram que o destino de vocês é diferente do nosso. que é só ficar em casa. Mas se vai, não quer ficar de bem com o Adrian? Amigos que se separam assim podem virar mágoas, doenças e até trazer a morte a vida do outro. Por isso sempre tem de se tratar bem os amigos.

Adrian olhou com surpresa admiração para Lilian. Sim, ele concordava que ela tinha razão. Ele não ia se despedir de Dorian daquela forma. Dorian foi seu primeiro e único amigo até hoje. Sentia vontade de dizer pra ele ficar ao seu lado, mas sabia muito bem o quanto isso custaria ao amigo. Aguardou as respostas de Dorian antes de se despedir direito dele, encarando-o com a expressão de quem concordava com sua fuga em nome da liberdade.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Sex 30 Set 2011, 13:54

Dorian parou no meio do caminho e olhava para o mato, vislumbrando todos os seus medos pessoais. Ouviu as sabias palavras de Vanamari, o que o obrigou a olhar por cima do ombro enquanto falava... Esta seria a diferença de educação entre os elfos e os humanos? Estava cada vez mais convencido de ir conhecer a família da menina élfica.

Ainda ouvia as palavras de Adrian, mas não olhava para ele. Ele entendia muito bem o que se passava na família Galiard... E era isso que pesava tanto na balança da escolha. Quando ele perguntou sobre o envolvimento de Lilian nesta história, Dorian ia começar a falar sobre tudo que ouviu de Tom Galiard, quando...

Lilian praticamente marchava para fora da sua casa de folhas e segurava a mão de Dorian com as suas duas mãos, as quais estavam levemente suadas e possuíam algumas manchas marrons de terra.*

- Eu, eu não falei ainda dos meus esconderijos e nem você dos segredos. Se você for embora, estará quebrando a sua palavra, e eu nunca vou te perdoar. Eu sei que não dá pra impedir quando um homem tem de viajar. Já me falaram que o destino de vocês é diferente do nosso. que é só ficar em casa. Mas se vai, não quer ficar de bem com o Adrian? Amigos que se separam assim podem virar mágoas, doenças e até trazer a morte a vida do outro. Por isso sempre tem de se tratar bem os amigos.

O jovem elfo agora ficava surpreso também. O que estava acontecendo com as damas e meninas destas terras? Kate, Vanamari e agora Lilian... Por que todas pareciam sempre ter razão? Por que nenhuma delas parece com as mulheres que viu até hoje? Não deixou de olhar para as mãos dela por um momento e depois para os seus olhos. Quando ela terminou, Dorian sorriu levemente e olhou para Adrian antes de dizer:

- Ei Adrian... Não é vergonhoso ver que elas parecem mais espertas do que nós dois juntos? Sem mencionar o conhecimento da jovem milady sobre o que um homem deve fazer...

Olha de novo para Lilian:

- Vejo que a bondade pode ser coisa de família... Conversei um pouco com Lady Kate antes de estar aqui e bastou alguns minutos para eu gostar dela. Deve ser mesmo sua parenta próxima... É notável a semelhança.

Dorian se aproxima de Adrian e pede para Lilian se aproximar também. Não se importava que Vanamari ouvisse. Falava em tom baixo e claro de voz:

- Adrian... Meu amigo... Eu falei muita besteira agora a pouco. Quero dizer, não digo que foi besteira, mas falei do jeito errado. O que eu tenho a dizer tem a ver não comigo... Mas com vocês dois...

Era visível o incômodo de Dorian... Ele se debatia internamente, pensando muitas coisas ao mesmo tempo... Não sabia até onde deveria dizer e o que aconteceria se contasse... Perderia o amigo? Ganharia a inimizade de Lilian? Mas se não contasse, o plano do velho tom acabaria acontecendo?

Isso não aconteceria se dependesse de Dorian:

- O velho Tom... O teu pai... É um homem mal. Talvez tu já tenhas percebido isso, mas eu ouvi coisas... Coisas que não deveria ter ouvido... Coisas que se ele descobrisse que sei.... Tenho medo de pensar no que ele faria comigo.

Dorian suspira profundamente antes de continuar:

- Ele planejou tudo... O seu casamento com ela, A sua vontade de se tornar um cavaleiro sagrado... E como ganhar com tudo isso. Eu não sei sobre seus pais Jovem Milady, mas o velho Tom não pensa na felicidade de vocês. Não importa se tu gostasses dela ou não, o casamento de vocês serve para unir as duas famílias para objetivos mesquinhos dele... Mas o pior não foi isso...

Dorian olhava para baixo... Não tinha coragem de olhar para eles... Não conseguiria dizer tudo... Seria cruel demais não seria?

- Adrian... Não siga o plano dele... Não deixe que ele faça o que quiser com a sua vida. Ele espera que você... Não... Ele não espera nada de ti, então mostre o contrário... Torne-se o cavaleiro sagrado que deseja e mostre o quanto ele estará errado a teu respeito. Lady Lilian... Acho que está errada quanto ao destino das mulheres... Se isso vai contra a sua vontade, não precisa ficar só em casa... Seja o que quiser... Só continue sendo boa e gentil... Assim como Lady Kate... E cuide do Adrian se casarem... Pelo menos até eu voltar, ta?

