Le Dulce - Seis anos antes...

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Seg 12 Set 2011, 16:11

*Aqueles olhos claros prendiam completamente a atenção de Lilian, que não notava os pais, os quais a poucos instantes queria agradar, e nem os pais de seu futuro noivo. Era apenas a Adrian que conseguia observar, a solenidade com que segurava sua mão insegura. Se fossem seus irmãos, ririam dela. Mas Adrian fechara os olhos e fizera algo que achou ser uma expressão de dor, mas não sabia de verdade o porquê. Seria vergonha por ela ter demonstrado emoções? Seria Adrian como sua mãe que achava que todas as pessoas educadas não revelavam aquilo que não desejassem? Ou que não fosse o certo?

Seu corpo parecia enrijecer a esse pensamento e seus lábios não mais sorriam com o mesmo calor, mas também não era um sorriso caloroso que recebia de seu noivo, mas era um pressionar real de lábios. Os meninos ou não tocavam nas suas mãos ou então babavam nela para que pudessem rir de seu nojo, mas Adrian pressionava os lábios e aquela sensação morna e macia a fazia prender a respiração e sentir que algo se movia em seu estômago, algo que sabia que não era fome. Não. Era uma coisa ainda sem nome para uma garota que vivia mais de impulsos do que de pensamentos profundos. Era como se Adrian devolvesse a Lilian sua capacidade de sentir-se calma e de sorrir de verdade, mas também começasse a roubar algo que a garota não sabia que possuía. Como um abraço gostoso antes de ir dormir e o carinho depois de um joelho esfolado, mas com algo diferente no final, algo que também a fazia ficar agitada. Era isso que sentia: estava agitada. E era engraçado que só sabia o nome dele e que era bom olhar seu rosto, mas já descobrira que não sentia aversão aquele tipo de toque e que Adrian a fazia se sentir segura.

Afinal, estava certa! Tivera mesmo um pressentimento certo. Seu noivo era um príncipe e, quando seus olhos encontravam-se, tinha uma sorridente, embora corada e acalorada, Lilian esperando para corresponder ao sorriso dele. Não eram mais rivais e sim aliados naquela situação. De alguma forma sabia disso.

Olhando para seu pai, percebia que, de certa forma, tinha ido muito bem. Recebia o beijo e sua mãe com grande alegria e uma sensação de quase incontido orgulho por ter sido boa, por merecer esse beijo e esse carinho. Para os visitantes, Tom e Selina, Lilian sorria e fazia uma última mesura educada e não tão profunda, queria acenar também, mas, envolta na responsabilidade do momento e no orgulho, só conseguia ser formal, mesmo que essa fosse a primeira vez que agisse assim de verdade.

Mas, agora que estava calma e que seus pais tinham se afastado, ela percebeu-se sozinha com ele. Descobria-se sem muito o que dizer ou fazer, afinal, como se entretem príncipes? Será que deveria sugerir uma brincadeira? Sabia que não deveria levá-lo ao seu quarto e nem às cocheiras, mas também não era uma boa anfitriã. Apenas sua mãe e Kate recebiam os convidados, então sugerir que bebessem algo na sala de visitas e ficar apenas conversando não era uma boa ideia.

Estava nesse debate íntimo, os lábios apertados de tanta concentração para pensar quando, enfim, desistia de olhar para a porta de sua casa e olhava de verdade para Adrian, cuja tez avermelhada a fazia ver ele de forma mais humana e menos como príncipe. Sabendo que era errado rir dos outros, Lilian colocava as mãos nas costas e começava a balançar o corpo, usando todo o meio possível para não achar engraçada a expressão dele agora que estavam sozinhos. Era difícil e divertia-se muito olhando-o, mas também queria que ele iniciasse a conversa, queria saber se queria sua companhia e conhecê-la tanto quanto ela queria saber mais dele, conheê-lo e confirmar que não era um ogro como seus irmãos diziam.

E aparentemente queria e conseguia fazer Lilian perder o fôlego com uma afirmação que parecia tão boba, afinal seus pais sempre a chamavam de linda, mas seu rosto ficava completamente vermelho e aquela agitação voltava e tomava seu estômago, revelando que, vindas de Adrian, certas palavras eram completamente novas. Como se nem as conhecesse até então.

Rindo sem graça e ao mesmo tempo divertida, Lilian se aproximava de Adrian sem perceber. Deveria dizer algo bonito e engraçado, como sempre dizia, mas nascida da sensação de serem aliados que experimentara antes, só conseguiu dizer a verdade.*

- Eu, eu, eu não gosto de branco... Minha mãe que escolheu esse vestido. *Olhava-o um tanto malandra e curiosa, as pálpebras levemente fechadas, erguendo os olhos para ele apenas algumas vezes, desejando saber como seu noivo reagiria a ela, não a versão social, mas a verdadeira Lilian, e era com certo desafio e muito insegurança que prosseguia falando.*- Eu, eu fico... feliz de você te gostado. Valeu a pena vesti-lo, então. E, e, e... Vo-vo-você também esta-ta-ta-ta ...elegante.

*Sabia que meninos não gostavam de serem chamados de bonito, por isso dizia outra coisa, mas a verdade é que era impossível não olhar pra ele. Mas o silêncio demorava-se um pouco mais e ficava desconfortável, achando que falara alguma bobeira e naquele momento desejou ter prestado mais atenção às aulas de etiqueta e em como sua irmã agia. Era pouco o tempo que perdia nesse pensamento, pois uma pergunta vinha logo depois e descobria-se incapaz de ser menos do que... ela mesma. Segurando as mãos dele, sorria de orelha a orelha, até ria por alguns instantes.*

- Você quer brincar? Eu adoro essa brincadeira! É a minha favorita quando minha irmã aceita brincar comigo. Você também gosta? Minha mãe disse que não deveria mostrar alguns lugares, mas você quer conhecer meus esconderijos favoritos? Ou quer brincar? Meus irmãos só brincam quando tem mais gente, especialmente os amigos chatos deles, mas eu gosto da brincadeira de qualquer jeito... É sempre divertida e sempre descubro um esconderijo novo aqui em casa. Parece que eu tô numa grande aventura e devo descobrir como enganar o vilão que me persegue.

*Ria bastante e balançava um pouco as mãos unidas, mas, respirando fundo, olhava pra mãos dos dois, começava a separá-las e lembrava que sua mãe dizia que só crianças brincavam tanto e dizia quase num sussurro inaudível, sem perceber testando-o, procurando descobrir mais coisas sobre Adrian, para poder mostrar mais dela, afinal, queria ser amiga dele e ter aquela calma perto de si. Sim, seria bom ter um amigo com aquele sorriso... Com um instinto, fingia a si mesma que não sentia-se agitada em sua presença.*

- Ou você só quer conversar? Podemos ir pra outra sala... se quiser. Sei que meninos e meninas grandes não brincam mais dessas coisas... Podemos tomar bolo e falar sobre, cavalos ou então viagens... Você quer?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Ter 13 Set 2011, 01:10

Dorian escreveu:- Err.. Claro milady... Err... Eu aceito com muito gosto a limonada... Deve estar ótima... É claro...

Dorian espera Kate e a gentil empregada ir na frente e acompanha elas até a cozinha.

Kate sorriu gentilmente e desceu as escadas, acompanhada de sua empregada, indo até a cozinha.

Chegando lá, Dorian percebeu uma intensa movimentação de cozinheiros e empregados. O banquete de recepção estava quase pronto e Dorian viu outras crianças servas auxiliando no transporte de pratos e garrafas, que o olharam um pouco demoradamente quando ele surgiu: crianças elfas eram raras de serem vistas. Mas logo servos lhes chamaram a atenção e eles voltaram para sua atividades.

Neste meio tempo, Kate falou com o cozinheiro e ele logo lhe trouxe um copo com limonada, que ela pegou na mão e apontou para Dorian a saída dos fundos, ligada à cozinha e foi ela mesma para fora.

No pequeno pátio em frente à porta da cozinha, Kate estendeu o copo para Dorian, com um sorriso, dizendo:

- Pronto! Aqui está sua recompensa por seu trabalho nesta viagem. Deve ser difícil acompanhar o Conde de Galiard nesta viagem... Dorian... – e sua voz assumiu um tom mais respeitoso e lento. – Você... é bem cuidado pelos Galiard? É raro ver elfos entre os novos nobres... Seus pais também trabalham para os Galiard?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Ter 13 Set 2011, 01:38

Lilian escreveu:- Eu, eu, eu não gosto de branco... Minha mãe que escolheu esse vestido. *Olhava-o um tanto malandra e curiosa, as pálpebras levemente fechadas, erguendo os olhos para ele apenas algumas vezes, desejando saber como seu noivo reagiria a ela, não a versão social, mas a verdadeira Lilian, e era com certo desafio e muito insegurança que prosseguia falando.*- Eu, eu fico... feliz de você te gostado. Valeu a pena vesti-lo, então. E, e, e... Vo-vo-você também esta-ta-ta-ta ...elegante.

Adrian arregalou levemente os olhos diante do elogio. Um pequeno assombro, até. Não esperava ouvir nada disso, embora fosse algo bom. Corou, olhando para o chão à sua esquerda.

- O... Obrigado. Que bom que... você gostou.

Lilian escreveu:- Você quer brincar? Eu adoro essa brincadeira! É a minha favorita quando minha irmã aceita brincar comigo. Você também gosta? Minha mãe disse que não deveria mostrar alguns lugares, mas você quer conhecer meus esconderijos favoritos? Ou quer brincar? Meus irmãos só brincam quando tem mais gente, especialmente os amigos chatos deles, mas eu gosto da brincadeira de qualquer jeito... É sempre divertida e sempre descubro um esconderijo novo aqui em casa. Parece que eu tô numa grande aventura e devo descobrir como enganar o vilão que me persegue.

- Ou você só quer conversar? Podemos ir pra outra sala... se quiser. Sei que meninos e meninas grandes não brincam mais dessas coisas... Podemos tomar bolo e falar sobre, cavalos ou então viagens... Você quer?