Passado o momento vergonha e com o rosto ligeiramente corado, Dorian olha para Vanamari:

- Sim, quero muito conhecer os seus pais e amigos... Mas não se preocupe se eles não aceitarem que eu fique... De qualquer maneira, sinto que se partir agora não tem volta... Vou para outro lugar e sobreviver como puder...

Olha para Adrian e depois para Mirian:

- Uma aventura de verdade, não é Adrian? Eu só estarei indo na frente, afinal sou o mais velho... Mas eu prometo que volto para busca-lo e ver você como um Guerreiro sagrado! Não ficarei atrás e serei tão forte quanto você! Lady Lilian... Pode me fazer um favor? Diga para Lady Kate que agradeço a ajuda e que volto um dia para ela me contar o que descobriu sobre minha família... Pode contar com isso!

Dorian estende a mão fechada para eles e em seguida mostra o dedo mínimo.

- É uma promessa! Promessa de mindinho!
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Dom 02 Out 2011, 07:12

*Lilian não precisava pensar muito para responder a pergunta inicial de Dorian. Dando de ombros, como se fosse muito claro para ela, respondia-o com voz límpida e até desanimada, como se tudo fosse muito óbvio e apenas pessoas do sexo oposto não pudessem compreender.*

- É claro que somos. Nós pensamos antes de falar e não saímos por aí fazendo abobrinhas, por isso somos as dona do lar. Vocês são irresponsáveis demais... ao menos é o que minha antiga babá me contava quando eu fazia coisas assim... *Ria um pouco, animada por ver que Dorian conhecia a pessoa que mais gostava nesse mundo.*- Kate é minha irmã mais velha e é a melhor irmã de todo o mundo, seu abraço é o mais gostoso e um dia eu vou ser tão bonita quanto ela. A minha mana é perfeita, mas nem todo mundo é assim, a minha mãe é uma chata e você nem ia gostar de mim se tivesse falado com ela primeiro.

*Tagarelava de modo despreocupado, mas o clima tenso e as implicações da viagem de Dorian e até a presença de Vanamari a faziam cruzar os braços, pensativa com isso, e procurar compreender esse dia maluco que estava tendo. Achara que apenas conheceria o noivo hoje, mas outras coisas tinham acontecido e agora? Como fazia? Pra quem contava? Deveria proteger Adrian e impedir que seu amigo fosse embora ou então ir à cozinha e pegar comida pra Dorian levar?

O mundo estava girando mais rápido naquele dia. Lilian não sentia mais a segurança de ontem e o amanhã estava ficando oculto por uma sombra assustadora que não compreendia direito. Seu desejo era se proteger e isso significava correr para perto de Kate, pois ela teria bons conselhos e diria o que poderia fazer, mas, buscando todas as forças que possuía, aquelas que pareciam um tanto abaladas pelo que ela e Adrian tinham compartilhado e que os dois elfos agora sabiam, a garota timidamente abraçava-se e escutava atenta a Dorian.

Seu coração já era tristeza pela partida dele, pois nem mesmo haviam brincado. E estava com uma sensação de aperto angustioso pelo que isso significaria para a vida de Adrian, afinal, perdia um amigo especial e achava que isso deveria doer muito. E, descruzando os braços, estendia-o, um segurava a mão de Adrian, enquanto pensava em segurar a de Dorian ou a de Vanamari, mas pareciam distantes demais, como se não pudesse alcançá-las. Soltava suspiros e gemidos, enquanto ouvia o discurso de Dorian, como se tudo fosse complicado demais para ela entender. E odiava isso, odiava se sentir burra. Mas a sensação de que algo maior estava sendo dito ali a fazia esquecer qualquer raiva.

Especialmente quando falavam de Tom Galliard e da maldade dele. Não acreditava que um herói pudesse ser mal, mas percebera algo estranho em Adrian quando perguntara se já o vira atirar em alguém e não fora orgulho, fora uma cara estranha parecida com a que Dorian fazia agora. E os castigos, quem aplicava os castigos em Dorian? Seria Tom ou o homem das sombras? Mas isso importava? Quando sentia uma mão negra roubar uma luz que acreditara ter encontrado ao descobrir que podia gostar de Adrian, apenas conseguia se concentrar no que havia de benéfico para Tom Galliard com o casamento dela com o filho mais novo dele. Mesmo sabendo sua vida inteira que casamentos arranjados eram comuns, começava a temer o significado do próprio casamento, e de canto de olho tentava ver se Adrian conhecia esse plano ou se estava tão assustado quanto ela.