- Eu gosto de esconde-esconde, sim, embora normalmente sejam apenas eu e Dorian, meu amigo que veio junto. E eu sempre demoro muito pra achar ele... mas é muito divertido ver a cara dele quando o acho! Ele faz uma cara engraçada! Fica irritado! Mas... sua mãe disse que não deveria brincar... sei como é... meu pai também não gosta que eu brinque... menos ainda com Dorian. – e olhando para a mansão, continuou. – Mas sua casa é enorme! Eu ia demorar muito pra te achar e não ia saber me esconder. E acho que meu pai não gostaria de me ver andando sozinho pela sua casa. – a última frase foi dita com um leve temor.

- Se eu quero conversar? – Adrian pareceu surpreso pela pergunta. Não entendeu o jogo de Lilian e parou para pensar seriamente sobre o assunto, fechando os olhos.

Quando os abriu, ele sorriu gentilmente para Lilian e respondeu:

- Eu quero fazer o que você quiser fazer. Eu vou junto com você. O que quer fazer... Lilian? – e a última palavra veio com o temor da intimidade que ganhava força entre eles. Era a primeira vez que a chamava pelo nome.
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Cozinha - Pátio dos fundos.

Mensagem  Fabricix em Ter 13 Set 2011, 19:54

Dorian não mais discutiu e seguiu Kate através das escadas e da porta da cozinha. Andava ao seu lado e gostava de ver sua gentil expressão, mesmo que não demonstrasse... Dorian tentava ficar indiferente, mas o calor subindo pelo seu rosto corado não parecia ajudar muito...

A cozinha parecia bastante agitada e até mesmo um pouco mais alegre do que estava acostumado a ver na casa Galiard...

Dorian viu outras crianças servas auxiliando no transporte de pratos e garrafas, que o olharam um pouco demoradamente quando ele surgiu... Mas logo servos lhes chamaram a atenção e eles voltaram para sua atividades.

"Será que queriam dizer alguma coisa? Tenho algo errado na roupa? Ou no rosto?"

Dorian se tocava no rosto, olhava para si mesmo procurando a razão deles olharem tanto para ele... Seria porque ele entrou com Kate? Podia ser... Imaginava que todos naquela casa gostariam de estar ao lado dela tanto quanto ele... Estava até mesmo despontando um pouco de orgulho quando ela surgiu com o copo e pediu para segui-la até o pátio dos fundos. Com olhares desconfiados de que alguem vira sua felicidade momentânea e contaria para o velho Tom, seguiu Kate a passos rápidos.

Kate escreveu:- Pronto! Aqui está sua recompensa por seu trabalho nesta viagem. Deve ser difícil acompanhar o Conde de Galiard nesta viagem...

Dorian pega o copo, sentindo o cheiro fresco do limão. Sorri levemente e olha para Kate:

- Obrigado Milady. Faz tempo que não bebo um suco destes...

Bebe praticamente metade do conteúdo e para um momento para respirar... E para sentir o leve gostinho azedo que não estava acostumado a beber. Estava até pensativo quando...

Kate escreveu:- Dorian... Você... é bem cuidado pelos Galiard? É raro ver elfos entre os novos nobres... Seus pais também trabalham para os Galiard?

Dorian repentinamente muda de atitude... Ele parece encolher os ombros e não olhar mais para Kate, mas para o chão. Sua expressão é de alguem triste e resignado, como se sentindo culpado pelo que estivesse falando:

- Bom... O que a milady chama de bem cuidado? Quero dizer que... Não estou reclamando nem nada... Devia estar feliz por ter uma família depois de viver tanto tempo sózinho... Mas na vila onde eu cresci, vi familias que tinham casas bem menores que esta e bem menos dinheiro... Mas pareciam mais felizes... Ou talvez mais livres... E quando as outras crianças voltavam para casa, abraçavam os pais que recebiam eles com beijos e bolinhos... De vez em quando eu comia alguns...

Dorian para repentinamente de falar e novamente olha pra Kate, tentando não chorar diante dela... Homens não choram, ja dizia os homens da vila onde cresceu e também o velho Tom... Tomou outro gole da limonada para tentar afogar as mágoas de seu coração e novamente falou, olhando para o copo vazio:

- Eu cresci em um pequeno vlarejo antes de me tornar aprendiz... Vivia sob os cuidados dos moradores, mas sózinho na casa onde dizem que me acharam... Não tenho familia... Só tenho isso...

Dorian tira debaixo do manto cinzento o pequeno medalhão com o brasão de sua desconhecida família mostrando para Kate que no verso havia a palavra Dorian.

- Fico pensando... Onde estariam eles... Os meus Pais... Será que são como as familias da vila? Ou como os Galiard? Ou talvez como esta... Como Você Milady... Eu gostaria que fosse...

Dorian subitamente percebeu a besteira que estava dizendo! Porque se abria tanto deste jeito?

- Me perdoe Milady... Eu não devia ter dito isso... Eu quis dizer... Ou melhor... Digo...

Não podia ficar ali por mais um segundo, pois sentia que iria queimar de vergonha!

- Com licença Milady... Grato pela Limonada... Eu preciso... Ir...

Sem pensar direito, Dorian quer sair dali a passos rápidos passando pela cozinha e refazendo todo o caminho até onde está a carroça e pegar sua mala... Apenas uma justificativa para não chorar de vergonha e tristeza diante da anfitriã da casa. O copo acabaria abandonado no pátio durante a "fuga" do jovem elfo...
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qua 14 Set 2011, 03:27

*Queria achar apenas engraçado o modo como Adrian corava com o elogio que fazia mas, mais do que isso, perguntava-se se estaria tudo bem dizer algo assim, se ele não a achara boba. Pois gostara do elogio dele, até sentia que poderia usar branco em outros dias da sua vida, mesmo sem sua mãe obrigá-la a isso.

E o mais estranho era que vendo-o assim também começava a se sentir meio encabulada, como se sua mente tivesse esquecido tudo o que queria perguntar e até falar e apenas pudesse observar aqueles olhos azuis e as faces coradas e pensar "será que o rosto dele também estava quente?". Quase estendeu as mãos e o tocou, mas, ao contrário, prendeu as mãos nas laterais do vestido e começou a torcer o tecido de forma nervosa e irrequieta.*

- Minha mãe também não gostaria que eu sujasse o vestido ou os meus sapatos, são novos, só posso brincar com os mais velhos e aqueles que estão pequenos demais em mim. E não quero que seu pai fique bravo com a gente, meu pai grita muito quando sou desobediente. O seu pai grita... ou ele atira? **Era impossível não deixar sua imaginação fértil surgir e ver cosias terríveis, os olhos estavam arregalados enquanto dizia isso. Mas sacudindo a cabeça pensava que era mesmo uma sonsa. Era óbvio que Tom Galiard não atiraria no próprio filho.*- Esse seu amigo, Dorian, eu não o vi. Quando ele foi apresentado à minha mãe e ao meu pai? E, espera um pouco. Por que você não pode brincar com ele?

*Quase podia adivinhar a resposta, pois seus pais não a deixariam ficar sem cumprimentar alguém importante, mas já entrara em confusões por antecipar respostas e tentar adivinhar o que a outra pessoa queria dizer. Por isso, desistiu da adivinhação e esperou que Adrian mesmo a respondesse, não só a essa pergunta mas a tantas outras que a fariam provar aos irmãos que ele era um príncipe.

Mas aquele sorriso e o voto de confiança a faziam se questionarem. Será que todos os meninos sorriam como ele? Ou não? Será que se sentia assim porque iam se casar? Não, claro que não era isso. Iam apenas se casar em alguns anos. Não estava ali para casarem, apenas para ficarem noivos. Mas com um sorriso tímido demais para alguém tão levada, Lilian prendia uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha e dava mais um passo até Adrian, diminuindo ainda mais a pouca distância entre eles.

Seus olhos também azulados iam do chão e depois para ele, um risinho encabulado nascido da cumplicidade surgindo nos lábios costumeiramente tão travessos e com respostas prontas. Ser chamada de Lilian por Adrian quase a fazia engasgar sem engolir nada, ou mesmo ter algo na boca, o que era muito estranho.

Era como se o seu nome dito pela primeira vez pela voz do garoto a fizessse querer conversar mais com Adrian, apenas para que pudesse dizer seu nome mais vezes. Mas ninguém nunca dera a ela a chance de organizar uma brincadeira e a estranheza daquele engasgo sumia ante a empolgação. Segurando em uma das mãos dele, dava um lixeiro puxão para que seu corpo ficasse levemente curvado, como se na já presente brincadeira alguém pudesse ouvi-los e impedi-los de brincar.*

- Você não esta brincando comigo, né? Se eu quiser brincar de alguma coisa, QUALQUER COISA, você brincaria comigo, Adrian? Mesmo que fosse de boneca? De corrida? De achar o lenço... mesmo de casinha, você sendo o papai e eu a mamãe?

* Lilian começava a se achar um gênio! Era isso: brincando de papai e mamãe, ela podia saber mais coisas dele e poderia levá-lo até a casinha de folhas e galhos que tinha feito algumas noites atrás na floresta, e, quem sabe, não descobria de vez que ele não era um ogro fedido como diziam seus irmãos. Claro que essa brincadeira dava um pouco de tremor ao seu corpo, afinal, não estava sendo totalmente honesta com Adrian e sentia-se como uma traidora por quebrar essa confiança e começava a bolar um plano de como faria tudo. Iria contar a verdade, assim que chegassem na cabana, ia falar pra ele sobre seus medos e sobre o que os irmãos falavam.*

- Vamos fazer assim: vamos pra floresta. Você tira seu sapato e eu também. Você vai ter de dobrar a calça um pouco, dai não gruda nem folhas ou flores e nem sujeira de terra na nossa roupa. Ainda quer brincar? Não esta com... vergonha... por brincar com uma menina?*Dedicava a Adrian um olhar cheio de vontades mas também cauteloso,como se já tivesse ouvido promessas assim que nunca se realizavam.*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 14 Set 2011, 09:30

Dorian escreveu: - Obrigado Milady. Faz tempo que não bebo um suco destes...

...Um tempo? - pensou Kate, frazindo muito levemente suas sobrancelhas ao ouvir isso. Alguns temores começavam a se formar em sua mente.

Dorian escreveu:- Bom... O que a milady chama de bem cuidado? Quero dizer que... Não estou reclamando nem nada... Devia estar feliz por ter uma família depois de viver tanto tempo sózinho... Mas na vila onde eu cresci, vi familias que tinham casas bem menores que esta e bem menos dinheiro... Mas pareciam mais felizes... Ou talvez mais livres... E quando as outras crianças voltavam para casa, abraçavam os pais que recebiam eles com beijos e bolinhos... De vez em quando eu comia alguns...

Enquanto ouvia Dorian falar, olhando para o chão, Kate se permitiu desfazer sua expressão solene de anfitriã e contemplou com compaixão a jovem criança élfica que tantas dores e pouco carinho parecia ter recebido em sua vida. Dorian não apenas pobre em posses. Era pobre em amor também. Kate pensou imediatamente em todo o carinho que sempre recebeu de seu pai e sua mãe e tentou imaginar como seria alguém que não teve isso. Várias imagens ruins surgiram em sua mente mas nenhuma delas sequer se aproximava da criança humilde e educada na sua frente. Fosse como fosse, Dorian estava suportando muito bem sua infância difícil. Um coração bom o animava, um coração que ninguém parecia estar cuidando ou acalentando... ou talvez nunca tivesse sido acalentado. Este pensamento fez o corpo de Kate tremer rapidamente, condoída no íntimo da alma jovem, desejosa que sempre foi em espalhar felicidade na vida das pessoas ao seu redor.

Mas então Dorian começou a erguer a cabeça e ela retomou seu sorriso cordial, porém mais apagado que o primeiro que Dorian viu. No entanto, um brilho diferente habitava seu olhar. Dorian podia sentir que ela olhava para dentro dele, dentro de seu coração.

Dorian escreveu:- Eu cresci em um pequeno vlarejo antes de me tornar aprendiz... Vivia sob os cuidados dos moradores, mas sozinho na casa onde dizem que me acharam... Não tenho familia... Só tenho isso...

Sentida por essa verdade revelada, a compaixão de Kate escapou seus lábios, dizendo:

- Deve ter sido... muito difícil tudo até hoje, Dorian... mas você está se saindo muito bem. És um excelente garoto. - e tomou um passo para mais próximo de Dorian, lhe fazendo um instintivo gentil carinho nos cabelos ruivos encantadores do jovem elfo. Ruivos, não pela natureza, mas pelo fogo onde ele havia sido forjado. Essa era a impressão de Kate naquele momento.

Dorian escreveu:Dorian tira debaixo do manto cinzento o pequeno medalhão com o brasão de sua desconhecida família mostrando para Kate que no verso havia a palavra Dorian.

- Fico pensando... Onde estariam eles... Os meus Pais... Será que são como as familias da vila? Ou como os Galiard? Ou talvez como esta... Como Você Milady... Eu gostaria que fosse...

Um súbito arregalar de olhos foi visto no rosto de Kate antes de se projetar em direção a Dorian, ansiosa além da etiqueta em pegar aquele medalhão. Poderia ela conhecer a família de Dorian e devolvê-lo ao amor que foi privado pela crueldade da vida? Arrependeu-se profundamente as aulas sobre nobreza e brasões que desmotivadamente teve. Queria ter se empenhado mais, muito mais. Nunca até hoje havia imaginado como o conhecimento poderia servir para salvar vidas. Trataria de cuidar disso mais tarde.

Kate, sem pedir permissão, tomou o medalhão docemente das mãos de Dorian, tocando-as por um instante, e Dorian teve a impressão de que agradável e quente seda lhe tocou a mão. O puxar do medalhão inevitavelmente aproximou Dorian do rosto e peito de Kate, mas ela não se deteve. Um perfume de rosas invadiu docemente as narinas de Dorian enquanto a beleza da pele do peito de Kate refletia à luz do sol a vinte centímetros do rosto de Dorian.

Kate virou o medalhão para encarar o brasão com séria concentração e o contemplou assim por alguns segundos. Sua tez frangia cada vez mais, quando finalmente ela aceitou o fato de que nunca o tinha visto, irritando-se levemente, e depois resolveu olhar apenas detalhadamente para o brasão a fim de marcá-lo em sua mente para sempre. Depois ela retomou aos poucos sua expressão gentil e devolveu nas mãos de Dorian o medalhão, sorrindo, mas era um sorriso condoído, do fracasso:

- Sinto muito, Dorian. Não sei que brasão é esse, mas eu lhe prometo que, se eu descobrir, eu vou lhe contar, pessoalmente, se eu puder. Esta é minha promessa e um Mairwen sempre cumpre suas promessas. - e se esforçou por sorrir novamente, a fim de acalentar um pouco mais o coração do jovem à sua frente.

Dorian escreveu:Dorian subitamente percebeu a besteira que estava dizendo! Porque se abria tanto deste jeito?

- Me perdoe Milady... Eu não devia ter dito isso... Eu quis dizer... Ou melhor... Digo...

Não podia ficar ali por mais um segundo, pois sentia que iria queimar de vergonha!

- Com licença Milady... Grato pela Limonada... Eu preciso... Ir...

Kate arregalou os olhos, surpresa. Algo tinha saído do seu controle e ela não ia ficar parada diante disso.

Segurou o ombro de Dorian forte o suficiente apenas para ele saber que estava sendo tocado e disse:

- Espere... Você não foi indiscreto. Se um de nós o foi, fui eu. - e sorriu alegremente para aliviar a tensão que havia se formado em Dorian. - Por isso, pode ficar aqui um pouco mais antes de fazer as outras tarefas que te esperam. Aguarde um pouco enquanto eu trago outra limonada. - e saiu para a cozinha onde se demoraria um minuto antes de retornar sorrateira para sondar como estava o jovem elfo.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Qua 14 Set 2011, 12:40

Kate escreveu:- Deve ter sido... muito difícil tudo até hoje, Dorian... mas você está se saindo muito bem. És um excelente garoto.

E tomou um passo para mais próximo de Dorian, lhe fazendo um instintivo gentil carinho nos cabelos ruivos encantadores do jovem elfo.

Dorian olha para cima supreso pelo gentil toque. Então esta é a sensação de receber um carinho? Era bom... Muito bom. E o fato de ter sido Kate só tornava este gesto ainda melhor aos olhos de Dorian.

Quando mencionou o medalhão, Dorian não esperava que Kate pudesse saber alguma coisa a respeito. Kate queria ve-lo mais de perto... E o pequeno elfo não faria objeção.

O puxar do medalhão inevitavelmente aproximou Dorian do rosto e peito de Kate, mas ela não se deteve. Um perfume de rosas invadiu docemente as narinas de Dorian enquanto a beleza da pele do peito de Kate refletia à luz do sol a vinte centímetros do rosto de Dorian.

Estar tão perto de Kate teve um efeito Hipinótico em Dorian, que não conseguia parar de olhar... Nunca esteve tão perto de uma dama... E nunca se sentiu tão envergonhado, pois não tinha vontade de sair de perto. E o perfume... Sim! Aquele perfume devia ser mágico! Só isso explicaria o rubor em sua face e o calor que sentia...

Dorian inspirava e expirava lentamente... Isso sempre o ajudava a acalmar-se... Embora não entendesse muito bem a razão de ficar tão nervoso diante de Kate que apenas estava tentando ajuda-lo. Seria ótimo se ela pudesse dizer algo a respeito de seu medalhão e sua familia.

Kate escreveu:- Sinto muito, Dorian. Não sei que brasão é esse, mas eu lhe prometo que, se eu descobrir, eu vou lhe contar, pessoalmente, se eu puder. Esta é minha promessa e um Mairwen sempre cumpre suas promessas.

Incentivado pelas palavras gentis de Kate, Dorian acabou falando sobre o seu passado. Quando ela ficou espantada, O pequeno elfo desejou nunca ter dito nada. Iria se desculpar e colocar-se no seu lugar...

- Espere... Você não foi indiscreto. Se um de nós o foi, fui eu. Por isso, pode ficar aqui um pouco mais antes de fazer as outras tarefas que te esperam. Aguarde um pouco enquanto eu trago outra limonada.

- Como quiser Milady.

Sentia que não conseguiria dizer não para ela... Quando Kate entra na cozinha, Dorian senta-se no chão do pátio e tenta relaxar um pouco. Olhando para o céu, O pequeno elfo ainda tenta compreender o porque de sentir-se tão estranho perto da bela e gentil Kate. Nem mesmo notará que está sendo espiado, tão profunda é sua reflexão... Uma reflexão que provavelmente sua mente de treze anos ainda não endenderá.


Última edição por Fabricix em Qua 14 Set 2011, 22:18, editado 1 vez(es)
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 14 Set 2011, 21:39

Lilian escreveu:- Minha mãe também não gostaria que eu sujasse o vestido ou os meus sapatos, são novos, só posso brincar com os mais velhos e aqueles que estão pequenos demais em mim. E não quero que seu pai fique bravo com a gente, meu pai grita muito quando sou desobediente. O seu pai grita... ou ele atira? **Era impossível não deixar sua imaginação fértil surgir e ver cosias terríveis, os olhos estavam arregalados enquanto dizia isso. Mas sacudindo a cabeça pensava que era mesmo uma sonsa. Era óbvio que Tom Galiard não atiraria no próprio filho.*- Esse seu amigo, Dorian, eu não o vi. Quando ele foi apresentado à minha mãe e ao meu pai? E, espera um pouco. Por que você não pode brincar com ele?

Adrian arregalou levemente os olhos ao ouvir sobre pai dando tiros. Adrian já havia presenciado alguns duelos de seu pai e ver seus oponentes morrerem aos poucos não foram memórias muito agradáveis de se ter. Grande parte de sua trava em relação ao pai vinha de tais acontecimentos.

- Ele... grita pouco comigo... mas atira em quem fica contra ele. Ele... - e não conseguiu mais continuar.

Vendo que se perdia em expressões de temor, ele retomou o sorriso jovial e disse:

- Mas meu pai quer que a gente brinque, então podemos brincar bastante. Dorian... ele estava comigo na carruagem, mas acho que deve ter sido mandado ajudar com os serviços da casa... Ele é um aprendiz na minha casa. Ele é muito legal. Espero que a gente possa brincar juntos um dia.