No entanto, haviam coisas que não haviam sido ditas e era curiosa demais para não tentar descobri-las. Por isso, aproveitando que Dorian estendia a mão para que fizessem a promessa, segurava-o e o puxava para mais perto de si e perguntava séria e pálida:*

- Você não explicou como. Eu sei que estou sendo negociada pra que ambas famílias ganhem algo, mas por que Tom planejou esse casamento? Sei que coisas ruins podem acontecer se você falar, mas é a minha vida e eu não posso mentir e dizer que não fiquei preocupada. Mas se você não pode falar de mim, pode falar de minha família? Eles ficarão bem? Mamãe, papai, Kate, Bryan e o outro chato do meu irmão? E, se você for embora, como vamos saber que está mesmo bem? Como espera que eu cumpra essa promessa, de casar e cuidar de Adrian, se não sei se você estará bem ou seguro? É uma promessa injusta e eu não sou Lady, sou apenas Lily, não sou elfa como a Vanamari e não entendo isso tudo de reverências e o que é uma madrinha do verão. E torna tudo pior se você trata os outros como diferentes! Nós só temos uma diferença na orelha, se esconder com o cabelo ninguém nota, aliás. Você já tentou? E eu dou o recado pra minha mana sim...

*Sabia que as diferenças entre humanos e elfos era muito maior do que isso, mas com uma birra bem conhecida daqueles que conviviam com a infante, colocava seu ponto de vista de modo meio autoritário, como se não acreditasse ou temesse respostas que receberia. Mas não podia evitar a sensação de isolamento e de frio que sentia cada vez que era chamada de Lady Lilian, como se algo assustador pudesse ocorrer a qualquer momento. Tomando coragem olhava para Adrian e perguntava para ele também:*

- Você vai partir em breve, né? Pra ser cavaleiro...
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 05 Out 2011, 20:02

Dorian escreveu:
- Ei Adrian... Não é vergonhoso ver que elas parecem mais espertas do que nós dois juntos? Sem mencionar o conhecimento da jovem milady sobre o que um homem deve fazer...

Adrian sorriu e acenou positivamente a cabeça. Ele pensava o mesmo.

Dorian escreveu:- Adrian... Meu amigo... Eu falei muita besteira agora a pouco. Quero dizer, não digo que foi besteira, mas falei do jeito errado. O que eu tenho a dizer tem a ver não comigo... Mas com vocês dois...

- O velho Tom... O teu pai... É um homem mal. Talvez tu já tenhas percebido isso, mas eu ouvi coisas... Coisas que não deveria ter ouvido... Coisas que se ele descobrisse que sei.... Tenho medo de pensar no que ele faria comigo.

- Ele planejou tudo... O seu casamento com ela, A sua vontade de se tornar um cavaleiro sagrado... E como ganhar com tudo isso. Eu não sei sobre seus pais Jovem Milady, mas o velho Tom não pensa na felicidade de vocês. Não importa se tu gostasses dela ou não, o casamento de vocês serve para unir as duas famílias para objetivos mesquinhos dele... Mas o pior não foi isso...

- Adrian... Não siga o plano dele... Não deixe que ele faça o que quiser com a sua vida. Ele espera que você... Não... Ele não espera nada de ti, então mostre o contrário... Torne-se o cavaleiro sagrado que deseja e mostre o quanto ele estará errado a teu respeito. Lady Lilian... Acho que está errada quanto ao destino das mulheres... Se isso vai contra a sua vontade, não precisa ficar só em casa... Seja o que quiser... Só continue sendo boa e gentil... Assim como Lady Kate... E cuide do Adrian se casarem... Pelo menos até eu voltar, ta?

Adrian arregalou levemente os olhos: não esperava que Dorian se desculpasse tão rápido. E as palavras seguintes foram ouvidas com muita consideração e respeito. Adrian olhou para baixo, envergonhado, quando Dorian contou sobre os planos mesquinhos de seu pai, mas ergueu a cabeça diante da menção de se tornar um cavaleiro sagrado:

- Como...? Cavaleiro sagrado? Como assim? Que história é essa? Eu nunca disse que queria me tornar um cavaleiro sagrado! O que você quer dizer com... - e parou, ele mesmo respondendo à sua pergunta, olhando para o chão, como se o mundo a seus pés tivesse desabado.

Então era isso: seu pai ia arranjar um casamento por interesse com ele e depois enviá-lo a alguma ordem de paladinos para ganhar mais glamour ainda, conforme a tradição Ledulciana que concede honra à uma família que tenha um membro da família como paladino, a serviço do bem e do povo. Uma coisa, um instrumento. Era isso que ele era para o pai dele. Cerrou o punho direito com imensa raiva, contraindo os lábios enquanto cerrava os olhos. Mesmo depois de suportar tudo o que suportou até hoje, em nome de sua mãe que tanto o ama, mesmo depois de não reclamar do casamento arranjado, mesmo depois de se submeter servilmente aos desejos do pai, mesmo assim, nada disso foi suficiente para ele ser amado ou simplesmente reconhecido e respeitado. Não. Adrian não era um filho. Era uma coisa.

Lilian escreveu:- Você não explicou como. Eu sei que estou sendo negociada pra que ambas famílias ganhem algo, mas por que Tom planejou esse casamento? Sei que coisas ruins podem acontecer se você falar, mas é a minha vida e eu não posso mentir e dizer que não fiquei preocupada. Mas se você não pode falar de mim, pode falar de minha família? Eles ficarão bem? Mamãe, papai, Kate, Bryan e o outro chato do meu irmão? E, se você for embora, como vamos saber que está mesmo bem? Como espera que eu cumpra essa promessa, de casar e cuidar de Adrian, se não sei se você estará bem ou seguro? É uma promessa injusta e eu não sou Lady, sou apenas Lily, não sou elfa como a Vanamari e não entendo isso tudo de reverências e o que é uma madrinha do verão. E torna tudo pior se você trata os outros como diferentes! Nós só temos uma diferença na orelha, se esconder com o cabelo ninguém nota, aliás. Você já tentou? E eu dou o recado pra minha mana sim...

Vanamari arregalou os olhos, surpresa pela demonstração expansiva da frustração da jovem humana. Ela poucas vezes tinha visto isso antes e ficou levemente intimidada, mas, ao ouvir "madrinha do verão", ela riu levemente, colocando a mão à frente da boca. Os humanos pareciam capazes de serem bastante interessantes de se observar.

Enquanto Adrian reprimia sua revolta, ele ouvia distante a bela Lilian, tragada para esta trama de interesses por culpa de seu pai. Lilian falava com Dorian, mas Adrian sentiu uma responsabilidade tão grande pelos erros do pai que resolveu ele mesmo responder, olhos levemente abertos, olhando para o chão:

- Meu pai... Ele planejou o casamento para ganhar mais influência no reino. Eu... Eu sinto muito.

Lilian escreveu:- Você vai partir em breve, né? Pra ser cavaleiro...

Adrian encarou Lilian, confuso com a pergunta. Ele não sabia nada disso a segundos atrás, mas deveria ser verdade. Olhou para baixo novamente e respondeu:

- Parece... parece que eu vou... mas pode ter certeza de que eu vou voltar. - e ergueu o rosto determinado, olhando para Lilian. - Pode ter certeza de que vou voltar! De qualquer jeito!

Dorian escreveu:- Sim, quero muito conhecer os seus pais e amigos... Mas não se preocupe se eles não aceitarem que eu fique... De qualquer maneira, sinto que se partir agora não tem volta... Vou para outro lugar e sobreviver como puder...

Vanamari pareceu preocupada com a ideia de Dorian se virar sozinho. Seus olhos moveram-se de um lado para o outro enquanto ela pensava em como poderia resolver aquela situação, mas desistiu. Ela sozinha não poderia fazer nada. Restava-lhe apenas apresentar Dorian a seus pais e ao Conselho das Estações para pedir que ele fosse aceito entre eles... mas um elfo criado por humanos? Isso não seria nada fácil. Ela podia sentir isso no fundo da alma e compadeceu-se de Dorian, sem lar para voltar:

- Não! Vamos pensar em algo! Vamos falar direito com meus pais. Se explicarmos bem, tenho certeza de que vão querer ajudar! Nós vamos achar um lugar pra você, Dorian! Pode contar comigo! - e segurou a mão do jovem elfo, tentando lhe passar um pouco de sua fé e esperança em um futuro mais iluminado do que o que parecia estar prevendo.

Dorian escreveu:- Uma aventura de verdade, não é Adrian? Eu só estarei indo na frente, afinal sou o mais velho... Mas eu prometo que volto para busca-lo e ver você como um Guerreiro sagrado! Não ficarei atrás e serei tão forte quanto você! Lady Lilian... Pode me fazer um favor? Diga para Lady Kate que agradeço a ajuda e que volto um dia para ela me contar o que descobriu sobre minha família... Pode contar com isso!

Adrian voltou seu olhar para o amigo. A ideia de se tornar um cavaleiro sagrado ainda era chocante demais, mas perante o ânimo de Dorian, Adrian se viu impelido a sorrir, tentando demonstrar alguma confiança, que ele não tinha, e respondeu:

- Sim... Vamos nos encontrar de novo, sim, e, da próxima vez, nós nos encontraremos livres de verdade. Você vai lutar pela sua liberdade agora e eu irei logo depois. Mas seremos amigos para sempre, não importa o que aconteça. - e deu um passo em direção a Dorian, erguendo a mão espalmada, para darem o último aperto de mãos antes de se separarem por muito tempo.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Qua 05 Out 2011, 23:18

- É claro que somos. Nós pensamos antes de falar e não saímos por aí fazendo abobrinhas, por isso somos as dona do lar. Vocês são irresponsáveis demais... ao menos é o que minha antiga babá me contava quando eu fazia coisas assim...

*Ria um pouco, animada por ver que Dorian conhecia a pessoa que mais gostava nesse mundo.*

- Kate é minha irmã mais velha e é a melhor irmã de todo o mundo, seu abraço é o mais gostoso e um dia eu vou ser tão bonita quanto ela. A minha mana é perfeita, mas nem todo mundo é assim, a minha mãe é uma chata e você nem ia gostar de mim se tivesse falado com ela primeiro.