Lilian escreveu:Mas com um sorriso tímido demais para alguém tão levada, Lilian prendia uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha e dava mais um passo até Adrian, diminuindo ainda mais a pouca distância entre eles.


Adrian ergueu as sobrancelhas diante deste movimento, corando levemente. Ela havia ficado muito perto. Seu vestido agora deixava mais exposta sua pele alva, seus traços sutis. O doce perfume de rosas tomou os sentidos do jovem por alguns segundos. Sentiu ímpetos de abraçá-la, mas apenas fechou os punhos firmemente, segurando-se.

Lilian escreveu:Segurando em uma das mãos dele, dava um lixeiro puxão para que seu corpo ficasse levemente curvado, como se na já presente brincadeira alguém pudesse ouvi-los e impedi-los de brincar.*

- Você não esta brincando comigo, né? Se eu quiser brincar de alguma coisa, QUALQUER COISA, você brincaria comigo, Adrian? Mesmo que fosse de boneca? De corrida? De achar o lenço... mesmo de casinha, você sendo o papai e eu a mamãe?

O puxar de mãos surpreendeu o jovem completamente. Enquanto Lilian falava, Adrian apenas olhava para sua suave e pequenina mão que lhe apertava naquele momento. Em um movimento involuntário, retribuiu o aperto levemente.

Chamado a comprovar sua palavra, Adrian despertou de seu embaraço e olhou Lilian com um leve temor a respeito do "qualquer coisa", o que piorou ao ouvir bonecas, mas uma surpresa indisfarçável o alcançou quando ouviu "papai" e "mamãe". Não pôde deixar de pensar no que Lilian estava pensando. Ela queria conhecê-lo mais, com certeza. Talvez quisesse saber se ele seria um bom marido. Uma pena que ele nunca tinha brincado disso antes com Dorian, um pensamento que o repugnou em seguida. Teria que se dar bem logo na primeira tentativa. De alguma forma, Adrian sentia que seu futuro com Lilian dependeria daquela brincadeira. Respirou fundo, engoliu em seco e finalmente respondeu:

- Sim... podemos brincar do que você quiser... inclusive de casinha. - e um embaraço escapou de seus lábios e séria expressão, olhando Lilian com o canto dos olhos, como se cúmplices em um ato ousado, ainda segurando a mão dela.

Lilian escreveu:- Vamos fazer assim: vamos pra floresta. Você tira seu sapato e eu também. Você vai ter de dobrar a calça um pouco, dai não gruda nem folhas ou flores e nem sujeira de terra na nossa roupa. Ainda quer brincar? Não esta com... vergonha... por brincar com uma menina?

Adrian arrumou sua postura quando ouviu a proposta de ir à floresta, imaginando se tratar do pequeno bosque próximo, e acenou a cabeça, satisfeito. Queria mesmo passear mais pelo condado antes de ter que voltar pra casa. O condado de Lilian era muito mais belo e acolhedor que o seu, essa era sua impressão. Quando ela terminou de falar, ele respondeu com gentil sorriso nos lábios e um tom de voz doce que parecia querer acolher todas as esperanças de Lilian e lhe garantir que tudo seria até mesmo melhor do que ela imaginava:

- Sim... claro que quero brincar, Lilian. Podemos tirar os sapatos quando estivermos perto da floresta e daí nós os levamos nas mãos. Vamos? - concluiu, sorrindo tranquilizadoramente para ela.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Qui 15 Set 2011, 18:20

*Lilian olhava com certa confusão para Adrian, queria entender porque parecia tão nervoso, não podia, afinal, ser por causa do pai dele. Tom Galiard era um herói, alguém cuja habilidade lhe valera um tiro, se fossem seus irmãos falariam por horas do quão fantástico ele era. Por que Adrian agia daquele modo diferente?

Mesmo com essas dúvidas na cabeça sobre seu futuro genro, Lilian não conseguia dar realmente importância ao assunto naquele momento e apenas dava de ombros, educadamente ouvindo a resposta de Adrian e deixando que o que não fora dito ficasse assim mesmo. Apenas escutava o que lhe interessava e isso bastava, se o pai dele deixava, seus pais diriam que brincar era a coisa mais sensata que os dois poderiam fazer naquele momento.*

-Meus pais não falaram nada de eu não poder brincar com você , mas não gostariam se eu brincasse com o seu amigo Dorian, também tenho muitas amigas que são aprendizes em nossa casa e até filhas de servos, mas só posso brincar escondida. Dizem que não posso me misturar, que eu sou uma nobre e isso deve vir em primeiro lugar quando eu escolher as amizades. Mas acho que estão errados. Não é a nobreza que define quem é ou não seu amigo.

*Olha-lo de perto era ainda melhor do que olha-lo de longe, mas seu estômago estava agitado denovo e ele, por algum motivo, não notara direito que segurara a mão dele, estava tão acostumada a isso, que o fizera impulsivamente e apenas agora que sentia-o apertar sua mão, percebia o que fizera e que isso a deixava ainda mais agitada do que qualquer outra coisa, seus ombros estavam próximos, quase grudados e a voz dele, mesmo como um sussurro parece atingi-la de alguma forma. Nem percebia o desconforto que as brincadeiras que sugeriam causavam, alias inicialmente quisera mesmo deixa-lo assim, pra saber se queria mesmo brincar com ela. Mas como poderia não se sentir novamente com uma pedra na garganta pelas mãos unidas? Percebia que não sabia mais se queria brincar, mas era loucura, sempre queria brincar, e ele acabara de aceitar brincar de sua brincadeira favorita, aquela que só conseguia jogar com Kate e suas amigas, e nem sempre ela era a mãe. Sentia, com um calafrio de medo e excitação, que uma brincadeira com um menino ia ser completamente diferente.

Erguendo-se devagar, olhava-o em silêncio por alguns instantes, não queria separar a mão dos dois, mas também não podia ficar parada ali daquele jeito, apenas olhando o sorriso dele como senão pudesse escapar ou como se ele a transformasse em pedra. Não sabia que pessoas podiam fazer isso com sorrisos também, que te prendiam no chão. Será que sua mãe também se sentira assim quando conhecera o seu pai? Depois ia perguntar, ou perguntaria a Kate, sua irmã com certeza responderia, o que não poderia afirmar sobre a mãe. Dando mais um passo a frente, ficava na ponta dos pés , desfazia as mãos unidas e pousava as mãos no ombro dele, sussurrando ao seu ouvido, meio sem folego e muito risonha.*

- Sabe, quando eu te olhei, achei que você não era mesmo como os meninos que eu conhecia.*Ria um pouco mais, a cabeça quase encostando no peito dele, as mãos escorregando para baixo sem toca-lo e se afastou, voltando a segurar nas maos dele, descobrindo que queria continuar segurando-a, mesmo sentindo agitação, e a sacudindo.-Eu estava certa. Agora vamos lá, eu fiz uma cabana no bosque a umas duas noites atrás e ele é lindo, até acho que uma família de animais começou a morar lá para se proteger da chuva, podíamos fingir que eles eram nossos filhos, o que acha?

*Feliz por ter um motivo para segurar as mãos dele por mais um tempo, a puxava enquanto começava a correr em direção ao bosque, não gritava ou acenava, para os poucos funcionarios que vinham, mas tinha um grande sorriso nos lábios, era uma aventura e podia enfim brincar naquele dia, não achava que poderia aquele noivado ser alguma coisa boa, mas já começava a mudar de idéia.
*
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qui 15 Set 2011, 22:58

Lilian escreveu:-Meus pais não falaram nada de eu não poder brincar com você , mas não gostariam se eu brincasse com o seu amigo Dorian, também tenho muitas amigas que são aprendizes em nossa casa e até filhas de servos, mas só posso brincar escondida. Dizem que não posso me misturar, que eu sou uma nobre e isso deve vir em primeiro lugar quando eu escolher as amizades. Mas acho que estão errados. Não é a nobreza que define quem é ou não seu amigo.

- Eu sei como é... meu pai diz a mesma coisa sobre Dorian. Eu apenas consigo brincar com ele porque minha mãe deixa. Eu também acho que eles estão errados. Dorian é muito legal. Um dia te apresento ele. Ele é um elfo. - e a última frase foi dita com um ar de suspense e importância. Elfos, afinal, eram comuns em Le Dulce, mas sempre cercados de glamour e respeito, difícil de se aproximar deles, ainda mais de crianças élficas.

Lilian lembra de ter visto duas crianças élficas até agora e nunca teve a oportunidade nem de conversar com elas.

Lilian escreveu:Dando mais um passo a frente, ficava na ponta dos pés , desfazia as mãos unidas e pousava as mãos no ombro dele, sussurrando ao seu ouvido, meio sem folego e muito risonha.*

- Sabe, quando eu te olhei, achei que você não era mesmo como os meninos que eu conhecia.*Ria um pouco mais, a cabeça quase encostando no peito dele, as mãos escorregando para baixo sem tocá-lo e se afastou, voltando a segurar nas mãos dele, descobrindo que queria continuar segurando-a, mesmo sentindo agitação, e a sacudindo.-Eu estava certa. Agora vamos lá, eu fiz uma cabana no bosque a umas duas noites atrás e ele é lindo, até acho que uma família de animais começou a morar lá para se proteger da chuva, podíamos fingir que eles eram nossos filhos, o que acha?

Adrian arregalou levemente os olhos ao vê-la se aproximar novamente. Seu hálito roçando em seus ouvidos causou um súbito rubor em sua face. Olhou para ela ainda levemente espantado e encabulado, mas, assim que ela desceu, ele tratou de tentar recuperar seu sorriso, agora um pouco forçado na gentileza. Olhou para as mãos que ela unia novamente e sorriu aliviado, voltando a olhar nos olhos dela, sentindo-se feliz por ter superado as expectativas de alguém nesta vida, algo que nunca acontecera até aqui. E como isso foi importante para ele, ainda mais importante por ter sido dito por alguém que ele queria mesmo impressionar. Apertou de volta a mão dela, enquanto respondia, feliz e satisfeito:

- Você fez uma cabana? Que legal! Vamos lá, sim, mas... que animais podem estar lá? Pode ser... lobos? Isso seria perigoso... - e assumiu uma expressão levemente preocupada, olhando para o lado.