É bem verdade que para Dorian as mulheres sempre pareceram mais sábias que os homens, embora o domínio de certas coisas ainda fosse masculino... Como a arte de esgrimir... Arte que interessa muito a Dorian no momento.

Ao mencionar Kate e o seu abraço, Dorian novamente fica com o rosto levemente rubro. Imaginou rapidamente a cena com ele mesmo e logo parou, pois podiam notar que pensava de forma diferente nela.

- Sua irmã... Então tudo se justifica. Acredito que será tão bela quanto ela, sim... Mas, sua mãe, não cheguei a conhecer direito... Não creio que devesse falar de sua mãe assim... Pelo menos, tu tens uma e sabe onde ela está...

Dorian percebe que estava se lamentando de novo e parou, já emendando o assunto pelo qual veio falar com os dois. Estendeu a mão para a promessa e surpreendeu-se com o a reação de Lilian.

- Você não explicou como. Eu sei que estou sendo negociada pra que ambas famílias ganhem algo, mas por que Tom planejou esse casamento? Sei que coisas ruins podem acontecer se você falar, mas é a minha vida e eu não posso mentir e dizer que não fiquei preocupada. Mas se você não pode falar de mim, pode falar de minha família? Eles ficarão bem? Mamãe, papai, Kate, Bryan e o outro chato do meu irmão? E, se você for embora, como vamos saber que está mesmo bem? Como espera que eu cumpra essa promessa, de casar e cuidar de Adrian, se não sei se você estará bem ou seguro? É uma promessa injusta e eu não sou Lady, sou apenas Lily, não sou elfa como a Vanamari e não entendo isso tudo de reverências e o que é uma madrinha do verão. E torna tudo pior se você trata os outros como diferentes! Nós só temos uma diferença na orelha, se esconder com o cabelo ninguém nota, aliás. Você já tentou? E eu dou o recado pra minha mana sim...

Os olhos se arregalaram diante de tudo isso. Dorian pensou que adultos pensariam nestas coisas, mas não ela. Realmente era a irmã de Kate! Dorian a via agora com nova perspectiva. Realmente a família fazia toda a diferença. Preocupar-se deste jeito com um desconhecido era inesperado para alguém que nunca teve muitas pessoas que se preocupassem com ele. Até mesmo foi obrigado a um sorriso tímido e responder:

- Olha... Lad... Digo, Lilian... Acho que se tu e tua família permanecerem juntos, o velho Tom não poderá fazer muita coisa. Por isso eu disse para cuidar do Adrian quando ele voltasse... Tu, Adrian e tua família podem impedí-lo de fazer o que ele pretende. Só permaneçam juntos... e, sim, já tentei esconder com o cabelo, mas incomoda e fica coçando. E, depois, elfos e humanos são diferentes, sim... Ouvi falar que vivemos centenas de anos a mais que humanos... Mas não me sinto diferente de vocês. Eu só...

- Como...? Cavaleiro sagrado? Como assim? Que história é essa? Eu nunca disse que queria me tornar um cavaleiro sagrado! O que você quer dizer com...

E parou, ele mesmo respondendo à sua pergunta, olhando para o chão, como se o mundo a seus pés tivesse desabado.

- Meu pai... Ele planejou o casamento para ganhar mais influência no reino. Eu... Eu sinto muito.

Dorian no susto percebia que talvez tinha cometido um erro. Verdade que Adrian nunca citava este desejo deliberadamente, mas era notável para alguém que foi obrigado a desenvolver o raciocínio e a observação por árduos treinamentos que adrian parecia feliz nas brincadeiras que faziam... E claro, a afirmação dos planos de Tom Galiard só corroboravam a teoria. Ouviu Adrian falar com Lilian, mas sua atenção voltou-se para outra pessoa...

- Não! Vamos pensar em algo! Vamos falar direito com meus pais. Se explicarmos bem, tenho certeza de que vão querer ajudar! Nós vamos achar um lugar pra você, Dorian! Pode contar comigo! - e segurou a mão do jovem elfo, tentando lhe passar um pouco de sua fé e esperança em um futuro mais iluminado do que o que parecia estar prevendo.

Dorian olhava agora para a pequena elfa... Vanamari era outro novo mistério que Dorian queria desvendar. Muitas perguntas tinha para fazer a ela e aos seus amigos elfos... E também queria descobrir por que se sentia tão à vontade com ela...

Repentinamente se deu conta que estava de mãos dadas tanto com Vanamari quanto com Lilian e novamente ficou rubro de vergonha. Tentou desconversar falando com Adrian sobre a aventura de verdade que teria, desvencilhando- se rapidamente das duas meninas o mais delicadamente possível, enquanto ouvia a resposta de Adrian.

- Sim... Vamos nos encontrar de novo, sim, e, da próxima vez, nós nos encontraremos livres de verdade. Você vai lutar pela sua liberdade agora e eu irei logo depois. Mas seremos amigos para sempre, não importa o que aconteça. - deu um passo em direção a Dorian, erguendo a mão espalmada, para darem o último aperto de mãos antes de se separarem por muito tempo.

Dorian agora ficava sério e o rubor sumia de sua face. Talvez estivesse até mais pálido ao ver a mão de Adrian estendida. Percebia naquele momento o peso de sua decisão, mas, se Adrian apoiava... não haveria arrependimentos. Estendeu a mão e apertou com firmeza, olhando para Adrian:

- É como tu disse, amigo. Fizemos uma promessa de homens! Cumpriremos ela de qualquer maneira. Sei que terá que vir até aqui quando atingir a maioridade para casar... Então nos encontraremos aqui, neste bosque... Nesta casa, na casa de Lilian.

Olha para Lilian e, reunindo toda a coragem possível, pega novamente a mão dela e beija como manda a cortesia. Parecia ser mais fácil para os adultos do que para o pequeno elfo.

- Obrigado pela precupação Lad... digo, Lilian. Eu posso mandar cartas para avisar que estou bem, se quiser... Então você avisa Adrian e Lady Kate por mim. Ficarei bem.

Larga a mão de Lilian um pouco rápido demais pela vergonha e se dirigiu para Vanamari, estendendo a mão para ela. Começava a gostar disso:

- Acho que agora estou pronto. Vamos?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Dom 09 Out 2011, 00:12

* Perdia alguns momentos para pensar em seus pais, observando distraída os dois e a conversa que tinham. Mesmo achando seus pais distantes demais, eles nunca escondiam coisas que envolviam seu futuro ou sua felicidade. Podia entender agora por que ele era tão diferente dos seus irmãos, pois nem todo mundo tinha pais como os seus. Isso levava Lilian a olhar mais atentamente Dorian, lembrando-se de como ele falava sobre respeitar sua mão e não referir-se a ela de um jeito pejorativo. Começava a entender e a abrir os olhos para o grande mundo que existia além das diversões e dos carinhos de sua casa.

Estava assim, com essa expressão distraída e um tanto culpada, quando respondia a Dorian.*

- Acho que só possuo a aparência, né? A mana nunca fala a coisa errada. Eu ainda tenho muito a aprender. Mas, se você acha que eu vou ser como ela, deve ser verdade mesmo. E eu quero acreditar que é verdade também... - *Dizia essa parte como um sussurro para si mesma, como se buscasse encontrar dentro de si essa maturidade que imaginava possível alcançar se já fosse adulta. E era com essa expressão entre assustada e atenta que escutava os conselhos do elfo sobre como resolver tudo. Unir-se a Adrian e avisar sua família? Mas Tom Galiard era uma figura que crescia muito pelas lendas que eram contadas sobre ele. Por isso, não sabia se o seu pai poderia realmente fazer algo. A mão que segurava a de Adrian apertava-a, dando-lhe algum conforto, compreendendo mais do que vendo.- Só ficarmos juntos? Isso é mesmo o suficiente, Dorian? Eu, eu posso prometer isso... E, e nunca imaginei que fosse assim, que um elfo pudesse viver tão mais que um humano...

*Não era difícil para a menina perceber que para Adrian a notícia era ainda mais dolorosa. Será que não tinham ensinado pra ele como acontecia na sociedade da qual os dois faziam parte? Ninguém explicara que você não se casava por amor ou podia escolher livremente seu marido? Para Lilian, parecia que essa tinha sido uma das primeiras coisas que sua mãe tinha lhe ensinado. Até sentia que ainda escutava sua voz calma e fria dizendo quais eram as funções de uma menina com a classe social que possuía funções e deveres. O matrimônio bem feito, que beneficiasse ambas as famílias era quase o único motivo pelo qual parecia ter sido criada. Para meninos deveriam contar coisas diferentes, talvez até tivessem liberdade pra escolher alguma coisa.

Ou teriam...Tom Galiard não deixara o filho ter essa escolha , alias, escolha nenhuma. Não viajava por gosto e nem escolhera o caminho. O que restara a Adrian escolher? Sentiu tristeza pelo noivo e percebeu quão pesado era o fardo que ele carregava com essa descoberta. Uma noiva, um destino já determinado, se estivesse na posição de Adrian fugiria com toda certeza, não deixariam que a controlassem totalmente. Nunca. Porém, como um filho homem agia? Nem sabia se seu noivo tinha mais irmãos ou algo assim, se conheciam ha apenas alguns minutos...ou seriam horas? Com a resposta dele, sorria-lhe e aproximava-se um pouco mais, mesmo isso significando lembrar do que haviam feito naquele mesmo local e que os dois elfos também sabiam disso.*

- Eu também vou estar aqui esperando, Adrian. Não deixe que nada mude isso e nem essa promessa, tá bem? E eu sei que não foi escolha sua, já me ensinaram isso, nós somos as bandeiras de conquista que as vezes nossos pais usam, somos lançados em marés novos...Ao menos é assim que meu pai falou quando me explicou sobre porque íamos nos casar. Estamos abrindo um novo local no mapa, em que iriamos nos ajudar, ou iremos, né? Alias, se seguirmos Dorian, vamos mesmo.