Ao se perceber arriscando a diversão de Lilian, arregalou levemente os olhos e se corrigiu:

- Mas não tem problema! Se algum bicho aparecer, eu te protegerei, Lilian. Vamos, então? - e seguiu logo ao lado da jovem que lhe segurava ainda a mão enquanto corriam pelo campo florido em direção ao bosque.

Como era bom correr ao ar livre com mais um amigo! Como era bom poder sorrir mais! Como era bom ser aceito e bem quisto, sem cobranças, sem rispidez, sem olhares mordazes e frases repletas de exigências que não conseguia entender e muito menos cumprir. Como era bom estar ao lado de Lilian!

E assim Adrian seguiu Lilian até a beirada do bosque, onde tiraram seus calçados. Adrian dobrou as calças até abaixo do joelho e amarrou os cadarços dos sapatos, segurando-os pelo laço com a mão esquerda.

Em poucos minutos, Lilian os havia levado até sua cabana feita com muitos galhos e folhas, meio caída pela ação do tempo e do vento.

A cabana era de teto triangular que tocava o chão. O teto mal tinha a altura de Adrian.

Não havia animal algum ali e não viram nenhum pelo caminho, além dos belos pássaros que cantavam, como se os recebendo em serenata. Adrian se deteve alguns segundos para admirá-los, abrindo a boca em admiração e sorriso, mas logo olhou novamente para Lilian e sorriu feliz, aguardando que ela lhe indicasse como seria a brincadeira.

No quintal da cozinha, Dorian permaneceu sentado por algum tempo, rápido demais para conseguir ao menos se acalmar, quando uma pequenina pedrinha o acertou fortemente na testa. Abrindo os olhos, ele viu seu mentor, Sigmond, o Dançarino das Sombras, oculto na quina da mansão, lhe fazendo sinais com as mãos, indicando os próprios olhos e depois apontando para Adrian e Lilian que corriam em direção ao bosque. Dorian sabia o que seu mentor queria: ele deveria se embrenhar às ocultas no bosque e cuidar da segurança de Adrian, caso algo inesperado acontecesse. Quando voltou a olhar para a quina, Sigmond havia sumido. Sua ordem havia sido dada e dias de confinamento numa masmorra escura aguardavam Dorian se ele não cumprisse aquela ordem. Isso ele bem sabia.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Sex 16 Set 2011, 11:36

- ai!

Dorian fica perdido por alguns segundos pela agressão repentina, em dúvida se corria ou se escondia... Então viu o dançarino das sombras. Seu sangue gelou e a tensão volta ao corpo do pequeno elfo. Suas aparições eram sempre assim... Assustadoras. Dorian nunca sabia o quanto ele observava e o quanto ele sabia de seus segredos. Pelo menos, as dúvidas em sua mente sumiam, dando lugar ao sentido de alerta. Observou os sinais do tutor e viu Adrian e a pequena Mairwen correrem para a mata. Dorian percebeu logo o que ele queria...

“Quer que eu vá atrás deles? Agora? Mas a Milady pediu para esperá-la! Eu faço o que agora? Por que você não os segue, seu chato das sombras?”

Obviamente ele sumiu ao olhar uma segunda vez... Como de hábito, não havia discussão com ele. O aprendiz que se virasse em cumprir a ordem ou seria punido... Dorian suspira tristemente com essa falta de liberdade de fazer o que bem entendesse...

“Não tenho escolha né? Perdoe-me por não esperá-la, Milady. Espero que possamos conversar mais depois. Agora... Onde será que aqueles dois vão?”

Dorian levanta de um salto e corre até a borda do bosque. Confere a pequena adaga escondida em sua bota, sempre esperando não ter que usa-la e segue furtivamente entre as sombras deixadas pelas arvores, com o passo mais leve possível, evitando folhas secas e galhos em seu caminho.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Sex 16 Set 2011, 17:43

*Arregalando os olhos, Lilian abriu a boca com deselegância e descrédito, completamente surpresa e já levemente curiosa sobre o elfo que era amigo de Adrian.*

- Um elfo? De verdade? E ele aceitou ser seu amigo? O que você fez? Já sei, salvou a vida dele, né? E... Você tocou na orelha dele? Elas devem ser moles, né? Que nem as do coelho, ou não? São duras como as nossas? E quando ele fala, ele tem algum sotaque engraçado? Eu acho que nunca ouvi um elfo falando, só sei que são elegantes e muito magros. Você... você acha que ele iria querer ser meu amigo?

* O sorriso que lhe era dedicado após sua confissão a deixava satisfeita e aliviada consigo mesma, porque aquilo estava apertando dentro de si, guardar silêncio sobre sua opinião dele, sobre estar gostando de seu sorriso e achar bom segurar as mãos dele enquanto conversa. Claro, que adoraria correr para Kate e contar tudo, como deveria fazer, mas, de alguma forma, compreendia e desejava que no futuro casamento dos dois, ela pudesse sempre falar a verdade um pro outro inclusive sobre como se sentiam. E parecia que estava certa, pois Adrian lhe sorria de um jeito feliz e apertava mais sua mão. Sim, a partir daquele dia, sempre ia abrir-se pro seu noivo primeiro. Correndo na direção do bosque, o respondia excitada, tendo dificuldade em manter o tom de voz baixo.*

- Fiz sim e sozinha. Meus irmãos acharam uma bobeira, queriam ficar brincando de outras coisas, como caçada e perseguição, eu odeio essas brincadeiras, sempre me usam como presa. Mas não tem lobos aqui não, nós temos caçadores entre os serviçais. Eles sempre vasculham a área para verificar se tem pegadas ou outros traços de animais, minha mãe e meus pais se preocupam muito com isso, sabem que eu e meus irmãos passamos o dia todo no bosque. Acho que se tiver um animalzinho pequeno, tipo esquilo, rato, pombo e essas coisas.

*Longe de achar que a brincadeira estava acabada ria alegremente da pergunta de Adrian, achando que os pais dele não deveriam deixá-lo brincar muito em bosques ou florestas, mas a risada morria e virava um sorrisinho miúdo e gostoso, emocionado das palavras do garoto que corria ao seu lado.*

- Me protegeria mesmo? Eu, eu não teria medo de nada, então.

*Parando próxima a entrada do bosque, retirava os delicados e novos sapatos e os segurava em uma das mãos, com a outra fazendo sinais impacientes para que ele a seguisse, ansiosa para saber qual seria a opinião dele quanto a sua obra prima. Era a maior casa que já tinha construído. Chegando a cabana, soltava a mão dele e fazia um giro dramático para apresentar a sua mais orgulhosa produção.*

- TADDAAAA. AQUI ESTA A CASA DOS MEUS SONHOS. E demorei três horas pra construir isso, ufa, eu entendi como é trabalho duro depois desse dia. Nunca mais achei que existia gente preguiçosa

*Entrava com facilidade na cabana, olhando cada pássaro com admiração e felicidade, era bom, mostrar seu trabalho a alguém cuja opinião importava tanto, e nem sabia que se importaria tanto. Vendo que estava parado, percebia que estava mesmo no comando da brincadeira.*

- O que acha de fazermos assim, somos elfos, não, não, teríamos de achar algo pra por no lugar das orelhas e acabaríamos com coisas no cabelo, nossos pais iam nos dar uma baita bronca. Podíamos, ah já sei, podíamos fingir que é o primeiro dia de inverno e você está voltando pra casa e eu tenho de preparar tudo e você começa a contar na frente da lareira o que fez. O que acha? Vamos começar?
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Em algum outro lugar do bosque...

Mensagem  Lucius em Sex 16 Set 2011, 20:29

Dorian rapidamente percorreu o campo à sua frente e logo alcançou o bosque, mas Lilian e Adrian já haviam sumido no meio da mata! Precisava se apressar, mesmo que evitando os galhos secos no chão, e foi assim que Dorian descobriu como era muito mais difícil ser silencioso enquanto queria se mover mais rápido. Mas não foi suficiente. Não os achou. Continuou andando em frente, tendo apenas a companhia de pássaros, coelhos e esquilos ao seu redor, ironicamente cuidando muito bem os seus passos.

Quando já havia entrado mais de cem metros para dentro do bosque, o barulho de um arbusto próximo chamou a atenção de seus afiados sentidos élficos e viu algo atrás da pequena árvore, mais precisamente alguém: era uma jovem menina vestindo trajes de couro curtido, um tanto rústicos, mas que pareciam acentuar os belos traços que ela possuía. Mas o que mais chamou a atenção não foram seus olhos cor de mel que o olhavam com sincera curiosidade. O que mais chamou a atenção foram suas orelhas pontudas. Ao lado dela, surgiu um filhote de tigre branco, do tamanho de um gato, emaranhando-se entre suas pernas, dedicando apenas esparsos olhares para o ruivo elfo da cidade que tinha vindo visitá-los.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Sab 17 Set 2011, 03:14

“E agora? Como vou proteger o Adrian se não consigo acha-lo? Como vou acha-lo se nem eu mesmo me acho? Que hora para brincar de esconder... Onde ele foi?”

Dorian começava a se irritar... Sentia-se ridículo ao permitir que Adrian se escondesse dele. Afinal não era o seu trabalho vigiar os passos dele? Agora estava concentrado demais nos seus próprios passos barulhentos e irritando-se cada vez mais com os animais que olhavam para ele.

Pensava para onde devia ir, quando ouviu o farfalhar das folhas e olhou de imediato. Finalmente! Dorian estava disposto a acabar com a brincadeira e pedir para que os dois voltassem com ele... Assim poderia ver Lady Kate novamente. Jogando a Furtividade as favas, Dorian se preparava para falar quando viu a menina desconhecida.

“Não é o Adrian e nem a pequena lady... Não te conheço... Ei! Aquilo são orelhas pontudas?”

Dorian olhava desconfiadamente para a menina, ainda mantendo a distância. O pequeno elfo olhava com igual curiosidade para ela e começando a perceber as coisas. Ele já havia visto outros elfos de relance, mas nunca tinha visto outra criança de sua raça... E ainda por cima uma menina élfica... Ou pelo menos tudo dava a entender que era. Aquele parecia ser o dia dos encontros raros.

“Será que é uma elfa mesmo? Parece que sim... Vamos lá, não posso perder essa chance! Preciso dizer alguma coisa... E logo...”

E lá vinha a timidez de novo... Dorian pensava que devia superar essa dificuldade o mais breve possível. Olhava para ela, desviando a atenção as vezes para o felino e finalmente cria coragem para falar...

- Oi. Meu nome é Dorian. E o seu? Você é uma elfa mesmo? Nunca tinha visto alguém como você antes... Mora aqui?

Dorian se referia ao condado Mairwen e não a mata... Afinal deveria ser uma moradora da casa, como outras crianças que estavam na cozinha... Pelo menos a julgar pela roupa estranha. Esperaria mais alguns segundos, como se avaliasse novamente a menina a sua frente para ter certeza de que era mesmo uma elfa e fala:

- Que bom que te achei... Eu estou procurando um menino e uma menina de mãos dadas que entraram no bosque. Um é meu amigo Adrian e a outra é a pequena lady Mairwen... Preciso achar eles rápido ou vou ser castigado... Por acaso os viu passando?
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Na cabana...

Mensagem  Lucius em Sab 17 Set 2011, 16:04

As perguntas sobre Dorian foram atropeladas pela corrida ao campo. Adrian então resolveu falar mais do amigo outra hora.

Adrian sorriu ao ouvir que Lilian havia construído tudo sozinha. Ele admirou essa força e coragem.

Quando Lilian disse que ela não temeria porque Adrian a protegeria, ele ficou sorriu satisfeito, e a seguiu pelo bosque.

Lilian escreveu:- O que acha de fazermos assim, somos elfos, não, não, teríamos de achar algo pra por no lugar das orelhas e acabaríamos com coisas no cabelo, nossos pais iam nos dar uma baita bronca. Podíamos, ah já sei, podíamos fingir que é o primeiro dia de inverno e você está voltando pra casa e eu tenho de preparar tudo e você começa a contar na frente da lareira o que fez. O que acha? Vamos começar?

Adrian sorriu perante a ideia de serem elfos! Ele sempre se perguntara como seria se também fosse como Dorian. Talvez pudessem andar mais juntos...

Quando Lilian falou da bronca que levariam, Adrian acenou positivamente a cabeça, para descartarem a ideia. Assim que ela terminou de falar, Adrian ficou um tanto nervoso, perdido. Não sabia muito bem como deveria se portar um pai que volta para casa e começa a conversar com a esposa. Seu pai nunca tinha feito nada disso. Aliás, seus pais pareciam não gostar de conversar muito entre si.

Um tanto perdido, olhando para os lados de tempos em tempos durante alguns segundos, Adrian finalmente olhou sorrindo sem graça para Lilian e disse:

- Olá... querida. - e deu um passo para dentro da cabana, curvando-se levemente, encarando Lilian por um segundo para depois se virar para uma lareira imaginária, sentando-se no chão. - Eu hoje... Eu hoje salvei os fazendeiros, lutando contra orcs que atacaram um vilarejo. Eu... Eu derrubei todos eles! - e dizia com um sorriso sem graça, como se tentasse passar credibilidade no que estava dizendo. - Mas nunca parece que basta. Sempre tem mais e mais problemas pra resolver. Daí eu sempre fico mais tempo fora de casa. - pareceu não falar sobre si mesmo, mas sobre outra coisa, o que o deixou levemente pensativo, perdido no papel que lhe cabia.
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Em algum outro lugar do bosque...

Mensagem  Lucius em Sab 17 Set 2011, 16:15

Dorian escreveu:- Oi. Meu nome é Dorian. E o seu? Você é uma elfa mesmo? Nunca tinha visto alguém como você antes... Mora aqui?

A jovem elfa arregalou levemente os olhos perante as primeiras palavras de Dorian, parecendo se acostumar com aquele idioma, e apenas acenou positivamente a cabeça quando ele perguntou se ela morava ali. Parecia que timidez não era um problema que apenas Dorian estava enfrentando...

Dorian escreveu:- Que bom que te achei... Eu estou procurando um menino e uma menina de mãos dadas que entraram no bosque. Um é meu amigo Adrian e a outra é a pequena lady Mairwen... Preciso achar eles rápido ou vou ser castigado... Por acaso os viu passando?

Novo arregalar e olhos e a jovem olhou para os lados, como se buscasse encontrar os amigos de Dorian, mas então ela o olhou novamente e acenou negativamente a cabeça.

Passados alguns segundos de estranho silêncio, ela deu um passo a frente antes que Dorian fosse atrás de seus amigos, e uma baixa e doce voz feminina se fez ouvir:

- Dorian... Seu nome é Dorian? Você é um elfo também... Mas... é da cidade, né? - e deu outro passo e mais um passo, aproximando-se devagar e cautelosamente dele.

O filhote de tigre olhava da garota para Dorian e resolveu ir cheirar os pés do jovem elfo.

A jovem se aproximou mais, estendendo a mão para tocar nos cabelos de Dorian, como se quisesse uma prova física de que ele estava ali e era daquele jeito. Um brilho de curiosidade e leve encanto tomava seus olhos.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Seg 19 Set 2011, 14:04

Dorian não sabia muito o que dizer... A menina elfica parecia tão surpresa e encabulada quanto ele... O que poderia complicar mais ainda a conversa. Por um momento pensou que ela não entendia sua palavras, mas os tímidos acenos mostravam que estava enganado. Ela não havia visto seu amigo e a futura noiva, logo não passaram aqui. Dorian pensou em se despedir para procura-los quando...

Passados alguns segundos de estranho silêncio, ela deu um passo a frente antes que Dorian fosse atrás de seus amigos, e uma baixa e doce voz feminina se fez ouvir:

- Dorian... Seu nome é Dorian? Você é um elfo também... Mas... é da cidade, né? - e deu outro passo e mais um passo, aproximando-se devagar e cautelosamente dele.

O filhote de tigre olhava da garota para Dorian e resolveu ir cheirar os pés do jovem elfo.

Dorian deu um passo para trás em resposta do primeiro... Aprendeu a não confiar em ninguém e pensava em sair dali rapidamente, mas algo mais instintivo pareceu ser acionado ao ouvir a voz dela. Simplesmente parou onde estava e não mais recuou. Sentia que não havia nada a temer e que a curiosidade dela também era a sua. O jovem elfo ainda estava tenso mas era pela perspectiva da novidade diante dele. Começou a puxar pela memória a línguagem elfica, que apesar de aprendida durante a infância quase nunca usou... Pensava que agora seria util.

- É... Esse é meu nome... E sim, sou da cidade... Você não é?

Olhou para o pequeno tigre que parecia tentar conhece-lo como faziam os cachorros. Pensou em fazer um afago no belo bichinho... Porém teve uma surpresa ao se voltar para a menina para perguntar a respeito dele...

A jovem se aproximou mais, estendendo a mão para tocar nos cabelos de Dorian, como se quisesse uma prova física de que ele estava ali e era daquele jeito. Um brilho de curiosidade e leve encanto tomava seus olhos.

Era a vez de Dorian arregalar os olhos. Em sua convivência, percebeu que pessoas precisam ser muito intimas para querer se tocar, como pais e filhos, maridos e esposas e até homens e suas amantes... Estranhos entre si não tocavam e não desejam ser tocados... Então porque Dorian naquele momento não se importava com tal convenção?

Dorian fica parado olhando com igual curiosidade para a menina que se aproximava. Permitiria sua aproximação e não evitaria seu toque. Apesar de estar morrendo de vontade de fazer o mesmo, pemanece parado. Sua pele devia estar rubra e o calor quase o fazia suar de nervosismo, mas ainda arriscaria mais algumas palavras em elfico:

- Er... Bem... Você não mora na casa da familia Mairwen, senhorita... Digo moça... Menina... E... bem... Ainda não disse o seu nome...
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Lucius em Qua 21 Set 2011, 22:42

Dorian escreveu:- É... Esse é meu nome... E sim, sou da cidade... Você não é?

As palavras em élfico pareceram assustar a jovem elfa. De alguma forma, ela não esperava que Dorian fosse capaz de falar aquela língua, e ela sorriu em seguida ao ver que ele podia. E sorrindo satisfeita, ela disse, agora sempre em élfico:

- Não. Eu sou da natureza. - respondeu, abrindo os braços na horizontal com as mãos espalmadas e dedos abertos.

Dorian escreveu:- Er... Bem... Você não mora na casa da familia Mairwen, senhorita... Digo moça... Menina... E... bem... Ainda não disse o seu nome...

Ela tirou lentamente a mão dos cabelos de Dorian, passando a olhá-lo nos olhos, e depois respondeu:

- Eu... me chamo Vanamari Seregon.- e ela curvou levemente a cabeça, movendo levemente os braços ao lado do corpo, assemelhando-se a algum tipo de reverência respeitosa.

Erguendo-se novamente, ela perguntou, com uma crescente desenvoltura, enquanto se acostumava com o visitante:

- Dorian... qual o nome da sua família? E por que foram viver nas cidades de pedra?
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Qua 21 Set 2011, 23:52

- Não. Eu sou da natureza.

Dorian ergue levemente as sombrancelhas em sinal de surpresa. Já ouviu falar de pessoas que vivem em florestas... O lar dos elfos era em uma grande floresta... Pelo menos era o que tinha ouvido. Perguntava-se se vivia aqui sozinha ou com outros elfos... e como conseguia fazer isso.

- Eu... me chamo Vanamari Seregon. - e ela curvou levemente a cabeça, movendo levemente os braços ao lado do corpo, assemelhando-se a algum tipo de reverência respeitosa.

Vanamari Seregon... de fato, parecia um nome bem diferente, pensava Dorian. O pequeno elfo comtempla a saudação e por um momento não entende porque ela fazia reverência a um simples servo como ele. Será que elfos se cumprimentam sempre deste jeito entre eles? Na dúvida, imite, como dizia o povo humilde da vila onde cresceu. Ainda que de forma atrapalhada e um tanto sem jeito, Dorian faz uma reverência à menina também.

- Dorian... qual o nome da sua família? E por que foram viver nas cidades de pedra?