*Vendo os dois rapazes se dando a mão e dando local a uma despedida cheia de promessas, percebia o ar mudar, como se o verão de uma infância feliz demais estivesse avisando-a de que outras estações viriam e que precisaria de força para elas. Buscava Vanamari com os olhos e assim, parecia exigir dela que também cuidasse de seu novo amigo. Mas ao ver que marcavam para se encontrarem ali, voltava-se para ambos.*

-Eu vou mandar fazer uma casa de verdade aqui ,de brincadeira, mas que não será apenas de folhas. Assim esse pode ser nosso local de encontro daqui em diante.*Estremecia nervosa com isso, e apertava a mão dos dois como se buscasse apoio e ficava surpresamente desconcertada com o comprimento formal do elfo. Rindo alegremente, mesmo que com um pouco de preocupação e exagero na voz. Abraçava-o fortemente . * Vou escrever toda semana, mas precisamos antes descobrir como entregaremos, Vana, você sabe como poderíamos fazer isso?[/b]
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qui 22 Nov 2012, 07:53

E esta foi a última vez que Dorian viu Adrian e Lilian durante muitas primaveras que se seguiram, enquanto Vanamari o ensinava o caminho para seu vilarejo verdejante na parte mais profunda de uma floresta próxima, e ensinava o caminho de vida dos elfos em Le Dulce.

Em meio à comunidade élfica de Elenvere, Dorian aprendeu que a maior beleza é a simplicidade de viver e a harmonia com a Natureza, Mãe Natureza que concede o alimento, o abrigo e as belezas naturais permeadas de respeito pelos seres capazes te tirar a vida de pessoas incautas e orgulhosas que se julgam superiores por causa de sua chamada “civilidade”, esquecidas de que, sem a Natureza, elas não teriam nem nascido.

Dorian ouviu histórias de que a Floresta Faérinn, lar do Reino Eladrin, é a mais bela floresta de Pandorah, tão bela que parece ser um pedaço do Paraíso neste mundo, mas como poderia tanta beleza existir em mundo de tantas crueldades e tantos sofrimentos, como ele conheceu antes de vir para Elenvere? Com alegria, Dorian descobriu com o tempo que todos os elfos ao seu redor compartilhavam de sua preferência: Elenvere era o melhor lugar para se viver em harmonia com o mundo inteiro. Mas harmonia não significava viver isolados do mundo, mas com ele.

Elenvere já possía dois séculos de história quando Dorian colocou os pés em seu território pela primeira vez. E nestes séculos permeados de guerras mundiais, o povo de Elenvere aprendeu que, embora não concordem com o estilo de vida daqueles que vivem além da proteção de sua floresta, não podem ignorar suas vidas e seus sofrimentos. Se Elenvere pretendia merecer seu lugar no mundo, precisava fazer a sua parte. E para isso, foram criadas a cento e vinte anos as Brigadas das Quatro Estações: os rangers dos Guardiões do Outono, os bárbaros das Fúrias do Verão, os druidas dos Irmãos da Primavera e os feiticeiros dos Senhores do Inverno. As Brigadas, desde sua fundação, começaram a realizar incursões no mundo externo, realizando missões em prol do mundo. Destas missões resultaram recursos, riquezas e prosperidade para Elenvere, mas muito foi apenas guardado pois não havia interesse de mudar desnecessariamente a qualidade de vida já conquistada, de tal forma que cada Brigada possui sua própria base dentro de Elenvere, onde ficam guardados os equipamentos e armas angariados por essas missões. Mas muitas vezes, apenas parte de grupos retornaram... ou nenhum deles. Por isso, a saída de um grupo de Vanguarda de Elenvere, como são conhecidos estes grupos de aventureiros, é comemorada com uma festa de um dia inteiro, de nascer do Sol a nascer do Sol, quando finalmente os filhos dessa floresta partem para fazer sua parte no mundo. Pertencer às Brigadas das Quatro Estações é a maior das honras entre estes elfos.

E depois de ter suas capacidades e força física reconhecidas, Dorian foi indicado para realizar os treinamentos de ranger, um posto muito respeitável na comunidade élfica em Elenvere, apenas menos admirado que os druidas, considerados o ápice da evolução dos humanóides em sua jornada de comunhão com a Mãe Natureza. Quando Dorian questionou a respeito dos Mestres das Chamas Divinas, que tem Aqueron como o Mestre da Chama Verde, Senhor da Natureza, alguns elfos riram contidamente, tentando não ofender o jovem recém-chegado, e se desculparam pela rudeza dizendo que achavam muito esquisito que um homem pudesse gerar filhos como fazia a Natureza. Natureza somente poderia ser uma Mãe. Este e outros exemplos que Dorian presenciou durante vários anos o fizeram entender que Elenvere era uma comunidade da Natureza livre de quase todos os males que uma civilização gananciosa e egocêntrica é passível de sofrer. Nem mesmo a religião era assunto de preocupação ou defesa de pontos de vistas diferentes. A gratidão à Natureza era o cântico de todas as auroras em Elenvere, somado pelas vozes agradáveis de tranquilos pássaros. Os elfos em Elenvere aprenderam a viver com o que a Natureza lhes oferecia, nem mais e nem menos, crescendo e morrendo em constante processo de educação pessoal para suprimir a ganância e o pensamento individualista. Não é uma tarefa fácil, mas, quando muitos se unem pelo mesmo propósito, todos se ajudam em momentos de crise.