Neste momento Dorian sente a pergunta que ja havia sido feita por Kate antes... Pergunta sobre a sua familia... E duas vezes no mesmo dia... Não era legal falar disso, mas pensou que a dúvida dela era algo natural, para não dizer óbvia. Com uma triste expressão, Dorian olha para o chão onde esta o pequeno tigre e diz em élfico:

- Eu não sei o nome da minha família. Cresci em uma casa grande... Sozinho... Em um vilarejo humano. Dizem que me acharam na casa chorando quando eu era um bebê... E com a ajuda deles eu vivia lá... Até ser adotado pela familia Galiard. Tenho vivido lá desde então. Estou aqui porque Adrian, meu amigo, veio conhecer a futura noiva... E eu tenho o trabalho de vigiá-lo... Mas desculpe, isso não deve ser interessante para ti... Mas não tenho um sobrenome para te dizer... Só Dorian mesmo.

Olha de volta para Vanamari novamente curioso:

- Mas tu moras sozinha aqui neste bosque? Acho que não. Teus pais devem estar perto, não é?

Dorian olha brevemente para o pingente em seu peito e olha de volta para Vanamari.

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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Sex 23 Set 2011, 01:24

*Lilian não queria pensar nos pais e por isso, apenas prestava atenção em como brincava, sempre tomando cuidado para não sujar o límpido vestido branco que todos elogiaram e que agora a fazia se sentir bonita.

Pensava até em ir até seu quarto e por seu vestido de sapo, com esse poderia até fazer bolinhos de lama e quem sabe até uma sopa de folhas, claro que ia precisar de outro banho depois disso, mas poderiam assim brincar de verdade e ia ser muito divertido...

Aliás, já se sentia divertida em apenas observar o desconforto de Adrian em brincar com ela, pelo visto nenhum menino gostava dessa brincadeira, e nunca brincariam sem uma menina por perto para sugerir. Ela adorava, claro que suas amigas sempre a ensinavam como os pais agiam, afinal, seu galante e falador pai só gostava de falar com adultos e com seus filhos homens, para ela e Kate só falava umas coisas bobas.

Por isso, ao ver que seu noivo sorria-lhe inseguro, ensaiava o que achava ser seu sorriso mais encorajador, mas que ainda tinha traços da diversão que sentia e com a habilidade e a desenvoltura de que era capaz, ficava numa parede oposta e mexia os braços e as mãos como se estivesse cozinhando. *

- Olá querido, sente-se ao fogo, acabei de acendê-lo pra você. *Levando a mão até a saia fingia seca-la e então pegando uma folha a segurava como se simulasse um copo e levava até ele, agachando-se ao seu lado.* - Beba, vai te animar. E ah, esses fazendeiros... eles devem provocar os Orcs, todo inverno é a mesma coisa, ataques de Orcs um atrás do outro, não fosse você, meu marido, estariam perdidos.* Balançava a cabeça em desgosto, sentindo dentro da brincadeira uma certa raiva por ver seu marido esgotado assim por causa dos fazendeiros. Percebia algo diferente ali e um tremor percorria o seu corpo, mas era brincadeira, era claro que era brincadeira. Afinal, como Adrian poderia entender de coisas assim? Mas o impulso parecia maior do que ela e um tanto atrapalhada, sentindo o vestido preso entre um dos joelhos, abraçava-o fortemente como imaginava esposas faziam, ao menos como Kate fazia e ela tanto gostava.*- E você teria paz ficando comigo e deixando os outros se machucarem? Eu me orgulho de você. E sei que nossos filhos também irão, deveria era ser esperto e cobrar pra salvar eles todos os anos.
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Em algum outro lugar do bosque...

Mensagem  Lucius em Sab 24 Set 2011, 10:06



Dorian escreveu:Na dúvida, imite, como dizia o povo humilde da vila onde cresceu. Ainda que de forma atrapalhada e um tanto sem jeito, Dorian faz uma reverência à menina também.

Vanamari riu de forma contida, colocando a mão direita sobre a boca, e depois perguntou, sorridente:

- Por que você fez a reverência das Damas da Primavera? - e, neste momento, um estalo veio à mente de Dorian: Vanamari, em élfico, significa "Primavera Florida", não que isso explique o que são as Damas da Primavera.

Dorian escreveu:Com uma triste expressão, Dorian olha para o chão onde esta o pequeno tigre e diz em elfico:

- Eu não sei o nome da minha família. Cresci em uma casa grande... Sozinho... Em um vilarejo humano. Dizem que me acharam na casa chorando quando eu era um bebê... E com a ajuda deles eu vivia lá... Até ser adotado pela familia Galiard. Tenho vivido lá desde então. Estou aqui porque Adrian, meu amigo, veio conhecer a futura noiva... E eu tenho o trabalho de vigia-lo... Mas desculpe, isso não deve ser interessante para ti... Mas não tenho um sobrenome para te dizer... Só Dorian mesmo.

Olha de volta para Vanamari novamente curioso:

- Mas tu moras sozinha aqui neste bosque? Acho que não, teus pais devem estar perto não é?

Vanamari observou atenta a expressão triste de Dorian e o ouviu com uma atenção respeitosa. O pequeno felino olhou para o rosto da jovem elfa e foi se sentar ao lado dela. Quando Dorian terminou, ela estendeu a mão em uma carícia ao rosto do jovem, dizendo:

- Tadinho... Você deve ter ficado triste nesse tempo, né? Os humanos são muito maus e burros, destruindo o próprio lar que é o mundo. Devem ter te tratado muito mal... mas hoje eu vou te levar até minha aldeia. Vou te apresentar Belimarel, Kandrath, Zeffit, Talyaren e também vou falar com papai e mamãe pra você poder ficar com a gente. Venha comigo! - e estendeu a mão direita para ele, com um sorriso acolhedor no rosto, enquanto o felino se erguia e olhava atento para os lados.


Última edição por Lucius_D em Dom 25 Set 2011, 00:09, editado 1 vez(es)
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Na cabana...

Mensagem  Lucius em Sab 24 Set 2011, 10:47

Lilian escreveu:- Olá querido, sente-se ao fogo, acabei de acendê-lo pra você. *Levando a mão até a saia fingia secá-la e então pegando uma folha a segurava como se simulasse um copo e levava até ele, agachando-se ao seu lado.* - Beba, vai te animar. E ah, esses fazendeiros... eles devem provocar os Orcs, todo inverno é a mesma coisa, ataques de Orcs um atrás do outro, não fosse você, meu marido, estariam perdidos.

Adrian pegou a folha "copo", olhando alguns segundos para Lilian e então entendeu que deveria fingir beber algo, e foi o que fez, dizendo depois, com expressão levemente envergonhada:

- O...Obrigado, ... querida. Estava muito bom.

Lilian escreveu:*Balançava a cabeça em desgosto, sentindo dentro da brincadeira uma certa raiva por ver seu marido esgotado assim por causa dos fazendeiros. Percebia algo diferente ali e um tremor percorria o seu corpo, mas era brincadeira, era claro que era brincadeira. Afinal, como Adrian poderia entender de coisas assim? Mas o impulso parecia maior do que ela e um tanto atrapalhada, sentindo o vestido preso entre um dos joelhos, abraçava-o fortemente como imaginava esposas faziam, ao menos como Kate fazia e ela tanto gostava.*- E você teria paz ficando comigo e deixando os outros se machucarem? Eu me orgulho de você. E sei que nossos filhos também irão, deveria era ser esperto e cobrar pra salvar eles todos os anos.

Adrian enrijeceu diante do abraço de Lilian! Seus olhos arregalados, sua respiração parou, e, quando Lilian falou "nossos filhos", Adrian teve um inesperado sobressalto para trás, o que desequilibrou Lilian, curvada sobre ele, e a fez cair sobre ele, cara a cara, com seus lábios sobre os lábios dele. O peito de Lilian sobre o peito de Adrian. As roupas nobres eram espessas mas era possível sentir a firmeza dos músculos do jovem, enrijecidos no momento, como uma pedra, mas ainda emitindo o leve calor humano, agora sensível à pele de Lilian. Adrian não respirava direito, muito menos pela boca.

Adrian corava cada vez mais enquanto permanecia parado, como se temesse ser tido como um aproveitador, esperando que ela sozinha se erguesse.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Fabricix em Sab 24 Set 2011, 11:29

- Por que você fez a reverência das Damas da Primavera?

Quando percebe a gafe que está cometendo, Dorian fica ainda mais rubro que antes. Realmente não sabia falar com elfos... Uma vergonha! Ele era um elfo afinal... Devia ter percebido antes! Desfazendo o gesto rapidamente, Dorian fica em posição ereta, mas não conseguindo olhar para a menina elfo diante dele.

"Que vergonha... Que belo Elfo eu sou hein? Onde está o buraco de tatu mais próximo para eu me jogar nele?"

Dorian quase agradece quando a menina muda de assunto... Só era uma pena que era uma pergunta difícil. Dorian respondeu e surpreendeu-se com a resposta...

- Tadinho... Você deve ter ficado triste nesse tempo, né? Os humanos são muito maus e burros, destruindo o próprio lar que é o mundo. Devem ter te tratado muito mal... mas hoje eu vou te levar até minha aldeia. Vou te apresentar Belimarel, Kandrath, Zeffit, Talyaren e também vou falar com papai e mamãe pra você poder ficar com a gente. Venha comigo!

Dorian olha para Vanamari novamente... Dorian se perguntava o quanto aquela garota poderia surprendê-lo ainda. Existia mais elfos aqui? Óbvio que Dorian queria conhecê-los! Mais de sua gente que não tinha conhecido ainda! Sem mencionar que eles poderiam saber sobre a sua família! Ou melhor... Talvez estivessem lá!

Mas Dorian refreiou sua excitação ao pensar em Adrian... Ainda que humano, era um bom amigo. E depois de coisas que ouvira do velho Tom, temia deixá-lo só com o seu destino... Destino que afetaria também a futura noiva. E havia Kate... Sim... Não entendia bem o porquê, mas queria vê-la de novo... Não apenas pelo que disse sobre o seu pingente, mas gostava de estar perto dela... Talvez quando ficasse mais tempo com ela entenderia. Mas nada do que Kate disesse substituiria a chance de encontrar uma comunidade inteira de sua raça... E a menina elfa Vanamari... Novamente o tocava sem restrições ou pudores... Dorian se envergonhava de admitir que gostava disso. Também queria tocá-la e conversar mais....

Após algum tempo pensando, Dorian olhava sério para Vanamari e fala em voz baixa, ainda em élfico:

- Vanamari... Olha... Quero muito conhecer os seus pais e ou outros que falou... Quero mesmo. Embora eu concorde que a maioria dos humanos que conheci são maus, existem aqueles que não são. Adrian é um deles... Ele realmente me ajudou nos momentos ruins. E tem uma humana que conheci hoje que também tem bom coração. Portanto...

Olha em volta e chega bem perto da menina elfa, agora praticamente sussurando em élfico:

- Eu preciso mesmo falar com Adrian... Ele está aqui na floresta em algum lugar. Me ajude a encontrá-lo. Falo o que preciso e depois disso prometo que vou com você. O que me diz?

Dorian estava decidido a alertar seu amigo dos perigos que seu futuro reservava antes de seguir Vanamari. Talvez voltasse, talvez não... O seu sangue élfico fervia de ansiedade pela liberdade, mas temia pelos poucos amigos que fizera até aqui... Temia retaliações daquele humano sombrio e Tom Galiard... Dorian muito brincou de aventuras com Adrian, mas, diante de uma aventura de verdade, temia pelo futuro que teria por tais decisões ousadas... Que Deus guie seu caminho a partir de agora, pois a vontade de decidir seu próprio destino era mais forte que o medo.
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Re: Le Dulce - Seis anos antes...

Mensagem  Rinasui em Sab 24 Set 2011, 18:47

*Mesmo não querendo admitir que estava testando-o e afirmando a si mesma que apenas estava tentando conhecê-lo melhor, Lilian sentia uma animação crescente ao ver como ele percebia o que queria dizer e o que significava seus gestos. Será que agiria assim mesmo depois que se casassem? Se sim, sabia que ia ser feliz, porque ele a conheceria e também se esforçaria para conhecer Adrian.*

- É uma receita que aprendi com meus avós, diziam que ele tomava sempre que chegava da lavoura no inverno.

*Repetia como vira suas amigas dizerem milhares de vezes , e como ansiara por dizer algo assim e até mesmo invejara essa avó tão sábia e diferente da sua. Isso elevava seu animo, e começava a considerar a ideia de sentar-se e deixar a boa aparência de lado, mas o destino... ou talvez apenas uma praga de seus irmãos que decidira se cumprir, fazia com que tudo se precipitasse.

O abraço, que deveria ser carinhoso e apenas uma parte da brincadeira, era recebido de forma abrupta e fazia com que Lilian se sentisse desconfortável também. Mas, antes de erguer-se e dar uma chance dos dois ficarem bem de novo consigo mesmos, Adrian, sem motivo algum aos olhos da menina, saltava e a desequilibrava.

Lilian via apenas o verde escuro das folhas vivas misturarem-se ao marrom da casinha e do chão, que passava rapidamente diante dos seus olhos a medida que caia pesadamente sobre algo rígido. Achava que ela bateria no próprio chão e, esperta, sabia que o melhor era cair e tentar não fazer muito estardalhaço. Diziam que, se fizesse isso, sentiria menos dor e seu primeiro pensamento era para a bronca que levaria por sujar seu vestido e o segundo era que Adrian era um bobão.

Pensamentos podiam ser rápidos demais para uma garota de 10 anos que começava a conhecer um mundo diferente, mas emoções aproximavam-se e demoravam uma vida inteira. E se os seus olhos fechados a impediram de notar que caía sobre Adrian, seus lábios pressionados contra algo incrivelmente macio e quente a faziam perceber que não era por causa de um vestido sujo que seu estômago estava tão agitado e seu coração acelerado.

Abrindo um dos olhos, encontrando os dele azuis assustados, abria o outro e permanecia na posição, sentindo aquele contato um pouco mais. Curiosa, queria confirmar o que acontecia e sua mão audaciosa, com uma folha grudada na lateral, erguia-se timidamente e intrometia-se entre os lábios dele, confirmando que, sim, beijava-o. Não era bochecha e nem queixo, era a boca de Adrian mesmo.

Arregalava os olhos e o observava atenta, como uma curiosa e infante gata analisava os movimentos dele. Seu peito, começando a tomar as primeiras formas da adolescência, encontrando uma solidez que lhe era nova, uma mão ainda no lábio dele e a outra pousada em seu peito rijo. O cabelo loiro estava bagunçado, a franja empinava-se e a deixava com uma expressão quase assustada, mechas loiras estavam na lateral e o pescoço estava a mostra.

Retirando o dedo dos lábios dele, tocava os próprios e percebia que não compreendia. Era diferente quando beijara sua mão e agora que tocara nos próprios lábios e procurava sentir aquele calor, percebia que era ainda diferente demais.

Deveria dizer algo, desculpar-se ou até brincar. Sua irmã não a ensinara ainda sobre como uma dama agia e sua mãe nunca a ensinara como uma noiva deveria agir. Por isso, como a Lilian que era naquele ano e naquele dia, a enrubescida mas curiosa menina, erguia levemente seu tronco, os lábios róseos levemente entreabertos para passar a respiração, que estava difícil e não parecia querer sair pelo nariz. Próximo ao lábio dele, suas mãos amassando a camisa alva e derrubando a folhinha que estava grudada nela no pescoço de Adrian, sussurrava com uma voz diferente e frágil:*

- Eu, eu, eu... esse beijo não valeu. Eu, eu não sabia que ia... acontecer... E nem senti seu, seu...

* É com seus olhos enevoados e abertos que encontrava os lábios de Adrian uma segunda vez, seus estômago doía gostosamente e seu coração precisava parar de bater assim. Parecia que corria, como se algo a perseguisse, ou, talvez, como se perseguisse algo. O contato era macio como antes, os lábios dele estavam imóveis e ainda assim sentia-se tão agitada. E o hálito quente de Lilian soltava-se sobre os lábios Adrian ao se erguer, mais corada, e uma sensação de abandono, como se tivesse doente, tomava seu corpo delicado.

Deveria ser febre, pensava. Afinal, sabia que adultos beijavam, mas não que sentiam calor assim. Porém, movida pela confiança adquirida pelo beijo que buscara e pela certeza de que estava tudo certo, de que, afinal, eram noivos e iam se casar em alguns anos, a garota, que agora o olhava diferentemente e parecia ligeiramente diferente da menina que encontrara ao sair da carruagem, sussurrava meio frágil e também meio mandona, como se temesse a reação dele e se preparasse para o que pudesse escutar:*

- São macios, sua, sua boca é macia... Eu, eu... fecha os olhos... Não pode me olhar agora... *Levando uma das mãos aos olhos dele, cobria-os de modo trêmulo.*- Eu, esse, esse se-será nosso segredo.. tá bem? Você não, não, não pode contar pra ninguém, nunca... nem pro Dorian e nem eu pra Kate...

*Novamente era a voz de seus irmãos a perseguindo que a chamava para um caminho desconhecido, afinal, não dava pra sentir o hálito de alguém só beijando. Era diferente pra sentir sabor. Era como uma sopa, pensava, e, novamente aproximando o rosto afogueado do dele, sem perceber descobrindo os olhos dele, descia os lábios entreabertos de encontro aos de Adrian. Mas o pequeno vão de lábios separava-se aos poucos, permitindo que a quente e úmida língua dela entrasse meio brusca e insegura pelos lábios dele, tateando sua língua e raspando nos dentes de Adrian.

Eram segundos apenas, lentos e mornos, que marcaram esse toque. Ao separar os lábios do ousado beijo, encolhia-se em seus braços e sorria linda e timidamente, olhando para ele, deitada sobre seu peito. A agitação em seu estômago mais dolorosa do que nunca e seu coração um tambor. Lembrava de conversas entre empregadas e amigas mais velhas quando diziam que seria nojento tocar alguém que nem gostava ou conhecia direito. Lilian percebia que estavam todas enganadas e não sabiam de verdade como era beijar alguém. Ela sabia e descobrira que era bom beijar Adrian.*

- Eu, eu... eu acho, sei, agora, que nós dois podemos ser felizes... Você é mesmo diferente... e não tem mal hálito.
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Em algum outro lugar do bosque...

Mensagem  Lucius em Dom 25 Set 2011, 15:44

Dorian escreveu:Após algum tempo pensando, Dorian olhava sério para Vanamari e fala em voz baixa, ainda em élfico:

- Vanamari... Olha... Quero muito conhecer os seus pais e ou outros que falou... Quero mesmo. Embora eu concorde que a maioria dos humanos que conheci são maus, existem aqueles que não são. Adrian é um deles... Ele realmente me ajudou nos momentos ruins. E tem uma humana que conheci hoje que também tem bom coração. Portanto...

Olha em volta e chega bem perto da menina elfa, agora praticamente sussurando em élfico:

- Eu preciso mesmo falar com Adrian... Ele está aqui na floresta em algum lugar. Me ajude a encontrá-lo. Falo o que preciso e depois disso prometo que vou com você. O que me diz?

Vanamari sorriu quando ouviu que Dorian queria conhecer seus pais e amigos, mas ergueu levemente a sobrancelha esquerda, em desconfiança, quando o jovem elfo falou que haviam humanos de bom coração também. Diante da exigência de encontrar Adrian antes de irem, Vanamari arregalou os olhos, satisfeita, e sorriu, dizendo:

- Certo. Vamos procurar seu amigo então! Eu acho que sei onde eles podem estar. Venha comigo! - e imediatamente segurou na mão de Dorian, puxando-o para dentro do bosque, enquanto corria moderadamente entre as árvores, galhos e raízes à mostra. O pequeno felino, que estava olhando fixamente em uma direção, alertou-se pelo movimento dela e correu logo atrás dos dois jovens elfos.

Vanamari parecia não dar nenhuma importância a nada mais que Dorian havia dito. Ela apenas queria que Dorian se despedisse de seu amigo e que viesse logo com ela. Ela ia salvar um elfo dos males das cidades de pedra e de seu povo mau e burro. Ela mal podia esperar para apresentar Dorian aos seus entes queridos!
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