Vanamari desde cedo apresentou afinidades com os animais, sendo muitas vezes capaz de lhes compreender seus desejos e expressar os próprios para eles. Não demorou muito até que ela fosse indicada para se tornar uma Irmã da Primavera, meses depois que chegou com Dorian a Elenvere.

E isso a afastou de Dorian, para seu expresso desgosto, pois, sempre que podia, Vanamari fugia dos reclusos campos de treinamento para ver como estava indo o jovem elfo que ela salvara das garras da cruel civilização que ficava além daquela floresta. E sua insistência em visitar Dorian causou um velado sentimento de que Dorian não poderia ser companheiro de mais nenhuma elfa que pudesse se interessar pelo exótico elfo que veio da civilização. Um fato um tanto frustrante, porque Vanamari parecia sempre querer ser a irmã mais velha de Dorian e nenhum outro desejo ela expressava.

Mas Dorian não estava em uma época para se preocupar com mulheres. Ursos, linces, panteras-deslocadoras e ursos-corujas exigiam muito da sua atenção, se ele quisesse sobreviver ao seu treinamento. Logo Dorian entendeu que os os Guardiões do Outono servem aos dois lados: eles protegem a Natureza dos perigos da humanidade e protegem a humanidade dos perigos da Natureza, empregando a força que for necessária para deter qualquer uma das partes da destruição sem controle que queira realizar, em defesa da harmonia que embasa sua sociedade.

E finalmente, depois de muitos anos de incansável e exaustivo treinamento que muitas vezes o levou às portas da morte, fosse pela fome, a própria ou a de um animal à sua frente, Dorian, aos dezessete anos, recebeu o Manto do Outono, um manto marrom detalhado como se fosse feito por folhas amarradas, tendo na parte interna do capuz a inscrição em élfico “O Outono de Elenvere está sempre contigo”. Os mais valorosos e experientes rangers costumam dizer que o manto é como um abraço de casa onde quer que estejam e isso já os ajudou a voltar para o lar várias vezes, pela lembrança que ele evoca.

No mesmo ano, é realizada a cerimônia da Coroação das Flores, a formatura dos druidas daquele ano, e Vanamari está entre eles, mais bela e radiante do que nunca. Os anos a amadureceram... de várias formas, conforme os instintos de Dorian insistem em fazê-lo notar. E durante a cerimônia, uma amiga chegada de Vanamari revelou próximo a Dorian que Vanamari dispensou todos os discretos interessados em tê-la como companheira, afirmando que não é capaz de dedicar a vida a outra pessoa. Quando questionada sobre a que ela havia dedicado a própria vida, ela costuma apenas olhar para o céu e sorrir levemente, enquanto fala “O que será...né?”. Dorian percebeu que a amiga o fuzilava com inquiridor e brincalhão olhar, como a tentar constrangê-lo a falar algo, mas o discurso de abertura feito pelo Druida Venerável teve início e Vanamari recebeu sua Coroa de Flores Eternas, feita de ramos e flores campestres, para que ela leve a beleza da primavera de Elenvere a onde quer que esteja.

Terminada a cerimônia, Vanamari recebeu o cumprimento de seus pais e tão logo viu-se livre de suas obrigações sociais, andou rapidamente em direção a Dorian e lhe segurou a mão esquerda com as duas mãos, sorrindo, e lhe disse:

“Fico feliz que tenha vindo! Fiquei sabendo que no Outono passado recebeste seu Manto! Fiquei muito feliz quando soube e quis vir te ver, mas não pude.” - Vanamari não comenta, mas Dorian imagina que os druidas instrutores devem ter invocado Entes para detê-la em sua fuga. - “Então conseguimos nos formar no mesmo ano?! Que ótimo! Quem sabe podemos pedir para participar da mesma Vanguarda? Tenho certeza de que o Druida Venerável não se oporia.”

Vanamari solta a mão de Dorian e, mais calma, continua. “E então... como se sente? Preparado para voltar ao mundo que abandonou? Ou... ou acha melhor permanecer nos postos de vigilância dentro da floresta por enquanto?” - seu tom de voz pareceu revelar sua preocupação com os sentimentos de Dorian. Afinal, como se sentia seu melhor amigo de infância a respeito de seu passado e de sua nova vida?


[Tópico fechado. O próximo post de jogador deverá ser feito no tópico "A Vanguarda de Elenvere"]
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